Black Pantera e Nervosa mostram a cara do metal brasileiro atual no Rock in Rio 2026
Cada uma à sua maneira, bandas de som pesado e carreiras resilientes conquistaram público que encheu pista do palco Sunset para vê-las
No Rock in Rio, Black Pantera e Nervosa uniram forças em um show histórico que representou a força e a diversidade do metal brasileiro atual. Quebrando padrões excludentes da música pesada com mensagens antirracistas e empoderamento feminino, os grupos apresentaram faixas autorais consagradas, intercalaram momentos juntos e separados no palco e surpreenderam o público ao encerrar a apresentação conjunta com uma homenagem a Rita Lee por meio de um cover da faixa "Obrigado Não".
Formado em Uberaba (MG), o Black Pantera carrega mensagens antirracistas em um som bem puxado para o hardcore, focado no groove e letras em português. Já a Nervosa, criada em São Paulo (SP), mas hoje radicada na Grécia com integrantes de diferentes países, reúne apenas mulheres executando um thrash metal de abordagem mais técnica/tradicional e segue se provando mesmo após sucessivas mudanças de formação.
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Há bem mais em comum entre Black Pantera e Nervosa do que se imaginaria em um olhar inicial. Mesmo com histórias, mercados e abordagens diferentes, ambos combatem padrões estabelecidos na música pesada — nem sempre convidativa a mulheres e negros —, trazem composições questionadoras e são capazes de furar diferentes bolhas. Suas existências, por si só, já são um ato de resistência. Uni-los em um mesmo palco, como ocorrido no Rock in Rio no último sábado, 5, só poderia resultar em algo poderosíssimo e histórico.
Como o show foi apresentado como "Black Pantera convida Nervosa", naturalmente, a banda mineira — em sua terceira participação no festival — teve mais tempo sozinha no palco. Tocaram cinco músicas, com duas do novo álbum ("Hórus" e "Obsoleto"), as catárticas e já clássicas "Padrão é o Car*lho" e "Fogo nos Racistas" e a emotiva "Tradução", dedicada às mães dos fãs e dos integrantes e com declaração contrária à escala 6x1.
A Nervosa entrou no palco em etapas: primeiro, surge apenas Prika Amaral, sem sua guitarra, cantando e dominando o palco em "Serotonina", música do Black Pantera, junto dos anfitriões. Depois, as demais integrantes surgem: Helena Kotina (guitarra), Emmelie Herwegh (baixo) e Michaela Naydenova (bateria). Com apenas o quarteto thrash feminino no palco, só duas canções são executadas: "Ghost Notes" e "Slave Machine". Já em "Endless Ambition", Charles Gama retornou para participar.
A parte final do set voltou a contar com todos de ambas as bandas. A homenagem a Rita Lee com um cover de "Obrigado Não" — faixa menos conhecida em meio aos hits da saudosa artista, mas de letra simbólica em muitos sentido —, surpreendeu. À Rolling Stone Brasil, Prika disse ter definido a rainha do rock nacional às colegas gringas como "a Ozzy Osbourne brasileira". Extremamente precisa.
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