Robert Plant rejeita reunião do Led Zeppelin e prefere jogar bingo
Em entrevista, o vocalista disse que sempre quis que a apresentação de 2007 fosse um evento único e contou como vive longe dos holofotes
Aos 78 anos, Robert Plant descarta qualquer reunião do Led Zeppelin, banda que tocou junta pela última vez em 2007. Avesso a agir como uma "jukebox" nostálgica e em desacordo com Jimmy Page sobre o retorno, o vocalista prefere o anonimato de Worcestershire, onde frequenta bingos e bares locais. Focado no presente, Plant busca compor material inédito e cantar em seus próprios termos, priorizando sua liberdade criativa e a tranquilidade da vida cotidiana em vez da grandiosidade do passado.
Em Worcestershire, pouca gente parece saber quem é Robert Plant. Na melhor das hipóteses, alguém o reconhece na rua e pergunta: "E aí, Bob, ainda está fazendo umas coisinhas por aí?" Quando ele menciona os cinco Grammys conquistados com Alison Krauss, a resposta costuma ser: "O que é um Grammy?" É esse anonimato que Plant, aos 78 anos, cultiva com cuidado — e que funciona como resposta tácita às expectativas de uma reunião da banda.
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Em entrevista ao The Times (via IgorMiranda), em outubro de 2026, o cantor descreveu a própria rotina longe dos holofotes. Às terças-feiras, vai ao bingo, cujo prêmio máximo é de £25 — sem câmeras por perto. Às quartas, frequenta o que chama de "noite de lamentações" no bar local, onde músicos que não conseguiram se firmar na cena de Birmingham se reúnem para reclamar da própria situação. "Faz tanto tempo que sou uma espécie de celebridade", disse Plant. "Mas em Worcestershire ninguém dá a mínima".
O contraste com o passado é deliberado. A última apresentação do Led Zeppelin aconteceu em dezembro de 2007, na The O2 Arena, em Londres, durante um evento beneficente em homenagem a Ahmet Ertegun, fundador da Atlantic Records. Jason Bonham ocupou a bateria no lugar do pai. O espetáculo foi lançado em DVD com o título Celebration Day (2012). Para Plant, aquele sempre foi o ponto final. "Esse sempre foi o meu plano. A apresentação foi angustiante, porque poderia ter sido um desastre, e quem quer isso?", disse ao The Times. Sem citar nomes, o vocalista observou ainda que há quem veja em outro integrante a personificação da "grandiosidade" da banda, enquanto ele prefere o bingo na fronteira com o País de Gales.
A resistência de Plant à reunião vai além de uma simples preferência de carreira. Em entrevista à Billboard, Jason Bonham contou que o vocalista lhe disse pessoalmente: "Eu amava muito o seu pai. Não consigo ir lá e fingir. Não consigo ser uma jukebox". Jimmy Page, por sua vez, continua defendendo o reencontro e chegou a dizer ao The New York Times que Plant "está jogando com todos". À Uncut, Plant afirmou sentir-se "decepcionado e confuso" com a postura do parceiro e revelou que havia proposto uma colaboração acústica entre os dois anos antes. Page recusou.
Agora, Plant quer compor material novo e cantar nos próprios termos. Ele cita Roger Daltrey, do The Who, como exemplo de músico que encontrou liberdade na carreira solo. "Quero entregar, cantar tão bem quanto puder, fazer piadas, rir de mim mesmo e fazer as pessoas se sentirem bem. Nesta fase da minha vida, isso é tudo. Isso e conseguir sair da cama", disse. Entre uma apresentação e outra, seguem o bingo de terça e o bar de quarta — e, ao que tudo indica, nenhum plano de voltar a tocar "Stairway to Heaven" tão cedo.
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