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Menudo ganha série que mergulha no sucesso do grupo nos anos 1980

Documentário 'Não Se Reprima' revisita o Brasil há mais de 40 anos através do fenômeno porto-riquenho

11 jul 2026 - 17h37
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Menudo ganha série que mergulha no sucesso do grupo nos anos 1980
Menudo ganha série que mergulha no sucesso do grupo nos anos 1980
Foto: The Music Journal

A efervescência dos anos 1980 no Brasil, um caldeirão cultural e político que marcou gerações, ganha uma nova lente de análise. O documentário Não Se Reprima, produzido pela Elixir Entretenimento para o Canal Brasil, promete mergulhar fundo no fenômeno Menudo e na sua inegável influência sobre o comportamento de uma juventude ávida por liberdade.

A série de quatro episódios, com estreia marcada para 24 de julho, às 22h, não se limita a revisitar a histeria causada pela boyband porto-riquenha; ela contextualiza a chegada do grupo em um momento crucial da história brasileira, o pós-ditadura militar.

Dirigida por Rafael Terpins, a produção chega em um momento oportuno, com o anúncio da turnê comemorativa Menudo 50, que trará o grupo de volta aos palcos em outubro. Mas, ao contrário de uma celebração nostálgica, Não Se Reprima propõe uma investigação sobre a complexa arquitetura que sustentou o sucesso do Menudo.

A série traça a gênese da ideia do produtor Edgardo Díaz de criar uma banda com um modelo de substituição contínua de integrantes, garantindo uma juventude perene - uma fórmula que, inclusive, revelaria talentos como Ricky Martin.

O Caos e a Sociologia de um Fenômeno

O epicentro dramático da narrativa se concentra na lendária e caótica vinda do grupo ao Brasil em 1985. Uma maratona de 18 shows expôs a fragilidade da infraestrutura nacional para lidar com eventos dessa magnitude, culminando em dezenas de hospitalizações e, tragicamente, duas mortes. Rafael Terpins, o diretor, pontua a singularidade desse momento:

Ninguém havia mergulhado de fato no fenômeno que foi a chegada do Menudo ao Brasil em 1985, justamente quando o país atravessava uma ebulição histórica

Ele ressalta como a saída da ditadura, a crescente presença feminina no mercado de trabalho e a televisão como agente formador de opinião criaram uma "engrenagem cultural e emocional tão intensa, tão contraditória e tão irresistível que só os anos 1980 poderiam ter produzido".

Além do burburinho dos palcos, o documentário se aprofunda em uma análise sociológica perspicaz. Enquanto em 1984 as ruas ecoavam o clamor pelas Diretas Já, em 1985, as arenas se enchiam de jovens que buscavam novos ídolos. Com a colaboração de historiadoras como Mary del Priore e Joana Salem Vasconcelos, a série explora como a adoração do público feminino ao Menudo redefiniu a expressão da sexualidade e propôs uma nova visão de masculinidade para uma geração que havia crescido sob o peso de um regime militar conservador.

Vozes e Memórias de Uma Geração

Para tecer essa rica tapeçaria histórica e cultural, Não Se Reprima reúne depoimentos inéditos de ex-integrantes como Ricky Meléndez, Johnny Lozada e Ramone Acevedo. A produção também conta com a participação de personalidades brasileiras que vivenciaram a febre Menudo de perto, como Preta Gil, João Gordo e Clemente, que compartilham suas memórias e impressões sobre o impacto do grupo.

A série, que levou mais de dois anos em negociações globais para liberação de acervo de imagens e direitos musicais, conforme Denis Feijão, produtor executivo, também abre as portas para o universo dos fã-clubes. Esses guardiões da memória afetiva preservam, até hoje, coleções de discos, pôsteres e histórias que revelam a profundidade do sentimento despertado pelo Menudo.

O Canal Brasil exibirá Não Se Reprima em formato de maratona, com os quatro episódios em sequência na estreia, sexta-feira, 24 de julho, às 22h, com horários alternativos no sábado (25/07) às 20h30, domingo (26/07) às 19h30 e terça-feira (28/07) às 23h30.

A classificação indicativa é de 12 anos.

The Music Journal The Music Journal Brazil
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