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Quem foi Victor Willis, cofundador e vocalista do Village People, que morreu aos 74 anos

Nascido no Texas e criado em San Francisco, ele cofundou o grupo em 1977, escreveu 'Y.M.C.A.' e 'Macho Man' e voltou aos palcos aos 65 anos

1 jul 2026 - 11h37
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Victor Willis, vocalista e cofundador do Village People, morreu na última terça, 30, aos 74 anos. A banda confirmou a morte em um comunicado publicado nas redes sociais e informou que a causa foi "uma doença curta, porém agressiva", sem entrar em detalhes. A viúva de Willis, a advogada e executiva do entretenimento Karen Huff-Willis, publicou uma nota separada pedindo privacidade para a família.

Victor Willis, vocalista e cofundador do Village People, morreu aos 74 anos após doença curta e agressiva e marcou a era disco com hits
Victor Willis, vocalista e cofundador do Village People, morreu aos 74 anos após doença curta e agressiva e marcou a era disco com hits
Foto: Daniel Boczarski/Redferns / Rolling Stone Brasil

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Willis morreu na véspera de completar 75 anos: nasceu em 1º de julho de 1951, em Dallas, Texas. Victor Edward Willis cresceu no bairro Haight-Ashbury, em San Francisco, filho de um pastor batista. O vínculo com a música começou na infância, cantando gospel na igreja do pai. Na adolescência, formou uma banda chamada The Ballads e chegou a abrir um show dos The Temptations no Fillmore Auditorium aos 15 anos. "Eu tinha 15 anos e foi emocionante. Foi um vislumbre do que estava por vir", disse ao San Diego Union-Tribune em 2015.

Mais tarde, mudou-se para Nova York, onde se envolveu com o teatro musical — participou de produções como The Wiz (1975) e The River Niger (1972) — e frequentava o Y.M.C.A. da West 63rd Street, perto do Hotel Empire, onde morava. Essas idas inspirariam diretamente uma das músicas mais tocadas da história do pop.

A criação do Village People foi ideia dos produtores franceses Jacques Morali e Henri Belolo. Em 1977, eles estavam em uma boate gay no West Village, em Nova York, quando notaram um bartender fantasiado de nativo americano e outro de caubói. A partir daí, decidiram montar uma banda disco com cantores vestidos como arquétipos masculinos americanos.

Morali e Belolo chegaram a Willis por indicação de um arranjador que trabalhava em um projeto paralelo da dupla. Segundo Willis, o produtor lhe disse que "teve um sonho de que você cantava a voz principal em um álbum que produzi — e foi muito, muito grande", e assim por diante. Willis aceitou. A banda estreou em 1977 com um EP homônimo e rapidamente se tornou um dos fenômenos mais reconhecíveis da disco.

No papel de policial do grupo — com farda, capacete e apito —, Willis foi o único "músico evidente" do Village People, segundo o crítico John Rockwell, do The New York Times, que em 1979 descreveu sua voz como dotada de "uma fervorosa energia gospel" aplicada a números de alta energia. Ele não era apenas a voz: também era compositor. Coescreveu os maiores sucessos do grupo, incluindo "Y.M.C.A.", que chegou ao segundo lugar na Billboard, além de "Macho Man" e "Go West". Em 2020, "Y.M.C.A." foi incluída no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

Em 1980, Willis deixou o grupo para tentar carreira solo — e não participou do filme A Música Não Pode Parar (1980), fracasso de bilheteria lançado naquele ano. O que se seguiu foi uma longa batalha nos tribunais pelos direitos autorais das músicas que havia composto. Ao longo das décadas de 1980 e 1990, passou por um período difícil. "Fiquei meio entorpecido por drogas porque estava desapontado com a forma como as coisas estavam, frustrado, e desisti por um tempo", disse ao Union-Tribune em 2015.

Em 2012, venceu um processo e recuperou parte da propriedade intelectual do Village People; em 2015, reconquistou 50% dos direitos autorais de boa parte do repertório. No mesmo ano, lançou Solo Man (2015), álbum solo gravado originalmente em 1979. Em 2017, aos 65 anos, retornou ao Village People como vocalista, depois de finalmente assegurar sua parcela dos royalties.

Nos últimos anos, Willis se tornou uma figura polarizadora por sua associação com Donald Trump, que passou a usar "Y.M.C.A." como trilha de encerramento de seus comícios e foi filmado dançando ao som da música repetidamente. Willis recebeu milhares de reclamações de fãs e chegou a ameaçar pedir ao então presidente que parasse de usar a canção, mas depois voltou atrás. "Ele parece genuinamente gostar de 'Y.M.C.A.' e está se divertindo muito. Por isso, simplesmente não tive coragem de impedir o uso contínuo da minha música", disse.

Em janeiro de 2025, o grupo se apresentou em um comício pré-posse de Trump. Willis também rejeitou categoricamente a ideia de que "Y.M.C.A." seria um hino gay, afirmando que a compôs com base em suas experiências no Y.M.C.A. de Nova York — natação, basquete e quartos baratos para jovens recém-chegados à cidade. Em nota de homenagem, Trump chamou Willis de "um cara ótimo e feliz que adorava que eu usasse a música do grupo nas minhas manifestações".

Willis foi casado duas vezes. A primeira, em 1978, com a atriz Phylicia Rashad, conhecida pelo papel em The Cosby Show (1984), o casal se divorciou em 1982. Em 2007, casou-se com Karen Huff-Willis. Em sua última entrevista ao Union-Tribune, deixou registrado o que esperava como legado: "Espero ser lembrado como aquele cara que saiu da indústria musical, mas nunca desistiu, e voltou — voltou com sucesso — e fez algo para as pessoas sorrirem".

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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