Script = https://s1.trrsf.com/update-1781718913/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira celebra Cazuza em noite de encontros geracionais

Giovanna Machline, diretora da premiação, fala à Rolling Stone Brasil sobre conciliar estratégia, memória, celebração e futuro

9 jun 2026 - 08h39
Compartilhar
Exibir comentários

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro abre as portas no dia 10 de junho para a 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira. A noite será dedicada a Cazuza — cantor, compositor e poeta que morreu há 35 anos, mas cuja obra segue reaparecendo em vozes, gerações e linguagens diferentes. A escolha foi aprovada por unanimidade pelo conselho do prêmio, que reúne nomes como Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Karol Conká e Antônio Carlos Miguel.

Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira
Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira
Foto: Patrícia Devoraes / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @centralsonora.

Giovanna Machline, diretora do prêmio ao lado do pai, Zé Maurício Machline, refletiu, em entrevista à Rolling Stone Brasil, sobre como a premiação acompanha a evolução da música brasileira. "Eu costumo brincar que o prêmio também foi se modernizando junto com a forma de consumir música". Do vinil ao streaming, as categorias também mudaram: o axé ganhou uma categoria própria este ano (antes, aparecia misturado a outros gêneros) e o sertanejo deixou de estar em "canção popular" para ter uma divisão específica. "Isso é também uma radiografia que a gente foi fazendo ao longo dos anos", explica.

Com 18 categorias em 2026, as decisões sobre abrir ou encerrar categorias passam por um conselho que se reúne anualmente após o evento. "A gente chegou à decisão de manter o reggae quando viu que, nos últimos anos, aumentou o número de produtos categorizados dentro do reggae. A mesma coisa com o axé". Quando uma dessas categorias ganha força, o debate acontece coletivamente. "É uma decisão tomada em conjunto", diz a diretora.

A escolha de Cazuza como homenageado, porém, seguiu outro caminho. "Quando alguém falou o nome dele, todo mundo concordou. E assim ficou". E quando questionada sobre o motivo de homenageá-lo agora, 35 anos depois, Giovanna responde com outra pergunta:

"Por que não homenagear Cazuza?" E completa: "Na minha opinião, não existe um momento certo para homenagear um artista da importância dele. A obra segue muito atual".

Um artista que não cabe em categorias

O desafio agora é dar conta da diversidade de um artista que transita, ao mesmo tempo, por rock, MPB, balada, blues, confissão e comentário social. "A diversidade numa só noite é impossível", admite Giovanna. A solução vem em camadas: além da cerimônia no Theatro, o prêmio já realizou uma "noite dos indicados" em São Paulo, em que artistas jovens interpretaram Cazuza. Em seguida, haverá uma turnê por Brasília e Porto Alegre com um show dedicado à obra do homenageado, com quatro artistas mulheres. "Assim, a gente consegue mapear a obra dele de formas diferentes", explica.

Na cerimônia, o quebra-cabeça é montar um repertório de 9 a 10 músicas, com intérpretes que façam sentido para cada faixa. "A gente primeiro define a música e aí ouve, ouve, ouve, ouve e entende que sonoridade quer dar para essa música, para pensar quem vai interpretar". O pai de Giovanna, Maurício Machline, mergulha no repertório e constrói a experiência musical, enquanto ela trabalha cenário e roteiro (assinado por Zélia Duncan). "É sempre um desafio, porque, no prêmio, a gente tem 9 ou 10 músicas no máximo e dá vontade de fazer várias outras, que acabam ficando de fora. Então é um desafio delicioso esse quebra-cabeça".

Memória, celebração e futuro

Ao ser perguntada sobre o papel do prêmio em 2026, Giovanna sintetiza em três pontos: "É memória, é celebração e é olhar para o futuro. Uma identidade nossa é dar palco e celebrar a música brasileira". Isso significa colocar lado a lado Cazuza, que já não está vivo, e artistas jovens que estão começando ou ganhando projeção. "Se você olha o nosso painel de indicados, vê que, em muitas categorias, tem nomes consagrados junto de nomes que ainda estão emergindo para o grande público".

Sobre a saúde da música brasileira em 2026 — tema que desperta pessimismo em alguns — Giovanna é direta: "A gente entende aqui que a saúde da música brasileira está muito bem e muito bem representada pelos artistas que a fazem hoje". E mais:

"A nossa missão é olhar para o futuro, mapear o que está sendo feito de novo e reverenciar o que já foi feito".

A noite de Cazuza

O que torna Cazuza digno dessa homenagem agora, neste momento específico, não é nostalgia. "O que ele faz ainda comunica com muitas gerações, não só com a geração contemporânea dele ou com quem viveu a obra enquanto ele era vivo." Prova disso é a recente circulação de sua obra: exposição imersiva em 2024, relançamentos, novas gravações por artistas de diferentes gerações. "

O que prova como o que ele diz ainda é contemporâneo é o fato de que as novas gerações continuam consumindo a obra do Cazuza e se identificando com ela."

No dia 10 de junho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, essa conversa entre tempos acontece no palco. Seu Jorge, Ney Matogrosso, Chico Chico, Ludmilla, Lazzo Matumbi, BNegão, Luedji Luna, Maneva, Marina Sena, Zizi Possi, Luísa Sonza e Simone subirão para reinterpretar Cazuza em apresentações criadas especialmente para a cerimônia. Alguns já visitaram a obra do homenageado em março, durante o anúncio dos indicados em São Paulo: Ney Matogrosso, Bruna Alimonda, Núbia, Joyce Alane, Yago Oproprio, Almério e Zé Ibarra.

Apresentada por Débora Bloch e Alice Wegmann, com direção geral de Giovanna Machline e Zé Maurício Machline, direção musical de Pretinho da Serrinha e cenografia de Nídia Aranha e Luisa Annik, a cerimônia também revelará os vencedores das 18 categorias do prêmio.

Quando perguntada o que espera da noite, Giovanna responde com simplicidade: "Vai ser uma noite muito emocionante; vamos falar sobre amizade e sobre a diversidade da música brasileira." E é exatamente disso que se trata — reunir gerações, vozes e sonoridades diferentes em torno de um artista que, mesmo 35 anos depois, continua tendo coisas a dizer.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra