Patrícia Salmeron: a empresária por trás do Território da Música que movimenta o mercado local com inovação e inclusão no Music Business
Conheça Pathy Salmeron e o Território da Música, um hub criativo que abre espaço para diversas frentes do mercado O post Patrícia Salmeron: a empresária por trás do Território da Música que movimenta o mercado local com inovação e inclusão no Music Business apareceu primeiro em TMDQA!.
Em São Paulo, o Território da Música se ergue não apenas como um ponto de encontro, mas como um ecossistema musical completo, com a energia de sua CEO, Patrícia Salmeron.
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Em um bate-papo revelador, Patrícia desdobrou a trajetória, a filosofia e os projetos que tornam seu espaço um modelo de inovação, acolhimento e impacto social. Mais do que uma empresária, Patrícia se revela uma visionária que alimenta a arte, o empreendedorismo e a inclusão em uma melodia harmoniosa e, acima de tudo, inspiradora.
Uma trajetória multifacetada: da Justiça à gastronomia e ao palco
A jornada de Pathy, como é chamada carinhosamente, até o Território da Música é tão rica e variada quanto os sons que ecoam em seu espaço. Ela iniciou sua carreira na área jurídica, atuando por sete anos no Tribunal de Justiça. Uma fase de sua vida que descreve como "super séria, super rígida". Depois, aventurou-se na área de eventos e, sobre essa época, ela comenta:
"Eu trabalhei muito com eventos porque eu gosto de pessoas, eu gosto de lidar com pessoas, de conversar com as pessoas, e de entender suas histórias. Tudo que está ligado a pessoas, de uma forma geral, eu gosto muito. Por isso, eu conciliava o Tribunal com participar de eventos, organizar eventos. Tudo que era evento, podia me chamar que eu estava lá."
Depois de algumas mudanças em sua vida, Pathy abriu um restaurante em Pinheiros colocando em prática toda a expertise de Gastronomia que adquiriu durante os anos em um empreendimento familiar.
Durante a pandemia, após o fechamento do restaurante, surgiu a oportunidade de trabalhar no Music Business, abrindo uma escola de música. Sua experiência com teatro musical - Patrícia atua e canta na companhia de Oswaldo Montenegro - a conectou ainda mais profundamente com a arte.
O palco, seja como atriz em uma comédia de super-heróis ou como cantora, a ensinou a "entrar no personagem", uma habilidade que ela aplica na gestão de seu negócio ao lidar com diferentes pessoas e desafios.
Ela até se considera uma pessoa tímida, mas encontra no personagem a liberdade para se expressar e fazer suas performances. Essa vivência artística lhe proporciona uma compreensão ímpar das necessidades e sensibilidades dos músicos e artistas que frequentam seu hub - que hoje, além de escola de música, se tornou um hub de criatividade conectando diversos artistas e pessoas do mercado.
Território da Música: de escola a hub cultural e social
O Território da Música, que recentemente celebrou seu quinto aniversário, transcende a concepção inicial de uma simples escola.
Patrícia conta que, ao iniciar, a ideia era "uma escola de música" que abordasse "prática, teórica e estudos de mercado", uma visão que já a diferenciava. Ela percebeu que muitas escolas focam apenas na prática, mas seu método se aprofunda ainda mais ao "ler o aluno", ou seja, compreende suas necessidades, objetivos, limitações e tempo de aprendizado.
"O ler o aluno é entender sua necessidade e também respeitar seus limites. Então, a gente tem o nosso material didático, tem nosso formato de aula, mas a gente respeita o seu tempo de aprendizado."
Essa metodologia personalizada, com aulas individuais para a maioria dos instrumentos e voz, garante que cada jornada musical seja única e eficaz.
O ambiente evoluiu rapidamente. O que começou como uma escola se tornou um "hub musical", um espaço multifacetado que abrange aulas, um pub, uma produtora, uma gravadora, estúdios de ensaio e até teatro musical.
É um verdadeiro "pouquinho de tudo que envolve a música e a arte", como ela mesma descreve. Essa expansão orgânica foi impulsionada pelas necessidades que surgiam, adaptando-se e crescendo para se tornar um porto seguro para músicos de todos os níveis.
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O palco como sala de aula: a essência do pub do Território
Uma das ideias mais inovadoras do Território da Música foi a criação de um pub anexo, um espaço para performance ao vivo. A iniciativa nasceu da observação de Patrícia sobre a dificuldade de alunos e músicos iniciantes em conquistar experiência de palco, como ela explica:
"Para um aluno, um músico que ainda não é profissional, e até para os profissionais iniciantes, é muito difícil conseguir uma experiência de palco. Por isso resolvi criar o Pub Brittania, um espaço onde eles pudessem se apresentar e ter essa experiência."
O pub não é apenas um local de entretenimento, mas uma extensão da sala de aula, onde os alunos podem se apresentar para um público real, incluindo familiares, amigos e clientes habituais. Após as performances, feedbacks construtivos são oferecidos, ajudando os artistas a aprimorar suas habilidades e a superar o medo do palco.
A mensagem é clara:
"Se você errar, está tudo bem. Grandes músicos erram ao vivo, gente. Ninguém é perfeito."
Além disso, o pub se transformou em um "ponto de encontro" para a comunidade musical. Artistas renomados e amadores convivem em um ambiente de respeito, onde a equipe garante que a privacidade dos mais famosos seja mantida, permitindo que se sintam à vontade.
É um "lugar seguro", onde a humanidade do artista é priorizada, sem a loucura habitual dos fãs, mas com a possibilidade de interações genuínas e respeitosas.
Sinergia e colaboração resulta em parcerias
Pathy é uma firme defensora da colaboração. Sua visão de negócio se baseia em um princípio de ajuda mútua e sinergia, que se reflete nas diversas parcerias que o Território da Música estabelece.
Um exemplo marcante é a parceria com a Michael, uma fabricante nacional de instrumentos. O Território se tornou uma espécie de "showroom" da marca, com todas as salas equipadas com instrumentos, oferecendo um espaço para teste de novos modelos e visibilidade para a empresa.
"A gente montou uma sala que a gente chamou de Showroom da Michael. Pra quê? Pros músicos, principalmente bateristas, que teriam endorsement da marca, viessem testar o instrumento."
Essa mentalidade se estende aos músicos que frequentam o espaço. Pathy menciona o baterista Ale Magno, da banda Pense, e Thales Stipp, do Di Ferrero, que são membros de sua equipe e figuras constantes no Território. Ela oferece salas vazias para esses artistas usarem em troca da visibilidade que eles trazem, criando um ciclo virtuoso de apoio.
O Território também é parceiro da TV Braba, canal dedicado a bateristas, sendo o local das gravações. Diversos artistas nacionais e internacionais já passaram pelo canal dando entrevistas.
"Se a gente que é do meio não se ajudar, quem vai?", ela questiona. Essa visão não teme a concorrência; pelo contrário, Pathy acredita que a imitação é um sinal de que estão no caminho certo. "Se estão me copiando é porque eu tô no caminho certo", ela afirma, com uma perspectiva sempre positiva.
Território Social: desmistificando a deficiência através da música
Talvez o projeto mais comovente e transformador do Território da Música seja o "Território Social", uma iniciativa dedicada ao ensino de música para pessoas com deficiência.
O projeto nasceu de uma busca pessoal de Pathy por formas de retribuir à sociedade após se sentir "muito privilegiada". Inicialmente, a ideia de um orfanato para maiores de 18 anos não se concretizou, mas a entrada de um aluno com autismo na escola acendeu a chama para o projeto social. Ela compartilha:
"Um dia, veio uma mãe fazer uma matrícula para ter aula aqui. Aí ela falou assim, 'Ó, mas meu filho tem autismo…' E a gente falou, 'Tudo bem. Se ele se adaptar e se a gente conseguir, tá tudo bem.' E aí começou, gente, por que não?"
Pathy percebeu a escassez de recursos acessíveis para pessoas com deficiência, especialmente na área musical. O Território Social vai além da musicoterapia - que é o uso da música como ferramenta terapêutica - focando no ensino genuíno de música, provando a capacidade desses indivíduos.
A filosofia central do projeto é a inclusão plena, sem rótulos ou segregação. O nome Território Social foi escolhido para não diferenciar os alunos, reforçando a ideia de que o Território da Música é um ponto de encontro para todos.
"Eu falei: 'Se eu criar um nome específico só pros alunos do projeto, eu estou rotulando. Se eu estou rotulando, eu tô sendo preconceituosa, porque eu tô segregando, eu não tô incluindo.'"
A metodologia é adaptada a cada aluno, respeitando suas individualidades e limitações, exatamente como é feito com todos os outros alunos. Histórias como a de Rick, um aluno com TDAH, paralisia e baixa visão que toca bateria e trabalha no Território, ilustram o poder transformador do projeto.
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A cultura do acolhimento
O Território da Música é mais do que um conjunto de salas e estúdios; é um espaço de acolhimento. Pathy descreve um ambiente onde todos, desde a equipe até os alunos e clientes, se sentem em casa, como amigos. Essa cultura é cultivada ativamente e se manifesta no dia a dia do local.
A "vibe" descontraída, as brincadeiras entre equipe e alunos, e o respeito mútuo criam uma atmosfera única. É um local onde a criatividade flui livremente, e o bem-estar das pessoas é priorizado. Músicos renomados buscam o Território por ser um "lugar seguro", onde podem ser tratados como pessoas normais, longe da pressão da fama. Para Pathy, proporcionar esse "momentinho" de esquecer os problemas externos é uma das maiores realizações.
Futuro em Ascensão: novos horizontes inclusivos
Olhando para o futuro, Pathy Salmeron e o Território da Música não param de inovar. Com a estabilização no mercado da música, o foco agora é a "cabeça criativa, criando sempre novos projetos" e fortalecendo "novas visões de negócio".
Já estão planejando uma série de eventos para o ano, incluindo workshops com artistas e eventos "Experience", onde músicos profissionais tocam com alunos e pessoas com deficiência. Um festival de alunos, concebido para ser uma celebração e não uma apresentação formal, também está nos planos.
O compromisso com a inclusão continua sendo uma prioridade. Pathy planeja integrar os alunos do projeto social nos eventos, criando um ambiente seguro e alegre para eles, pois muitas famílias hesitam em levá-los a eventos externos.
"A grande maioria que eu tive de feedback, não vão pro carnaval ou outras festividades porque as famílias acreditam que não é seguro para eles. Então aqui eu sei que vai ser um ambiente seguro para eles."
Pathy Salmeron é um exemplo de como a paixão pela arte, combinada com uma visão empreendedora e um profundo senso de responsabilidade social, pode criar um impacto duradouro. O Território da Música, sob sua liderança, é a prova de que o Music Business pode ser não apenas lucrativo, mas também um catalisador de transformação e inclusão, criando oportunidade para todos.
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