BTS quer que fãs curtam os shows sem celulares levantados
Entre a lente da câmera e a vivência do momento, o grupo sul-coreano reflete sobre a experiência do público e a era digital nos palcos
A experiência de um show ao vivo, outrora um santuário de emoções puras e interações espontâneas, transformou-se radicalmente na era digital. Hoje, a luminosidade das telas dos smartphones compete com os holofotes do palco, e a captação de cada momento parece, para muitos, tão essencial quanto a própria vivência.
Essa dinâmica recente tem sido objeto de reflexão para grandes nomes da indústria musical, e o septeto sul-coreano BTS, fenômeno global que arrasta multidões em sua turnê BTS World Tour: ARIRANG, não é exceção.
Com datas confirmadas no Brasil para outubro - dias 28, 30 e 31 -, o grupo abordou em profundidade a questão durante o especial Jantar do BTS 2.0, parte das celebrações de seus 13 anos de carreira.
O tradicional formato de jantar, que não acontecia desde 2022 e marca o Festa 2026 junto à famosa Foto em Família e o lançamento do single Come Over, serviu como palco para uma conversa franca.
Os integrantes do BTS mergulharam em análises sobre a evolução da banda nos últimos quatro anos, compartilharam aspirações futuras e, inevitavelmente, tocaram em um ponto sensível: o comportamento do público em diferentes culturas, especialmente no que tange ao uso de celulares.
"Não havia nenhum telefone lá", complementou J-Hope, denotando um choque cultural que acendeu o debate sobre o tema. Essa particularidade gerou uma ponte com a recente declaração de Billie Eilish, que defendeu a prática de filmar shows como um componente legítimo da experiência moderna do fã.
"Levantar os celulares e filmar faz parte de como eles curtem os shows atualmente", recordou J-Hope sobre a fala da cantora americana. O líder RM endossou a compreensão do fenômeno: "Entendi o que ela quis dizer. A cultura dos shows se tornou tão diversa quanto os próprios shows.
A perspectiva de Suga adicionou outra camada à discussão, ao ressaltar a variação da dependência de telas entre países, mas ponderando que a presença do aparelho não anula a energia da pista. "Algumas pessoas levantam os celulares, mas ainda pulam e se divertem", disse o rapper.
Apesar da compreensão sobre as novas formas de interação, Jungkook e Jimin reforçaram a preferência do BTS por uma conexão mais direta e sem intermediários com o público. Não é a primeira vez que o grupo expressa esse desejo. Em momentos anteriores, o BTS fez apelos diretos para que a audiência se entregasse ao momento.
Em um desses momentos, RM, com o carisma e a sinceridade que lhe são peculiares, dirigiu-se ao público: "Para aqueles que estão apenas olhando para os celulares e não cantando junto com a gente, talvez vocês não conheçam nenhuma música, mas agora vocês têm que cantar com a gente".
A fala ecoa o sentimento de Jungkook em outra ocasião, quando expressou o desejo de ver os rostos dos fãs, não apenas as telas dos telefones, uma vez que haviam viajado "de longe" para estarem ali. Houve até mesmo um clamor mais incisivo: "Está tudo perfeito, mas larguem os celulares. "
Essa insistência, explicou Jimin, brota de um lugar de carinho e desejo de que os fãs absorvam cada detalhe com os próprios olhos, desfrutando a felicidade do presente. "Dizemos isso porque queremos que eles vejam tudo com os próprios olhos, em vez de assistirem ao palco pela tela, e se sintam felizes naquele dia", pontuou.
Contudo, Jungkook, com a empatia que caracteriza o grupo, concluiu com uma perspectiva que equilibra o desejo do artista e a realidade do fã: "Entendo que os vídeos gravados se tornam algo único para o ARMY".
A discussão do BTS acende um questionamento essencial na cultura de shows contemporânea: como equilibrar a captura da memória virtual com a vivência plena do instante real, especialmente em um mundo onde a presença digital muitas vezes rivaliza com a física?
O desafio permanece, e cabe a cada fã encontrar seu próprio equilíbrio entre registrar e sentir.
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