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O choque de Elton John ao ver o estado real de Elvis Presley em show

Para o Rocket Man, conhecer o Rei do Rock parecendo um "cadáver" o despertou para as mazelas do vício

3 jul 2026 - 16h31
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Ainda na primeira infância, um Elton John menino foi até o barbeiro do bairro. Dentre as várias revistas com imagens para refêrencia de cortes de cabelo, o garoto ficou impressionado com a foto de um astro em ascensão: "Li um artigo sobre um homem que parecia um alienígena, mas era tão bonito - eu nunca tinha visto nada igual!". Dez dias depois, John reencontrou o artista estampado na edição da Life: "Minha mãe sempre comprava um disco toda sexta-feira. Ela chegou em casa com o compacto de 78 rotações do Elvis Presley e disse: 'Ouvi isso na loja de discos e nunca ouvi nada parecido!' Ela tocou para mim e eu também nunca tinha ouvido nada igual", relembrou o cantor em entrevista ao The Guardian. Percebeu pela capa de LP que a foto que o impressionou era de Presley, seu mais novo ídolo.

Elton John (esquerda) e Elvis Presley (direita) na década de 70 (Fotos: Michael Putland e Tom Wargacki/WireImage)
Elton John (esquerda) e Elvis Presley (direita) na década de 70 (Fotos: Michael Putland e Tom Wargacki/WireImage)
Foto: Rolling Stone Brasil

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A paixão pelo Rei do Rock acompanhou o dono de hits como "Rocket Man" e "Goodbye Yellow Brick Road" pelo resto da vida. "Heartbreak Hotel", faixa-título do álbm de 1956 de Presley, mudou o rumo da vida de John. O cantor revelou no livro Elvis Presley: The Man. The Life. The Legend que a primeimeira vez que ouviu a canção foi de "sentir um arrepio na espinha", e entendeu que a carreira musical era para ele. Entretanto, quando conhecesse o cantor favorito pela primeira vez, duas décadas depois, iria perceber que Presley não era um bom exemplo a ser seguido.

As estrelas se conheceram nos bastidores de um show, após uma apresentação de Presley descrita como "lamentável". Na época do encontro de 1976, John estava no auge da fama. O astro tinha acabado de lançar o sucesso atemporal "Don't Go Breaking My Heart" (com Kiki Dee), que se tornou seu primeiro single a alcançar o 1º lugar no Reino Unido. No mesmo ano, o britânico lançou o seu segundo álbum duplo, Blue Moves, e atraiu a atenção da mídia ao assumir-se bissexual em entrevista à Rolling Stone.

Presley, em contrapartida, já era um artista em decadência. Mesmo com uma agenda lotada, a capacidade física e saúde do cantor decaíam rapidamente. Em 1976, em meio às 11 extensas turnês pelos Estados Unidos, além de residências em Las Vegas e Lake Tahoe e show especial de Ano Novo em Pittsburgh, Presley ganhava cada vez mais peso e se afundava em uma grave dependência de medicamentos prescritos.

Na ocasião do encontro,  John e seu parceiro de composição, Bernie Taupin, assistiram a um show de Presley. Embora inicialmente entusiasmados por estarem lá, eles acharam o espetáculo decepcionante. "Fomos vê-lo fazer um show, mas foi absolutamente lamentável", disse Taupin no livro Sir Elton, de Philip Norman (via Cheat Sheet). "Ele estava tão drogado que mal conseguia cantar — ficou parado lá, distribuindo lenços." Pessoalmente, o susto foi ainda maior: "Então nos levaram aos bastidores para vê-lo. Havia um camarim cheio de membros da Máfia de Memphis, com Elvis no meio deles, sentado em um banquinho, enrolado em toalhas. Ele estava com uma aparência terrível, suando, com a tinta do cabelo escorrendo pelo rosto", lembrou Taupin. "E todos aqueles caras de terno ao redor dele, meio que em um grupo. Acho que ele nem sabia quem éramos. Quando nos afastamos depois, Elton disse: 'Ele não vai durar muito neste mundo'."

Para John, um dos pontos mais chocantes foi a falta de apoio enfrentada por seu ídolo. "Havia dezenas de pessoas ao seu redor, supostamente cuidando dele, mas ele já parecia um cadáver", disse ele, segundo o livro Careless Love: The Unmaking of Elvis Presley, de Peter Guralnick. Na época, o artista ficou extremamente preocupado em ter o mesmo fim trágico de Presley. "Eu gostava de passear por Nova York, mas não consigo mais", disse ele, acrescentando: "Não consigo sair do hotel sem que alguém cause alvoroço e, por mais que eu tente, não consigo me disfarçar. Não consigo viver minha vida numa concha, como Elvis Presley ou qualquer outro", explicou.

Além o peso da fama e das comitivas de acessores despreocupados com a pessoa por trás da personalidade, John temeu um fim similar em relação aos vícios. Enquanto Presley lutava contra anfetaminas, opiáceos, sedativos e calmantes, John enfrentou o vício em cocaína e álcool, além de um quadro de compulsão alimentar, durante a maior parte da vida. "Foi muito ruim, porque ele havia se transformado nesse homem grande e sem olhos. Eles tinham afundado para trás da cabeça dele, era patético", relembrou o Rocketman em conversa com Oprah Winfrey, em 1997.

Seu uso de drogas começou apenas dois anos antes do encontro, e na época John previu que Presley morreria no próximo ano. Na biografia Captain Fantastic, lançada em 2018, o astro do pop também contou ao escritor Tom Doyle sobre a ocasião, e descreveu o encontro como decepcionante. Ao biógrafo, ele explicou: "[Elvis] era alguém que estava encoberto por uma neblina de drogas, entregando cachecóis de náilon para fãs e, ainda assim, era de certa forma mágico". Presley de fato faleceu em 1977, e John, felizmente, conseguiu atingir a sóbriedade e está livre das substâncias desde 1990, após buscar tratamento no Hospital Geral Luterano de Chicago e ingressar nos Alcoólicos Anônimos.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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