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Madonna estreia curta surrealista e NSFW de 'Confessions II' no Tribeca: 'É sobre conexão'

Festival apresentou filme como: "ambicioso trabalho visual com mais de 10 minutos de duração, construído em torno das seis primeiras faixas do próximo álbum de Madonna"

6 jun 2026 - 22h03
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Foi assim que os organizadores do Festival de Cinema de Tribeca disseram aos fãs de Madonna que seria a estreia de Confessions II, na noite de sexta-feira: um "ambicioso trabalho visual com mais de 10 minutos de duração, construído em torno das seis primeiras faixas do próximo álbum de Madonna".

Madonna estreia curta surrealista e NSFW de Confessions II no Tribeca 'É sobre conexão' (James Devaney GC Images)
Madonna estreia curta surrealista e NSFW de Confessions II no Tribeca 'É sobre conexão' (James Devaney GC Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

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O que eles acabaram vendo foi um políptico surrealista com mulheres disparando lasers de suas partes íntimas, Benedict Cumberbatch (Doutor Estranho) fazendo vogue em um banheiro e Madonna em todas as suas diferentes personas, da compositora vulnerável e solitária à contorcionista capaz de dançar sobre uma mesa em movimento.

Além de Madonna, o curta traz 16 participações especiais de celebridades, incluindo Sabrina Carpenter, Feid, Debi Mazar, Kate Moss, Julia Garner, Odessa A'zion, Richard E. Grant, Honey Dijon e a filha de Madonna, Lourdes Leon, entre outros, ao longo de seus 13 minutos de duração.

Com tantas imagens impressionantes e trechos das músicas do próximo álbum Confessions II — uma espécie de sequência de Confessions on a Dance Floor (2005), previsto para chegar em 3 de julho — incluindo "I Feel So Free" e "Bring Your Love", o filme fez valer a longa espera para assisti-lo naquela noite. Os celulares dos presentes ficaram trancados em estojos Yondr por até duas horas e meia desde a abertura dos portões. (O restante do mundo ainda terá de esperar até segunda-feira para assistir ao filme no YouTube.)

Mas, claro, havia também a própria Madonna. Cerca de 26 horas após uma apresentação na Times Square que literalmente parou o trânsito, a artista de 67 anos entrou no Beacon Theatre, em Nova York, por uma das portas laterais do palco, usando um grande casaco branco de penas, um vestido brilhante e óculos escuros. Ela foi acompanhada pelos flashes dos fotógrafos até encontrar seu assento.

Depois que o filme terminou com Lourdes Leon dizendo "Cut, bitch" ("Corta, vadia") e os créditos começaram a subir, Madonna caminhou até o palco para uma sessão de perguntas e respostas ao lado dos diretores do filme, David Toro e Solomon Chase, conhecidos como TORSO. A conversa foi mediada por Anderson Cooper, já que o apresentador originalmente anunciado, Jimmy Fallon, estava inexplicavelmente indisponível. Era isso que as pessoas realmente tinham pago para ver.

Durante 45 minutos, Madonna falou de forma aberta e eloquente sobre uma ampla variedade de assuntos: sua aversão aos celulares, que, segundo ela, impedem as pessoas de se conectarem umas com as outras ("todo mundo [no Coachella] estava com os celulares erguidos e eu nem sabia como as pessoas pareciam"); suas lembranças de descobrir clubes gays nos arredores de Detroit ("todos eram livres"); a sensação de não se encaixar em Nova York, o que a levava a ler F. Scott Fitzgerald ("não O Grande Gatsby") em boates; memórias de beijar Debi Mazar "apenas para atrair garotos"; as exigências físicas de se apresentar ao vivo; e diversas esquivas às perguntas de Cooper sobre uma possível turnê futura ("Talvez exista [uma]"). E, claro, falou sobre o filme, garantindo a todos que aquilo não era um videoclipe.

"Eu gosto da ideia de cinema porque sou uma cinéfila, e o cinema inspirou uma grande parte da minha vida", afirmou, antes de incorporar sua Norma Desmond interior: "De alguma forma, a palavra 'vídeo' parece barata. Era bom quando existiam apenas a MTV e eu."

Embora o filme tenha todos os elementos característicos de um grande e extravagante videoclipe de Madonna — incluindo imagens altamente sexualizadas que os moralistas da MTV provavelmente teriam censurado — ele também parece algo único. Não é exatamente um clipe nem um curta-metragem tradicional, mas uma espécie de conto de ninar estranho e inconsciente.

As músicas inéditas "Good for the Soul", "One Step Away", "Danceteria" e "Read My Lips" pulsavam com os mesmos ritmos dançantes dos singles, e tudo se fundia em um verdadeiro sonho febril. "Eu sou uma contadora de histórias. Então há jornada emocional, narrativa, e [o TORSO] é de outro planeta; eles pensam em ambiente e em estímulos visuais que disparam dopamina."

O filme começa com Madonna sozinha em um quarto enquanto mulheres vestindo lingerie a perseguem com câmeras. De repente, ela está em uma floresta, e uma luz branca brilha a partir de sua virilha. A cena então corta para lasers verdes saindo de mulheres girando com as pernas abertas e de pessoas em posições sugestivas.

"Preciso realmente dar crédito a esses caras pela concepção visual de cada ambiente", disse Madonna, apontando para os diretores do TORSO. "Especificamente, eu jamais teria imaginado lasers saindo das vaginas das garotas. Honestamente, eu queria muito tentar, mas aparentemente esquenta bastante."

Há um clube gay no filme onde Madonna e Sabrina Carpenter cantam enquanto Julia Garner dança; há um banheiro onde ela beija homens escolhidos entre os mictórios (enquanto Debi Mazar e Benedict Cumberbatch dançam); há Feid refletido em um espelho; mulheres envoltas em látex preto com temática BDSM comendo bananas; e, por fim, Lourdes Leon, que recebeu os aplausos mais entusiasmados da plateia do Beacon Theatre, encerrando o curta.

"Pensei em convidá-la logo no início [para participar do filme], mas ela realmente recusa praticamente tudo que tem a ver comigo", brincou Madonna"Nós escrevemos uma música juntas que está no meu álbum. Ela se chama 'The Test'. É linda. Nós a compusemos no estúdio ao mesmo tempo, e foi uma espécie de momento de cura entre nós."

"Tenho muito orgulho dela", continuou. "Ela é imensamente talentosa, muito mais talentosa do que eu. E não estou dizendo isso porque sou a mãe dela." O filme levou seis meses para ser concluído, já que foi gravado em Londres, Los Angeles e Nova York. Ele também fez parte do ano e meio que Madonna dedicou à produção do álbum Confessions II.

A artista explicou que decidiu fazer um álbum de música dançante como forma de distração enquanto aguardava a concretização de projetos de filmes e séries nos quais estava trabalhando. Segundo ela, todas as músicas do disco se conectam entre si. "O álbum inteiro é uma única história contínua", afirmou. "Queríamos fazer um disco que você pudesse colocar para tocar e dançar do começo ao fim, algo que o levasse em uma jornada. Perto do final, ele se torna um pouco mais reflexivo, emocional e íntimo."

No fim das contas, porém, tudo gira em torno da forma como a música movimenta as pessoas, tanto física quanto espiritualmente. "Não quero fazer música vazia", disse. "Quero fazer música que fale sobre alguma coisa. A música de dança faz você mover o corpo e sentir a pulsação. É como se você estivesse se conectando ao universo e a outros seres humanos." E conexão é justamente o tema central da vida de Madonna neste momento.

"O filme realmente fala sobre conexão", concluiu. "Eu saio da solidão do meu apartamento e vou direto para uma floresta cheia de pessoas com lasers saindo da bunda. A vida é isso: correr riscos, ser curioso, observar o mundo... E largar a porra do celular para se conectar de verdade."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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