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Paul McCartney: 'Eu amava o John Lennon, amo até hoje e sempre amarei'

Após a exibição de 'Man on the Run', dirigido por Morgan Neville, McCartney conversou com o ator Judd Apatow sobre sua carreira após os Beatles; confira cinco revelações da entrevista

30 set 2026 - 11h26
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Resumo
Na estreia do documentário "Paul McCartney: Man on the Run", Paul McCartney revisitou o conturbado período pós-Beatles e a fundação do Wings. O músico revelou que sempre amará John Lennon, compreendendo as angústias do ex-parceiro, e relembrou os conflitos financeiros com o empresário Allen Klein que aceleraram o fim da banda. Paul também detalhou a pressão artística no início da carreira solo e o impacto emocional da separação do grupo, que o levou a enfrentar problemas com a bebida na época.

Paul McCartney: Man on the Run, documentário dirigido pelo vencedor do Oscar Morgan Neville (A Um Passo do Estrelato) sobre a trajetória de McCartney após o fim dos Beatles, foi exibido no Teatro Ted Mann do Museu da Academia, em Los Angeles, nesta segunda, 28. Após a exibição, o músico conversou com Neville e com o ator Judd Apatow (Bem-Vindo aos 40) sobre sua carreira e vida pessoal.

Paul McCartney e John Lennon, dos Beatles, em 1964
Paul McCartney e John Lennon, dos Beatles, em 1964
Foto: David Redfern / Redferns / Rolling Stone Brasil

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O filme acompanha o período entre o fim dos Beatles, em 1969, passando pela fundação da banda Wings em 1971 —formada por McCartney ao lado de sua esposa, Linda McCartney, e os músicos Denny Laine, Denny Seiwell e Henry McCullough — até o seu fim, em 1981, pouco após o assassinato de John Lennon. Confira, a seguir, cinco revelações da entrevista.

Relação de McCartney com John Lennon

Paul começou sua carreira em Liverpool, juntando-se a Lennon na banda precursora dos Beatles, os Quarrymen, em 1957, com apenas 15 anos de idade. Questionado sobre a relação com o falecido colega de banda, McCartney afirmou que, apesar de todos os conflitos que viveram, "sempre amará" Lennon.

"Não importava — e de fato não importava — o que ele dizia ou fazia, porque eu o conhecia desde os 15 anos; ele era aquele cara meio doido que eu conhecia, e eu realmente o admirava", afirmou.

Sabe, quando você tem, tipo, uns 13 anos e meio ou algo assim... ou quando eu era um pouco mais velho, tinha 15, e ele devia ter uns 16 e meio... quando existe aquele tipo de cara que é meio cruel, espirituoso e muito esperto, você o admira e pensa: 'Nossa, ele é muito legal', sabe? Então, eu sempre achei o John muito legal, e ainda acho.

O cantor admite que Lennon "conseguia ser um completo idiota em certas coisas", mas afirma que há motivos para isso: "Muitas coisas ruins aconteceram com ele. O pai dele fugiu de casa quando ele tinha uns 3 anos, então ele nunca conheceu o pai até ficarmos famosos e o pai voltar e trabalhar no bar perto de onde o John morava", revelou.

"E a mãe do John, que ele idolatrava e eu também, era uma mulher linda chamada Julia. E ele escreveu uma música chamada 'Julia', uma música fantástica. Ela era ótima. [...] E ela foi atropelada e morta na frente de casa", continuou. "Então ele teve que lidar com tudo isso, sabe, e por isso ele tinha muita angústia".

O fim dos Beatles: conflitos com Allen Klein

Um dos motivos que levou ao fim dos Beatles foi a contratação do empresário Allen Klein, que assumiu o controle dos negócios da banda em 1969 após a morte de Brian Epstein. "[Ele] basicamente estava roubando dos Beatles, e eu era o único que pensava isso. Os outros caras pensavam: 'Não, nós o adoramos'", relembrou McCartney.

Apatow questionou por que os demais integrantes gostavam do empresário. "Porque você estava numa reunião com ele e ele perguntava: 'O que vocês querem?' O cara de Nova York. E todos nós respondíamos: 'Não sei.' 'O que você quer, um milhão de dólares?' 'Ah, sim.' 'Ok, pode deixar'", respondeu o músico, com sarcasmo.

John Lennon contratou Klein contra a vontade de McCartney, e Harrison e Starr seguiram a ideia. Segundo relatos, Klein chegou a incitar os outros integrantes a se virarem contra Paul, sugerindo que ele tentava controlar o grupo.

O músico entrou em detalhes sobre os conflitos. "Ele prometeu o mundo e não cumpriu. Mas, enquanto isso, eu percebia que ele era um vigarista. Só que era eu contra os outros caras, e isso era o pior, sabe?", confessou.

Quer dizer, eu já tinha me desentendido com os caras que faziam música, mas tudo bem, porque eu podia dizer: 'Sabe de uma coisa? Eu acho que isso está certo', e eles concordavam ou não, e eu seguia a versão deles, mas era relativamente fácil de resolver. Mas, de repente… todo o dinheiro que tínhamos ganho ia para a conta bancária desse cara. E eu simplesmente tive que lutar contra isso, sabe?

McCartney processou os outros integrantes dos Beatles em 1970 para dissolver legalmente a parceria da banda e se proteger da gestão financeira de Klein. "O mundo vai se voltar contra mim, em primeiro lugar, e eu vou me voltar contra mim mesmo, e não é uma boa ideia. (Mas) no final, esse era o único jeito, então eu tive que fazer isso", relembra o músico.

O início (confuso) da carreira solo

Paul começou sua carreira solo e a parceria musical com Linda logo após o fim dos Beatles. No primeiro álbum da dupla, McCartney, lançado em abril de 1970, Paul compôs todas as canções e tocou absolutamente todos os instrumentos sozinho em casa, com o apoio de Linda nos vocais.

Sobre o início de sua carreira solo, ele disse: "Acho que ficar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo. Mas aí eu tive que descobrir como faria isso e tornar diferente. Esse era o truque. Porque eu pensei: 'Bem, eu poderia simplesmente escrever algumas músicas mais no estilo dos Beatles e chamar pessoas para imitá-las. Seríamos como uma banda cover dos Beatles.'... Mas tocar músicas dos Beatles, eu não faria isso".

Ele relembra a pressão dos produtores: "Os produtores diziam: 'E você vai tocar músicas dos Beatles?' E eu respondia: 'Não, não vou.' Eles diziam: 'Então toque 'Yesterday'.' Eu dizia: 'Não, não vou fazer isso.' 'Então o que vocês vão fazer?' E esse era o meu dilema".

O Wings foi formado em agosto de 1971 após o lançamento dos álbuns McCartney (1970) e Ram (1971).

Desafios de saúde mental

McCartney relembrou a década pós-Beatles como um momento muito difícil de sua vida. "Era tipo, o que você faz depois dos Beatles? Sabe, os Beatles se separam, esse era o seu único trabalho na vida, e de repente você não tem mais. É como se você tivesse sido demitido. Então, era isso que o Wings estava tentando descobrir. E, como vocês podem ver no filme que fizemos, bem, é meio maluco."

Apatow descreve Man on the Run como "um filme sobre um leve colapso nervoso". Questionado sobre os desafios de saúde mental que enfrentou na época, McCartney afirmou: "É, é muito difícil. Tenho certeza de que qualquer um de vocês pode imaginar. Você tem um ótimo emprego, tudo está indo muito bem, e de repente você não tem mais esse ótimo emprego e as coisas não vão tão bem".

Segundo o cantor, ele também enfrentou problemas quando à sobriedade.

Quer dizer, eu comecei a beber. Eu estava na Escócia sozinho, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais, então eu pensei: 'Eba, vamos lá. Vamos nessa.' E foi muito divertido até deixar de ser, sabe… Eu tive filhos, e isso me fez mudar de ideia.

"Primeira treta pública musical"

McCartney e Lennon trocaram farpas públicas (e musicais) no início de suas carreiras solo. Questionado sobre por que isso aconteceu, o músico respondeu: "Bem, não sei. Acho que talvez ele esperasse mais de mim. Esperava algo diferente, e eu não estava fazendo isso. Eu só fazia coisas 'malucas'", afirmou, referindo-se às músicas do Wings — que tiveram momentos mais experimentais, especialmente no início da banda.

McCartney afirmou que "não sabia" o que realmente motivava as críticas de Lennon, mas a situação melhorou ao longo da década. O cantor chegou a elogiar músicas como "Coming Up" pouco antes de sua morte, em 1980.

"Vocês protagonizaram a primeira treta pública musical!", brincou Apatow. "Vocês não recebem o devido reconhecimento por terem sido os primeiros artistas a se atacarem em canções. E vocês começaram tudo."

Para saber mais sobre o período conturbado, assista ao documentário Paul McCartney: Man on the Run no Prime Video. "Eu realmente adorei", disse McCartney a Neville. "Você fez um ótimo filme."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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