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Filha de cearense, estrela da música portuguesa mira o Brasil: 'Me sinto no meio dos dois mundos'

Bárbara Bandeira, filha do famoso cantor português Rui Bandeira, falou com o 'Estadão' durante o Rock in Rio Lisboa sobre parcerias com brasileiros e admiração por nomes como Alcione. 'Não quero ir só por ir', diz sobre aproximação com o País

18 jul 2026 - 12h06
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Ainda pequena, Bárbara Bandeira teve que aprender a "abrir as vogais" para falar com suas tias e sua avó no Ceará. Essa forma de falar influenciou sua forma de cantar, que, mais tarde, seria uma de suas grandes marcas na música portuguesa. Apesar de ser filha de uma cearense, Siara Holanda, Bárbara nasceu em Azeitão, freguesia em Portugal, e também é filha de um dos cantores mais famosos do país, Rui Bandeira.

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Em 2015, ela resolveu traçar seu próprio caminho na música, sem tantas influências do pai. Bebeu muito da MPB em suas melodias e apostou no pop e na música urbana. Deu certo: segundo Bárbara, é raro que hoje as pessoas a associem tão facilmente ao pai.

Bárbara Bandeira mira o Brasil em seu novo projeto, 'Lusa: Ato I'.
Bárbara Bandeira mira o Brasil em seu novo projeto, 'Lusa: Ato I'.
Foto: Fábio Teixeira/Divulgação / Estadão

"No início, havia muita comparação e muita justificação de que 'ela só é porque o pai ajudou e abriu as portas para ela'", comenta a cantora em conversa em seu camarim antes de seu show no Rock in Rio Lisboa no último dia 20 de junho. "Com o passar do tempo, as pessoas foram entendendo também que eu faço um gênero musical completamente diferente do meu pai e, graças a Deus, estou conquistando muita coisa que ele próprio fica feliz e surpreendido por nem ele ter conquistado."

Barreira histórica

Bárbara mergulhou fundo no Brasil em seu último projeto, Lusa. Dividido em quatro atos, já teve a primeira e a segunda parte lançadas. Lusa: Ato I tem seis faixas e três delas têm referência direta à música brasileira: Não Gosta usa o sample de Todo Homem, de Zeca Veloso, e Fumaça e Zona Sul são parcerias com os rappers Veigh e Wiu, respectivamente.

Veigh e Wiu aparecem no álbum em meio a uma explosão de fãs portugueses da música urbana brasileira. No Rock in Rio Lisboa, por exemplo, nomes como Pedro Sampaio, Matuê e Filipe Ret estavam no line-up e atraíram um enorme interesse do público do festival - formado essencialmente, vale dizer, por portugueses.

No entanto, aceitar o sotaque português é mais difícil para os brasileiros - resultado, principalmente, da barreira histórica criada pelo trauma da colonização. Bárbara diz ter consciência disso.

Bárbara Bandeira em seu show no Rock in Rio Lisboa no último dia 20 de junho.
Bárbara Bandeira em seu show no Rock in Rio Lisboa no último dia 20 de junho.
Foto: Vasco Prazeres/Rock in Rio Lisboa/Divulgação / Estadão

"É uma questão de vontade também. Eu acho que as coisas, quando são feitas do jeito certo, acabam dando certo", afirma. "Eu tenho entendido isso também: procurado saber, procurado conhecer as pessoas... Porque, para mim, só faz sentido levar a minha carreira para o Brasil se for para saber e conhecer o brasileiro. Eu não quero ir só por ir."

Sangue latino

Apesar de ter sangue brasileiro, Bárbara diz que "tem a humildade de reconhecer e saber que eu cresci aqui [em Portugal]". "Tenho o privilégio de ter crescido numa casa onde a minha mãe, sendo brasileira, me passou muita coisa. [...] Tem sido esse o processo nos últimos anos: um processo de autoconhecimento super incrível para mim, porque tem muitas coisas da minha personalidade que são brasileiras."

Questionada sobre seus traços de personalidade brasileiros, Bárbara diz que "um artista é resultado de tudo aquilo que ele viveu e tudo aquilo que ele ouviu". "Nos últimos anos, eu tenho entendido que muitas das minhas referências musicais são brasileiras também por conta da minha mãe, de eu ouvir muita música brasileira. E elas se refletem até nas minhas melodias ou na forma como eu falo as palavras", comenta.

No futuro, ela conta, quer fazer um projeto em que possa explorar ainda mais suas influências da MPB. Dentre as inspirações, ela cita nomes clássicos, como Alcione (que já conheceu em uma ida da cantora a Portugal), Caetano Veloso e Ana Carolina, aos contemporâneos, como Liniker e Duquesa. Questionada sobre uma possível parceria com algum dos artistas citados, Bárbara deixa uma expectativa: "Alguns dos nomes que eu falei não foram em vão."

Estadão
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