Spotify Sessions Brasil estreia em 2026 com Matchola, Russo Passapusso e Rodrigo de Paula
Trio criativo transforma o Palacete Tira-Chapéu em um estúdio único, conectando música e arquitetura baiana a uma sintonia que começou profissional e virou amizade
Nesta quarta, 17, o Spotify Sessions volta ao Brasil com Matchola no comando. O projeto, que já passou por Colômbia, México e Argentina, se estrutura como um triângulo criativo — artista, diretor musical e diretor visual — atuando em sintonia. Cada sessão reúne cinco faixas em formato audiovisual, reinventando o repertório do artista por meio de uma performance original que une som e imagem de maneira inédita. Nesta edição, Russo Passapusso assina a direção musical e Rodrigo de Paula, a direção visual — dois nomes que não se conheciam antes e hoje dividem um trabalho que surpreende pela naturalidade. Marina Burini, porta-voz do projeto, resume a proposta em entrevista à Rolling Stone Brasil:
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"O Sessions é um catalisador de criatividade. É um lugar onde a gente oferece o aparato Spotify e monta o palco para o artista fazer o que ele quiser, trazendo essa cutucada da inovação e da criatividade".
Quando a equipe do Spotify decidiu expandir o Sessions para a América Latina, havia uma pergunta central: como mostrar ao mundo o potencial criativo da região? "A gente acompanha e monitora a criatividade brasileira e da América Latina diariamente", explica Marina. "E a gente sentia que faltava um palco em vídeo dentro do Spotify para mostrar para a América Latina e para o mundo o potencial desses criadores, desses artistas". A proposta é simples, mas ambiciosa: escapar do formato predefinido e fazer de cada sessão um capítulo único, a partir do trio escolhido. "A gente não tem uma lista de critérios porque é difícil colocar critério na criatividade brasileira, em especial, né? Acho que limita bastante", diz Marina.
"O que a gente olha mesmo é esse potencial criativo do artista, essa proposta e essa visão criativa que ele traz em cima da própria obra".
Matchola entrou no radar por um motivo direto: clareza criativa. Marina conta que acompanhava o artista havia tempo, mas o lançamento de Zero Bala (2025) acelerou o processo. "Quando a gente conversou com ele, consegui ouvir como é clara a visão criativa dele para o trabalho que desenvolve. Ele tem isso muito forte. E uma das coisas que a gente olha quando seleciona o artista é quando ele topa fazer uma coisa diferente, se propor a uma coisa nova". Matchola topou na hora!
"Recebi o convite por e-mail. Eu fiquei naquela: será que é isso mesmo? Aquele pé atrás", brinca o artista. "Aí, quando começaram as reuniões, conheci todo mundo e vi que o bagulho era de verdade. Fiquei impressionado", conta. E o local da apresentação não poderia ser outro: "O Palacete Tira-Chapéu foi paixão à primeira vista. Minha diretora fez um trabalho lá e me apresentou. A gente nem testou, porque eu tinha uma listinha com uns dez lugares para conhecer. A gente foi ao primeiro e acabou", diz Matchola.
Rodrigo de Paula chegou e entendeu imediatamente o que estava sendo proposto. "Quando cheguei, Matchola e Russo já estavam encantados. Aí descobri que foi construído em 1917 para comerciantes. E não poderia ser melhor o contraste. Em um lugar que poderia ser supercomum, ele foi um achado que tinha tudo a ver". Mais de um século depois, o espaço volta a ser ocupado por arte, música e criatividade.
Com artista e local definidos, restava decidir qual narrativa seguir. Mas Matchola já tinha um caminho desenhado. "Geralmente, quando vou fazer músicas, já penso em como construir a narrativa visual delas, como encaixar no storytelling", explica. Ele organizou as cinco faixas como uma montanha-russa emocional: começa com "CASACHEIA" como introdução, atravessa picos de intensidade e termina em um fechamento mais tranquilo. "Eu queria começar com uma introdução de persona, de local, de músicos, de banda e de projeto com casa cheia". Russo entendeu logo na primeira conversa. "Matchola chega de caso pensado, com uma narrativa muito explicada do que ele quer", diz o diretor musical.
"Eu entreguei para ele esses sons aqui, meus xodós, apela, faz o que você sabe fazer de melhor, e ele já trouxe o que eu queria. Quando eu escutei, falei: 'É isso aí, perfeito'", diz Matchola.
E, de tudo, o que chama atenção é como os três se relacionaram. Durante a entrevista, era possível sentir a conexão, que não ficou apenas no âmbito profissional: foi para o círculo de amigos. Russo resume: "Primeiro, quando a gente se conheceu, já parecia que a gente já se conhecia. Quando você conhece alguém pela arte, já parece que você conhece há 10 anos, 20 anos, porque você tá interagindo com a música, que promove igualdade de intenção". A dinâmica foi tão natural que até assustou. "Inacreditavelmente, a gente não teve um momento de discordância. Foi até estranho", brinca.
Fica claro que o Spotify Sessions com Matchola não é apenas um projeto audiovisual bonito: é um registro de como a criatividade genuína acontece quando três pessoas se encontram sem expectativas e com total liberdade. As expectativas, porém, são altas. Matchola quer que o público sinta orgulho: "De olhar e ver de onde eu saí, onde eu cheguei e o que tem mais para conquistar. As referências que eu tenho hoje estão junto comigo". Russo aposta na presença: "Que elas se sintam dentro, imersas, emocionadas, que possam sentir aquilo que nós sentimos nesse set, nesse dia especial". Rodrigo completa com a palavra que sintetiza o processo: "Coletividade. Essa coisa do orgulho, da presença — quando você vê aquilo acontecendo, você sente os outros".
Confira o Spotify Sessions com Matchola:
https://open.spotify.com/playlist/37i9dQZF1DX5KcROkozncF
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