Além dos shows: BTS e cultura coreana movimentam a economia do Brasil
Projeções indicam que as apresentações na capital paulista podem movimentar mais de R$ 330 milhões entre turismo e ingressos.
Com apresentações do grupo BTS em São Paulo, a cultura pop sul-coreana deve movimentar mais de R$ 330 milhões na economia local, impulsionando hotelaria, gastronomia e transporte. O impacto reflete o avanço da onda Hallyu no Brasil, onde 76% da população demonstra interesse pelo país asiático e consome seus produtos e culinária com regularidade. Esse fenômeno expande o comércio contínuo e valoriza polos históricos ligados à imigração, como o bairro paulistano do Bom Retiro.
A presença de grandes fenômenos musicais internacionais no Brasil costuma desencadear impactos profundos que ultrapassam as fronteiras do entretenimento. Com a previsão de apresentações do grupo BTS na capital paulista, agendadas para os dias 28, 30 e 31 de outubro no estádio do MorumBIS, a força da cultura pop sul-coreana se converte em números expressivos para o turismo e o comércio.
Estimativas divulgadas pela São Paulo Turismo indicam que a série de três shows possui potencial para movimentar mais de R$ 330 milhões na economia local. Essa soma projeta a arrecadação de quase R$ 260 milhões referentes à venda de bilheteria e cerca de R$ 75 milhões em desembolsos realizados diretamente por visitantes.
500. Essa circulação de capital beneficia setores como a rede hoteleira, estabelecimentos gastronômicos, serviços de transporte e o varejo em geral, impulsionando desde restaurantes até cafeterias que criam ações temáticas para acolher os fãs.
O engajamento do público nacional com as tradições e produções sul-coreanas foi analisado em um estudo da Serasa em cooperação com o Instituto Opinion Box, com divulgação apoiada pelo Centro Cultural Coreano no Brasil. 453 respondentes em todo o território nacional, a pesquisa apontou que 76% demonstram curiosidade ou interesse pela cultura da Coreia do Sul.
As finanças pessoais também refletem esse fascínio: 47% dos participantes relataram destinar até R$ 250 mensais para itens e vivências ligadas ao país asiático, enquanto 49% afirmaram já ter gastado valores superiores ao planejamento financeiro inicial. No campo dos hábitos diários, 47% começaram a provar novidades na culinária e 44% elevaram suas aquisições de produtos de procedência coreana.
Integração cultural e comércio local
Essa dinâmica reforça a relevância da Hallyu, termo utilizado para designar a expansão da cultura do país no cenário internacional. No Brasil, essa manifestação ganha força contínua por meio da atuação ativa dos admiradores, que aprendem danças, replicam materiais digitais e fomentam encontros, mantendo o movimento constante para além das datas de lançamentos.
O fluxo em torno das apresentações de BTS conecta os fãs a pontos históricos e comerciais emblemáticos, como o bairro paulistano do Bom Retiro, onde a herança e o empreendedorismo das famílias de imigrantes consolidam pontes reais com os costumes e a culinária coreana. A dimensão dos eventos também oferece um modelo para reflexões sobre como a própria produção brasileira de música, audiovisual e design pode estruturar políticas planejadas de projeção econômica e internacionalização.
Sobre Yoo Na Kim
Yoona Kim é escritora, jornalista e atua como uma das vozes mais expressivas na difusão das tradições coreanas no país. Residente no Brasil, soma mais de vinte anos de trabalho voltados a aproximar as relações culturais entre a nação sul-coreana e o público brasileiro por meio de narrativas históricas e costumes.
Com publicações de livros e documentários abordando a trajetória dos imigrantes, Yoona Kim documenta o avanço da Hallyu muito antes de manifestações como doramas, gastronomia, cosméticos e música pop atingirem o patamar de abrangência contemporâneo.
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