Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

O renascimento de Jay-Z chegou ao TikTok

Após três shows de aniversário no Yankee Stadium, Jay-Z encontrou um novo público online. A evidência mais clara vem de um single de 13 anos que jovens ouvintes transformaram em um sucesso improvável

19 ago 2026 - 17h31
(atualizado às 17h37)
Compartilhar
Exibir comentários

O criador de conteúdo de 23 anos Raud, que talvez seja lembrado por ter sido responsável por um dos primeiros earworms virais deste ano, pode ter esbarrado no espírito do tempo mais uma vez. No começo deste ano, seu single do GE3Z "Over" produziu o refrão viral "I think I'm Clover now". Agora, depois de gastar uma boa grana em um terno Tom Ford para o Streamer Prom (o compromisso crescente do universo das lives de recriar marcos do ensino médio merece uma investigação à parte), Raud passou a abrir suas transmissões com uma dança absurdista ao som de Jay-Z e sua faixa de 2013 sobre a marca de moda masculina. O movimento, tirado diretamente de um desenho da Disney ou algo assim, consegue dar à música uma leveza brincalhona que ela precisava muito.

Jay
Jay
Foto: Z ( Dan Mullan/Getty Images) / Rolling Stone Brasil

🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @terrasonora

A canção, do álbum Magna Carta Holy Grail (2013) de Jay-Z — que alguns leitores octogenários talvez se lembrem de ter chegado três dias antes por meio de um app para o primeiro milhão de donos de Samsung Galaxy — já vinha começando a entrar na consciência da geração mais jovem. Em 18 de julho, um post do usuário Bosshood com a faixa e uma dança igualmente extravagante acumulou mais de 471 mil curtidas. O instrumental borbulhante da música se mostrou irresistível para jovens criadores já inundados de conteúdo do Jay-Z neste verão.

A versão de Raud se mostrou especialmente contagiante. Quatro posts recentes em que ele usa a música já somaram mais de 550 mil curtidas. O maior tem mais de 250 mil curtidas, 12 mil salvamentos e 16 mil compartilhamentos. O som principal do TikTok já apareceu em mais de 10 mil vídeos, e os comentários já começaram a chamar a faixa de "música tema" dele. Lá em 2013, quando foi lançada, "Tom Ford" chegou ao 39º lugar na Hot 100. Neste mês, a música ultrapassou 100 milhões de streams no Spotify.

@raudspam ⛹🏿‍♂️⛹🏿‍♂️⛹🏿‍♂️ #raud #gzf #fypシ #tomford ♬ Tom Ford - JAY-Z

Tudo isso acontece enquanto as celebrações de aniversário de Jay-Z para Reasonable Doubt (1996) e The Blueprint (2001) colocaram o legado do rapper no centro da cultura. Depois de três shows no Yankee Stadium, durante os quais ele levou ao palco todo mundo, de Rihanna a Beyoncé, os streams de Reasonable Doubt saltaram 94% e passaram de 2 milhões em quatro dias. The Blueprint subiu 118% e passou de 2,4 milhões. A audiência de Jay-Z no Spotify também cresceu de 46 milhões de ouvintes mensais no fim de junho para mais de 48 milhões hoje.

A própria música ajuda a explicar por que este single do Jay-Z virou um material tão fértil. Volte e ouça a batida de "Tom Ford". Produzida por Timbaland e Jerome "J-Roc" Harmon, ela soa meio ridícula — no melhor sentido. Parece que Jay-Z trancou Timbaland no estúdio e exigiu algo que soasse futurista. E, bem, ele conseguiu. Os 808s saltitantes vão e voltam, como se fossem uma banda marcial aquática abrindo caminho para um time campeão das profundezas.

A produção combina com o maximalismo sonoro da época. Era o auge dos anos 2010, quando a extravagância do EDM tomou conta do pop, e parecia que toda música grande de rap precisava de graves suficientes para fazer tremer o porta-malas de um sedã de preço mediano. Jay-Z também estava reagindo a um mundo do rap que ele via como infantil demais — daí a ênfase no designer conhecido por seus ternos. Ford já tinha dirigido o excelente Direito de Amar (2009) e depois faria Animais Noturnos (2016). Ele representava a combinação de luxo, seriedade e legitimidade cultural que Jay-Z queria projetar. "I don't pop molly, I rock Tom Ford", Jay-Z rima, com a maior cara de pau.

Ali estava Jay-Z, traçando uma linha entre as cada vez mais populares "raps de molly" dos anos 2010 e sua própria queda por roupas de luxo. Jovens ouvintes hoje encontram "Tom Ford" sem nada desse contexto. Então, mesmo que Jay-Z passe a música inteira separando a própria sofisticação do comportamento infantil do resto do rap, 13 anos depois, a garotada transformou esse flex de luxo em uma dancinha boba. Ainda bem: o legado de Jay-Z aguenta a piada — e esse é o verdadeiro teste do tempo.

📊 Fofoca Awards: vote nos seus favoritos
Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra