O 20º álbum do Weezer é bom demais
Com um clima mais solto e músicas de primeira, é difícil imaginar um disco melhor desta banda — tão avançada na carreira — do que o The Gold Album
Em seu 20º LP, "The Gold Album", o Weezer retoma com louvor a sonoridade clássica de seus primeiros trabalhos nos anos 1990. Produzido por Kenny Beats, o disco aposta em uma estética garage rock crua e pesada, unindo refrãos grudentos a reflexões irônicas sobre a meia-idade e a própria indústria musical. Equilibrando nostalgia, autocrítica e riffs poderosos, Rivers Cuomo e banda entregam um trabalho visceral e caloroso, provando a vitalidade de sua essência mesmo após três décadas de estrada.
Weezer sempre teve uma queda por discos-conceito — seja imaginando "os Beach Boys do mal" (o Pacific Daydream de 2017), fazendo um set de clássicos do rádio (o The Teal Album de 2019), se reconectando com o lado quase sensível (o OK Human de 2021) ou prestando tributo aos gigantes do metal oitentista (o Van Weezer do mesmo ano). Para seu 20º LP, tecnicamente autointitulado, mas também conhecido como The Gold Album, o conceito é ao mesmo tempo altamente irônico e gloriosamente direto ao ponto: um disco do Weezer que soa como um disco clássico do Weezer. "Tem algo de especial no seu som dos primeiros tempos", entoa Rivers Cuomo — simultaneamente brincando e abrindo o coração — na abertura de "C.E.O.", um hino de destaque que parece claramente em dívida com o clássico de 1994 "Undone (The Sweater Song)". O sentimento prepara o terreno para um disco que muitas vezes sugere o que poderia ter acontecido se a banda tivesse lançado um álbum de transição em 1995, entre o seu estouro alternativo de 1994, The Blue Album, e a obra-prima emo-adjacente de 1996, Pinkerton. O Gold do Weezer é, de fato, ouro do Weezer.
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A banda descreveu o processo orgânico por trás do álbum como "menos conversa, mais rock." Dá para ouvir a distância impassível que muitas vezes define a música deles se desfazendo na faixa de abertura, "Say Yes", que compartilha o título com uma canção de 1997 do ícone indie-folk Elliott Smith. Cuomo começa num mal-estar de autodesconfiança cínica. "Todo mundo aqui vai me fazer sentir tanto medo/Então eu só penso em como meu traseiro tá sendo pago", enquanto o resto da banda sublinha a insegurança com um avanço ameaçador e meio blasé. Mas a música decola num refrão tão grudento quanto velhos clássicos do Weezer como "Buddy Holly" ou "The Good Life", com uma letra que transforma o ritual de lançar mais um hit automático de alt-rock numa afirmação de alegria.
Essa sensação de liberdade está por todo o The Gold Album. Trabalhando com o produtor Kenny Beats (nos créditos, Rico Nasty, Vince Staples e o Getting Killed do Geese), a banda soa mais garage-rock do que o usual, muitas vezes ancorando as músicas em guitarras grossas e de graves pesados — mais desert rock do que power pop. Assim, quando eles mudam de um riff rosnado para um refrão dourado em "Don't Make It Weird" ou "Shine Again", o impacto visceral bate mais fundo do que num disco comum do Weezer. Na sentimental "We Might as Well Be Strangers", as guitarras queimam e uivam enquanto Cuomo rima "debating Nietzsche" com "how much I need ya" e solta o grito ao lado da excelente vocalista Karly Hartzman, do Wednesday — uma entre a "bajilionésima" banda que cresceu à sombra longa do Weezer.
Cuomo passa boa parte do álbum ruminando uma indecisão de meia-idade que espelha a trajetória dos fãs, adicionando um toque irônico e comovente a um som calorosamente familiar. "Hoops" é uma reclamação agressiva que começa: "Comprei uma torradeira só pra fazer torrada/Primeiro tive que escanear um QR code." Prega, irmão. Em "Nowhere", Cuomo manda o protesto NIMBY "Por que derrubaram as árvores só pra erguer esse condomínio caixote?" sobre um riff turbilhonante e ultra-fuzz, criando um dos melhores combos de rock californiano da sua carreira ilustre: o espírito anti-urbanização de "Big Yellow Taxi", de Joni Mitchell, colocado sobre a lama ampla e aberta do Kyus.
Naturalmente, para uma banda que muitas vezes fez da autoconsciência impassível seu refúgio emocional, os momentos centrais do álbum giram em torno de como acessar o som-base deles pode disparar sentimentos sobre o próprio rock — ainda parece verdadeiro? Estamos só repetindo o mesmo gesto? Essa diferença sequer importa? "C.E.O." contrasta imagens inocentes de mexer na guitarra no quarto de adolescente com a realidade honesta de produzir as mesmas músicas noventistas para os chefes corporativos, navegando a tensão entre suas indulgências de "cientista maluco" e a necessidade de "manter o foguete no céu". (Quem ouve em casa pode trocar "foguete no céu" por "faculdade das crianças" ou "401(k)".) Ele não é o primeiro a notar isso, mas o charme do grunge dourado da música faz a ideia grudar.
A faixa de encerramento, "The L.A. Sound", é o golpe de nostalgia do The Gold Album. Escrita pelo guitarrista Brian Bell, é uma lembrança doce do que é ser uma banda novata encarando longas madrugadas de van, indo de clubinhos meia-boca a clubinhos meia-boca, conquistando novos fãs em um showzinho de cada vez. "Viemos derreter sua cara/Vamos incendiar este lugar", canta a banda sobre aquele chug de alt-rock açucarado com o qual o Weezer explodiu há mais de 30 anos. A banda vem dando seu próprio viés aos rituais do rock desde "In the Garage", lá nos dias do Blue, e faz isso aqui também com afeto genuíno. Acontece que, depois de todos esses anos, o Weezer sendo Weezer ainda cai muito bem.
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