Kid Laroi se perde na própria dor em 'Before I Forget'
Rapper australiano descarta álbum inteiro após término com Tate McRae e entrega projeto melancólico que repete a mesma fórmula
The Kid Laroi estava apaixonado quando começou a gravar seu segundo álbum de estúdio. O projeto, provisoriamente intitulado Watch This!, transbordava romantismo — até que um término mudou tudo. O rapper australiano de 22 anos descartou o disco inteiro e passou três meses gravando Before I Forget (2026), trabalho marcado pela melancolia. O rompimento com a cantora Tate McRae serve de pano de fundo para faixas que exploram arrependimento e mágoa.
O álbum transita entre pop alternativo, R&B nostálgico dos anos 2000 e elementos de rock. A produção valoriza a vulnerabilidade emocional e há momentos interessantes em que Laroi demonstra comando vocal e presença artística, especialmente quando aborda a exposição pública do relacionamento e as pressões externas que contribuíram para o fim — como em "A Perfect World" ou "Thank God".
https://www.youtube.com/watch?v=QxWCEe8Gicw
Mas os problemas surgem quando Charlton (nome real do artista) parece desconfiar da própria autoridade artística. Quando encontra os momentos que melhor lhe servem — como o groove luminoso de "Private" ou a urgência emocional de "Rather Be" —, há relutância em investir neles de forma mais profunda. Como consequência, o álbum tenta abordar muitos estilos e emoções diferentes sem se aprofundar o suficiente em nenhum deles e se torna disperso. A repetição temática esgota a paciência do ouvinte ao longo das 15 faixas. "5:21AM", "The Moment" e "Never Came Back" dissecam o mesmo material sob perspectivas unidimensionais que não justificam suas existências no tracklist.
O álbum tenta recuperar fôlego criativo nos momentos finais, mas já é tarde demais. As melhores faixas tornam as piores ainda mais evidentes, revelando um projeto que captura apenas a dor do momento — sem mostrar evolução ou direção artística futura. Laroi entrega performances superiores quando resiste à derrota, mas parece ter se cansado de lutar no decorrer do disco.
Os momentos altos provam que Laroi tem talento para mais. Isso torna as escolhas conservadoras e repetitivas ainda mais frustrantes.
A ironia cruel de Before I Forget é que Tate McRae já respondeu musicalmente. Para ela, a questão já está resolvida. "Tit for Tat" veio como resposta ao single "A Cold Play" e mostra que a cantora já seguiu em frente, enquanto Laroi não.
Por fim, se o descartado Watch This! estava cheio de músicas apaixonadas sobre uma realidade com a qual ele não se relaciona mais, Laroi não pode ser culpado por não querer performá-las no próximo ano. Mas ao substituí-lo por um disco preso no mesmo loop de lamentação, o rapper corre o risco de afundar na própria dor sem encontrar saída criativa convincente.
https://www.youtube.com/watch?v=4669MlmzqO0
Before I Forget é mais polido que The First Time (2023), mais vulnerável e com letras melhores, mas o álbum de estreia ainda soa superior. Aquele tinha hits evidentes e certezas que faltam neste segundo trabalho. Aqui, uma ou outra faixa chama atenção e merece revisitas, mas não se trata de um disco memorável. Quando os próximos lançamentos do ano chegarem, é provável que Before I Forget seja esquecido na pilha de projetos de término que saturam o pop contemporâneo.