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Os críticos se foram, Paula Toller ficou

Ao voltar com o show 'Como eu Quero' a São Paulo, única mulher no País a emplacar na sequência 18 hits que ela também escreveu mostra, em apresentação de violões no lugar de guitarras, uma audácia que a crítica não viu

6 dez 2019
19h02
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Paula Toller tinha 5 anos quando desapareceu em um baile de carnaval. A família saiu logo em sua busca, vasculhando os cantos do salão, e só a encontrou em cima do palco, ao lado do conjunto, como uma autêntica bandleader dos alalaôs. Se tem hoje 57 anos, isso foi há 52, quando ninguém imaginava que aquela cena seria mais do que um traço de travessura.

Mesmo longe da mãe, que a deixou cedo, Paula cresceu entre mulheres de pouca genética para submissão e muito tutano para vanguardismos. Quando chegou sua vez à frente de uma banda de rock em um universo sem concessões às mulheres, oriundo do punk e que já não tinha Rita Lee como exemplar desde que ela havia deixado a estrada de terra do Tutti Frutti para se deleitar nos lençóis de seda de Roberto de Carvalho, não foi diferente. O Kid Abelha tinha não só uma líder, mas uma cantora que compunha. E isso incomodava muita gente.

É preciso pedir desculpas a Paula Toller pelo patrulhamento muitas vezes descabido naqueles anos, e a apresentação que ela faz neste sábado, 7, no Tom Brasil, é inspirador para isso. Sua voz foi vigiada por uma crítica que misturava rock com MPB sem levar em conta que os atributos em um mundo poderiam não significar nada em outro. Em um país com uma tradição vocal feminina das mais pesadas, onde o emprego de cantora é o mais vigiado depois dos EUA pelas exigências naturais de uma terra já pisada por Elizeth Cardoso, Angela Maria, Elis, Gal, Simone, Bethânia e Alcione, uma cantora de rock pop surgia com delicadeza, afinação e liderança. E o que nenhuma havia feito desde Chiquinha Gonzaga, desconsiderando Rita: emplacando 18 hits na sequência que ela mesma havia ajudado a compor.

O show de Paula coloca a voz na frente de tudo, em um anti movimento ao próprio Kid Abelha, quando o congestionamento de sons nas pistas era uma marca. São obviamente outros tempos, longe dos teclados de synth-pop e new wave que fizeram todos os verões do Kid Abelha. Com violões no lugar das guitarras, e com Liminha em um deles, a turnê retorna a São Paulo vista por mais de 100 mil no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte e no Recife. Além de tudo o que se imagina que ela vai cantar (Grand Hotel, Amanhã é 23, Fixação, Como Eu Quero) vem também a balada nova Essa Noite Sem Fim, leve e naturalista em sua letra e na música de Liminha; Céu Azul, do Charlie Brown Jr; e Ando Meio Desligado, dos Mutantes. "Já virei a página com relação à crítica da época", ela diz. "Até Nara Leão sofreu com isso."

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Estadão
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