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Rock in Rio Termina com Twenty One Pilots, Halsey e Zara Larsson

Último domingo teve ainda Lola Young, Marina Sena com Céu, Dennis, Lucy Alves, Lourena e música eletrônica até a madrugada

17 set 2026 - 18h12
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Resumo
Debaixo de chuva e muita lama, o Rock in Rio encerrou sua edição com grande diversidade musical e dedicação do público. O Palco Mundo teve abertura carnavalesca de Ivete Sangalo, a intimidade de Lola Young, o show enérgico e teatral de Halsey e o encerramento fiel do Twenty One Pilots. Já o Sunset destacou a cultura paraense com Joelma e Viviane Batidão, além do pop dançante de Zara Larsson. Espaços secundários e pistas estenderam a festa pela madrugada, provando a força eclética do festival.

O Rock in Rio 2026 chegou ao sétimo dia com aquele clima estranho que só aparece quando um festival desse tamanho começa a se despedir. A Cidade do Rock ainda tinha mais de doze horas de música pela frente, mas placas molhadas, capas de chuva, botas cobertas de lama e conversas sobre os melhores shows dos dias anteriores já lembravam que aquele domingo, 13 de setembro, seria o último. A chuva voltou a acompanhar boa parte da programação e obrigou o público a decidir várias vezes entre procurar abrigo ou permanecer diante dos palcos. Muita gente escolheu ficar, e essa insistência acabou definindo algumas das melhores imagens da despedida.

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A programação também se dividia de maneira pouco óbvia. O Mundo reunia Ivete Sangalo, Lola Young, Halsey e Twenty One Pilots, enquanto o Sunset passava de Carol Biazin e Joyce Alane para Joelma com Viviane Batidão, Marina Sena com Céu e Zara Larsson. No restante do parque, pagode e funk ocupavam o Favela, a cena urbana brasileira ganhava espaço no Supernova e a música eletrônica preparava uma madrugada que seguiria depois do encerramento do palco principal. Em vez de construir uma única linha musical, o último dia obrigava o público a escolher entre experiências bastante diferentes.

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Ivete Sangalo Abriu a Despedida Como se Ainda Houvesse Carnaval pela Frente

Às 17h, Ivete Sangalo apareceu diante do Palco Mundo debaixo de chuva e encontrou um público que já parecia disposto a aceitar qualquer provocação. O repertório abriu com "Dançando" e rapidamente passou por "A Galera", uma mistura de "Chorando se Foi" com "Bamboléo", "Energia de Gostosa", "Macetando", "Cria da Ivete", "Festa", "Sorte Grande" e "Tempo de Alegria". A sequência quase não permitia descanso, mas Ivete sabe trabalhar esse tipo de acúmulo porque transforma cada refrão em comando físico para a plateia. A água aumentava, os guarda-chuvas se multiplicavam e ela respondia como se aquela condição fizesse parte do espetáculo.

O show também carregava uma pesquisa sobre latinidade que aparecia em "Corazón Partío", de Alejandro Sanz, e na própria combinação de ritmos que cercava as músicas brasileiras. Quando chegaram "Não Precisa Mudar", "Alô, Paixão", "Me Abraça", "Pra Falar de Você" e "Eva", o Mundo já havia deixado a lógica de abertura para trás e funcionava como um grande bloco de Carnaval. Ivete encerrou com "Deixo", "Faz Tempo" e "Cadê Dalila?", mantendo a mesma disposição até o fim de um set com mais de vinte músicas. Poucos artistas brasileiros conseguem ocupar aquele horário sem parecer aquecimento para o restante da noite, e ela continua sabendo transformar o primeiro show do Mundo em acontecimento próprio.

Lola Young Fez o Mundo Parecer Pequeno pela Intimidade, Não pelo Tamanho

Lola Young | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@DiegoPadilha)
Lola Young | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@DiegoPadilha)
Foto: Imagem: Reprodução/Woo! Magazine / Woo! Magazine

Lola Young entrou às 19h10 em uma posição complicada. Ela vinha depois de Ivete Sangalo e antes de Halsey, enquanto parte dos fãs do Twenty One Pilots já guardava lugar desde cedo. Seu repertório também trabalha por caminhos muito menos grandiosos: guitarras, soul, pop torto, letras confessionais e uma maneira de cantar que frequentemente parece estar a poucos centímetros de quem escuta. Em vez de tentar aumentar artificialmente o show para preencher os gigantescos painéis, Lola tratou o Mundo como uma sala muito maior do que aquela em que normalmente sua música respiraria melhor.

A abertura com "Wish You Were Dead" mostrou imediatamente essa personalidade, seguida por "Big Brown Eyes", "One Thing", "Conceited" e "Sad Sob Story! :)". "From Down Here" trouxe a parte mais autobiográfica do repertório, enquanto "d£aler", "Walk All Over You" e "Post Sex Clarity" mantiveram a apresentação em uma região de desconforto emocional que raramente aparece naquele palco sem uma grande embalagem visual. Em "Spiders", Lola se emocionou e falou sobre o uso de inteligência artificial na arte, defendendo o valor da experiência humana em uma performance ao vivo. O discurso combinou com um show em que voz, falhas, respiração e improviso tinham muito mais importância do que cenografia.

O encerramento com "Messy" trouxe finalmente a música que boa parte da plateia conhecia, mas também deixou exposta uma questão daquela escalação: Lola ainda encontra resposta muito mais forte entre quem acompanha sua carreira do que em um público geral de festival. Seu show funcionou por honestidade e personalidade, embora o Palco Mundo tenha parecido maior do que precisava. A chuva e algumas falhas pontuais de som não ajudaram, mas aquela estreia deixou uma artista que se recusou a tratar o Rock in Rio como audição para virar uma estrela pop convencional.

Joelma e Viviane Batidão Fizeram o Sunset Falar Paraense

Joela e Viviane Batidão | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@VansBumbeersFoto)
Joela e Viviane Batidão | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@VansBumbeersFoto)
Foto: Imagem: Reprodução/Woo! Magazine / Woo! Magazine

Enquanto Lola finalizava o Mundo, o Palco Sunset recebia um dos encontros brasileiros mais naturais daquela edição. Joelma e Viviane Batidão não precisavam procurar um conceito artificial para justificar a parceria porque calypso, tecnomelody e a cultura musical paraense já ofereciam um território comum. Joelma começou revisitando um catálogo que o público reconhecia logo nos primeiros compassos, passando por "Dançando Calypso", "Pra Te Esquecer", "Anjo", "A Lua Me Traiu", "Passe de Mágica", "Acelerou", "Cúmbia do Amor" e "Isso É Calypso".

"Voando pro Pará" preparou a entrada de Viviane, que apareceu para "Balanço do Norte" e "Vem Meu Amor (Xa Na Na)" antes de ganhar um bloco próprio com "Galera da Golada", "É Sal", "Só Pra Tu", "Olha Bem Pra Mim" e "Rock Doido". O que mais funcionou foi que Joelma realmente cedeu espaço para a convidada em vez de mantê-la como apoio durante duas músicas. O Sunset assumiu a cara de uma festa amazônica, com dança, guitarras, batidas eletrônicas e aquele repertório que costuma provocar reconhecimento imediato mesmo em quem não acompanha as duas carreiras de perto.

O show ainda seguiu por "Imagino", "Não Faz Sentido", "Um Novo Ser", "Ainda Te Amo", "Se Quebrou", "Tchau Pra Você" e "Temporal". O encontro mostrou como o Rock in Rio ganha quando utiliza o Sunset para aproximar artistas que compartilham história musical de verdade. Joelma e Viviane representaram gerações diferentes da música paraense, mas o palco nunca pareceu dividido entre passado e presente.

Marina Sena e Céu Construíram um Teatro Pop no Meio da Chuva

Marina Sena | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilms/@VictorCarvalho)
Marina Sena | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilms/@VictorCarvalho)
Foto: Imagem: Reprodução/Woo! Magazine / Woo! Magazine

Marina Sena chegou ao Sunset às 20h20 toda de branco, acompanhada por um cenário e uma direção de cena muito mais próximos de um espetáculo teatral do que de uma apresentação convencional de festival. "Numa Ilha" abriu o show, seguida por "Coisas Naturais" e "Doçura", esta última com LuisLo, do Çantamarta, justamente enquanto a chuva permanecia sobre a Cidade do Rock. A coincidência entre a letra e o tempo ajudou a inserir o clima dentro da apresentação, e Marina aproveitou os grandes painéis, figurinos e movimentos de palco para ampliar o universo de seu disco mais recente.

Uma das surpresas foi a estreia ao vivo de "Taiobeiras (Folha Grande)", seguida por "Carta de Maria" e "Ouro de Tolo". A chegada de Céu veio em "Varanda Suspensa" e "Malemolência", encontrando duas cantoras cujas vozes combinam pela suavidade e pelo balanço, embora a participação tenha sido curta diante das possibilidades desse encontro. A reta seguinte recuperou "Por Supuesto" e "Voltei pra Mim" antes de passar por "Mágico", "Lua Cheia", "Carnaval" e "Desmitificar".

O show tinha boas ideias visuais, mas algumas delas pareciam pensadas primeiro para a câmera e depois para quem acompanhava do gramado. Há uma diferença grande entre criar uma imagem bonita na transmissão e fazer essa mesma ação chegar a milhares de pessoas espalhadas diante do Sunset. Mesmo com esse desequilíbrio, Marina mostrou uma fase mais ambiciosa de sua carreira e conseguiu manter personalidade dentro de um dia lotado de nomes pop maiores.

Halsey Trouxe Guitarra, Teatro e Uma Roda Punk para o Mundo

Às 21h35, Halsey levou o Palco Mundo para um lugar muito mais pesado. "Nightmare" abriu uma apresentação que misturava castelo virtual, fogo, figurino branco marcado por elementos vermelhos, escadas e uma interpretação que frequentemente chegava perto da performance teatral. "I Am Not a Woman, I'm a God", "Castle", "You Should Be Sad", "Dog Years" e "You Asked for This" mantiveram essa atmosfera enquanto a cantora alternava falsetes pop com drives e gritos que colocavam guitarras na frente dos arranjos.

O momento que melhor revelou esse lado apareceu em "Experiment on Me". Halsey pediu uma roda punk e insistiu até que o público abrisse espaço no gramado, transformando uma música originalmente ligada à trilha de "Aves de Rapina" em um dos trechos mais físicos do domingo. "Honey" manteve a intensidade, enquanto "Colors", "Closer", "Hurricane" e "Without Me" recuperaram músicas conhecidas por públicos que talvez esperassem um show muito mais pop. Em "Without Me", as luzes dos celulares tomaram o Mundo e ofereceram uma pausa visual depois de uma sequência marcada por fogo, correntes e movimentação intensa.

"Gasoline" e "Lonely Is the Muse" fecharam um set de cerca de 75 minutos em que Halsey parecia mais interessada em mostrar como suas diferentes fases conversam entre si do que em simplesmente alinhar singles. A maior dificuldade veio de fora do palco: parte da plateia começou a se deslocar para o Sunset enquanto Zara Larsson se aproximava. Mesmo com essa movimentação, a estreia de Halsey deixou uma das apresentações visualmente mais completas de todo o evento.

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Zara Larsson Fez a Chuva Parecer Parte de Uma Festa de Verão

Zara Larsson | Imagem: Reprodução/Instagram (@globoplay)
Zara Larsson | Imagem: Reprodução/Instagram (@globoplay)
Foto: Imagem: Reprodução/Woo! Magazine / Woo! Magazine

Pouco depois das 23h, Zara Larsson encontrou um Sunset completamente tomado por fãs que haviam enfrentado chuva para vê-la. A abertura com "Midnight Sun" estabeleceu de imediato a estética colorida da nova fase, seguida por "Can't Tame Her", uma versão de "She Did It Again", de Tyla, e um medley de "I Would Like" com "Sundown". "Hot & Sexy", "Wow" e "Ain't My Fault" transformaram a primeira metade em uma sequência muito mais dançante do que qualquer outra apresentação daquele palco naquele domingo.

A estrutura funcionava porque Zara conseguia dançar sem abandonar o vocal, apoiada por uma banda formada por mulheres e um grupo de bailarinas que ganhou momentos próprios dentro do set. "Pretty Ugly" e "Stateside" mantiveram a fase recente no centro, enquanto "Never Forget You" trouxe uma mudança de tom e abriu espaço para a apresentação da banda. "Blue Moon" manteve essa região mais emotiva antes de "Lush Life" transformar o palco novamente.

Em "Lush Life", uma fã subiu para participar da coreografia e mostrou que havia estudado o momento muito antes de chegar à Cidade do Rock. Zara acompanhou a brincadeira sem transformar a convidada em simples figurante, deixando que a dança virasse parte real da música. Depois de "Symphony", a cantora retomou "Midnight Sun" para encerrar, fechando uma hora de show que justificou a quantidade de gente que havia deixado o Mundo para correr até o Sunset.

A apresentação também expôs uma das fragilidades de programação daquele último dia. Halsey e Zara Larsson carregam públicos que se cruzam bastante, e colocar as duas praticamente em sequência concorrente forçou muita gente a abandonar uma apresentação antes do fim ou chegar atrasada à outra. O festival produziu dois bons shows e, ao mesmo tempo, criou uma disputa desnecessária entre eles.

Twenty One Pilots Recebeu a Cidade do Rock Debaixo de Temporal

Imagem: Reprodução/Instagram (via @twentyonepilots)
Imagem: Reprodução/Instagram (via @twentyonepilots)
Foto: Reprodução/Instagram (via @twentyonepilots) / Woo! Magazine

Quando Twenty One Pilots começou pouco depois da meia-noite, a chuva já havia apertado novamente e o Mundo estava menos cheio do que em vários encerramentos anteriores da edição. Quem permaneceu, porém, parecia estar ali desde muito antes. Camisetas pretas, detalhes vermelhos, pescoços pintados e referências às eras de "Blurryface", "Trench" e "Clancy" apareciam desde a tarde entre os fãs de Tyler Joseph e Josh Dun. O duo entrou sabendo que aquela plateia conhecia cada código do show e utilizou isso desde "Overcompensate", seguida por "The Contract" e "Center Mass".

Tyler começou mascarado e rapidamente passou a ocupar diferentes pontos do palco e da área diante dele. "Shy Away", "Heathens", "Next Semester", "One Way" e "Tear in My Heart" mostraram a facilidade com que a dupla salta entre eletrônico, rock, hip-hop e pop sem precisar dividir o repertório em blocos rígidos. Em "Jumpsuit", rodas se abriram no público, enquanto Josh Dun apareceu com uma tocha em meio à pirotecnia. "Nico and the Niners" e "Heavydirtysoul" mantiveram a tensão antes de o baterista assumir o centro durante "Drum Show".

Josh escalou uma estrutura lateral do Mundo e tocou bateria no alto, sem camisa e sob chuva forte, criando uma das imagens mais apropriadas para o encerramento daquela edição. Mais tarde, Tyler voltou para perto da plateia em "RawFear", apresentou "Drag Path" e recuperou uma versão crua de "Doubt". Em "Ride", ele chamou o segurança Jonathan para cantar o refrão, transformando alguém que estava ali trabalhando diante da grade em personagem de um dos maiores hits da banda.

Ainda houve espaço para uma homenagem inesperada a "Seven Nation Army", com uma aparição de Jack White no telão autorizando a brincadeira, antes de "Stressed Out" preparar a despedida. "Trees" ficou para o fim, com Tyler e Josh sobre uma plataforma diante das primeiras fileiras batendo em tambores e lançando confetes sobre fãs completamente encharcados. A cena combinava melhor com o encerramento do Rock in Rio do que qualquer discurso grandioso: duas pessoas tocando no meio de quem havia permanecido até quase duas da manhã, enquanto a chuva continuava caindo.

O público era menor do que aquele visto em outros headliners da edição, algo perceptível inclusive durante o deslocamento após Zara Larsson. O show não tentou esconder isso. Twenty One Pilots trabalhou com quem estava ali, aproximou palco e gramado e fez da dedicação daquele grupo de fãs uma parte da própria apresentação. Para uma banda que construiu boa parte de sua reputação eliminando a fronteira entre artista e plateia, terminar o festival dessa maneira fez bastante sentido.

O Espaço Favela Terminou Como Baile de Funk

Dennis DJ | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@AlexWoloch)
Dennis DJ | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@AlexWoloch)
Foto: Imagem: Reprodução/Woo! Magazine / Woo! Magazine

O último domingo também teve um Espaço Favela bastante movimentado. Marvvila abriu o palco com pagode, seguida por Suel, mantendo a primeira metade do dia em um território romântico antes da chegada de Dennis às 19h10. Quando o DJ apareceu, a área passou por uma mudança brusca de comportamento: o entorno ficou tomado e o público ocupou espaços bem além da grade, mesmo com o tempo instável.

Dennis encerrou o Favela com funk até os minutos finais e mostrou novamente uma questão que apareceu diversas vezes em 2026: alguns dos maiores públicos do festival estavam longe do Mundo. O espaço tem dimensões menores e isso naturalmente aumenta a sensação de lotação, mas a quantidade de gente reunida ali indicava demanda real por esse repertório. Depois de Xamã, Belo, Timbalada e outros nomes fortes em dias anteriores, Dennis fechou o palco reforçando o quanto aquela área deixou de funcionar como parada lateral dentro da Cidade do Rock.

Global Village e Supernova Seguiram Trabalhando para Quem Queria Sair da Rota Principal

Lucy Alves | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@Lili_Moss)
Lucy Alves | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@Lili_Moss)
Foto: Imagem: Reprodução/Woo! Magazine / Woo! Magazine

No Global Village, Kynnie abriu o domingo antes de Lucy Alves assumir o horário das 16h50. A cantora e instrumentista levou sua mistura de música nordestina e pop para um palco que, durante a edição inteira, conseguiu receber propostas menos dependentes dos grandes códigos do festival. A canadense Haley Smalls encerrou a programação do espaço às 19h10, mantendo o caráter internacional de uma estrutura pensada justamente para cruzar cenas e repertórios diferentes.

O Supernova terminou 2026 olhando para a cena urbana brasileira. AR Baby, Bruna Black, Sant e Lourena formaram a programação do domingo, com rap, R&B e novas vozes dividindo um palco que continua sendo uma das áreas mais úteis do festival para quem quer descobrir artistas fora das atrações gigantes. Lourena ficou responsável pelo encerramento às 20h10, fechando sete dias com muito carisma em um dia que o Supernova passou por rock, trap, pop, punk e diferentes recortes da produção independente e emergente do país.

Quando o Mundo Apagou, a Cidade do Rock Ainda Não Tinha Acabado

Imagem: Divulgação/Rock in Rio
Imagem: Divulgação/Rock in Rio
Foto: Divulgação/Rock in Rio / Woo! Magazine

O fim de "Trees" encerrou o Palco Mundo, mas não a música. O New Dance Order ainda tinha uma madrugada inteira desenhada para quem queria estender o último dia, começando com Dawn Patrol, passando por Illusionize e Roddy Lima até chegar a John Summit, escalado para 1h30. A pista eletrônica mais uma vez funcionou como destino de quem saía dos grandes shows sem disposição para aceitar que a edição havia terminado.

Havia ainda uma despedida inesperada em outro canto da Cidade do Rock. É o Tchan, com Beto Jamaica, Compadre Washington e Sheila Mello, apareceu no Pavilhão Itaú depois do encerramento do Twenty One Pilots, colocando sucessos dos anos 1990 e 2000 no último suspiro da programação daquele espaço. O festival que havia passado por Foo Fighters, Stray Kids, Elton John, Calvin Harris, Gilberto Gil e Maroon 5 terminou, em algum ponto da madrugada, com gente dançando axé.

Essa imagem ajuda a resumir melhor o Rock in Rio 2026 do que qualquer tentativa de encontrar um único gênero para defini-lo. A última data reuniu Ivete, Lola Young, Joelma, Marina Sena, Halsey, Zara Larsson, Twenty One Pilots, Dennis, pagode, rap, música eletrônica e uma aparição do É o Tchan. Houve choques de público, escolhas de horário discutíveis e artistas que poderiam ter recebido espaços maiores ou combinações melhores dentro da grade, mas também houve uma Cidade do Rock em movimento até depois do encerramento oficial do maior palco.

A chuva, presença constante em boa parte da edição, apareceu mais uma vez na despedida. Desta vez, porém, ela encontrou um público que já sabia exatamente o que fazer: vestir a capa, proteger o celular quando desse, aceitar o tênis molhado e continuar. Quando Tyler Joseph e Josh Dun terminaram "Trees", a Cidade do Rock estava encharcada, cansada e ainda cantando. Para uma edição marcada tantas vezes pela água, foi um final bastante coerente.

Joelma e Viviane Batidão | Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@VansBumbeersFoto)

Publicado originalmente na Woo! Magazine.

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