Vinil ou ouro? O que transforma um disco comum em uma fortuna real
Entenda por que colecionar vinil virou um investimento lucrativo e aprenda a identificar se aquele disco guardado pode valer uma nota preta no mercado
Você já deve ter ouvido falar que o disco de vinil voltou com tudo, certo? Mas o que muita gente ainda não sabe é que, para os grandes investidores, esses bolachões deixaram de ser apenas saudosismo para virar uma forma de ganhar muito dinheiro, como observa uma análise do site especializado em mercado musical, Moneyhits.
É o que o mercado chama de asset allocation, ou seja, colocar parte do seu patrimônio em objetos físicos que valorizam mais que a poupança.
Mas não é qualquer disco da Xuxa que vale uma fortuna. O segredo para um valuation (o valor de mercado) alto está na raridade e na qualidade. O "padrão ouro" para quem entende do assunto é o chamado first pressing. Isso significa que o disco faz parte da primeiríssima tiragem, feita direto das fitas originais da gravação, antes que as máquinas de prensa ficassem gastas. Para um fã do Pink Floyd ou dos Beatles, o som dessa primeira versão é muito superior a qualquer música de aplicativo de Streaming.
No site Discogs, que é como uma bolsa de valores para quem ama música, alguns desses discos em estado de novo (o famoso Mint Condition) chegam a ser vendidos por mais de US$ 10 mil. Em conversão direta, estamos falando de mais de R$ 50 mil por um único álbum!
Existem detalhes que o público comum nem nota, mas que fazem o preço decolar. Um exemplo é a OBI Strip. Sabe aquela tirinha de papel com letras em japonês que vem na lateral de alguns discos importados? Se você tiver um disco da Apple Records ou da Blue Note com esse papelzinho intacto, ele pode valer 300% a mais. É um selo de autenticidade que garante a Liquidez, ou seja, você vende o disco na hora se precisar do dinheiro.
Outro ponto que atrai o Investimento de luxo é o peso do disco. Edições especiais de 180 gramas ou 200 gramas, feitas com vinil virgem, são mais resistentes e têm um som muito mais limpo. Marcas de som profissional como McIntosh e Technics criam aparelhos que mostram a diferença absurda entre um disco comum e uma obra de arte sonora.
Mas cuidado para não cair em ciladas. O mercado está cheio de discos coloridos de artistas pop atuais que, apesar de bonitos, nem sempre valorizam. O verdadeiro ROI (Retorno sobre o Investimento) está em nomes clássicos como Miles Davis, cujas obras são tratadas como patrimônio histórico.
Segundo dados da RIAA e da Luminate, o valor de discos raros em leilões de luxo cresce cerca de 15% ao ano, superando muitos investimentos tradicionais da bolsa de valores.
Para quem quer começar a investir nesse mundo dos alternative assets (ativos alternativos), a regra número um é o cuidado. Um disco riscado perde 90% do seu valor. Guardar em local fresco, longe do sol e em plásticos especiais é o custo necessário para garantir o seu lucro no futuro.
No mundo dos negócios da música, a perfeição da capa e a ausência de ruído são os KPI's (indicadores de desempenho) que vão dizer se você tem um tesouro ou apenas um objeto de decoração nas mãos.