Julio Iglesias é acusado de agressão sexual e tráfico humano por ex-funcionárias
Investigação jornalística de três anos revela relatos de abusos ocorridos em 2021 e descreve ambiente de trabalho análogo à escravidão; cantor não se manifestou
O cantor Julio Iglesias, de 82 anos, foi formalmente acusado de agressão sexual e tráfico humano por duas ex-funcionárias. As denúncias vieram à tona após uma investigação conjunta de três anos realizada pela rede de TV Univision Noticias e pelo jornal espanhol elDiario.es.
As duas mulheres, identificadas pelos pseudônimos "Rebecca" e "Laura" para proteger suas identidades, alegam ter sido submetidas a "toques inapropriados, insultos e humilhação" enquanto trabalhavam para o artista espanhol em 2021. Ambas apresentaram uma queixa formal às autoridades.
Segundo a reportagem, que coletou depoimentos de 15 ex-funcionários, o processo de recrutamento focava em mulheres jovens, exigindo o envio de fotos de rosto e corpo inteiro. As denunciantes afirmam que, logo após chegarem, Iglesias fazia perguntas invasivas sobre suas preferências sexuais.
🔹No podían tener novio
🔹Prohibidas las fotografías en la casa
🔹Debían entregar el móvil para revisar conversaciones
🔹Prohibido hablar con otros empleados
Las normas que, según sus exempleadas, Julio Iglesias les imponía https://t.co/4xLx4KqOre
— elDiario.es (@eldiarioes) January 13, 2026
Os relatos de abuso
"Rebecca" relatou que o cantor, então com 77 anos, a chamava em seu quarto ao final do turno e a tocava sem consentimento, muitas vezes na presença de outra funcionária. Ela descreveu sentir-se "como uma escrava". Já "Laura" alegou ter sido beijada na boca e apalpada contra sua vontade.
A investigação aponta para um "clima de controle e assédio constante". O relatório do elDiario.es descreve condições de isolamento e uma atmosfera tensa gerada pelo temperamento do cantor. As alegações seriam sustentadas por "extensas provas documentais", incluindo fotografias, registros de chamadas, mensagens de WhatsApp e relatórios médicos.
Repercussão e defesa
O caso dividiu opiniões na política espanhola. Yolanda Díaz, ministra do Trabalho da Espanha, classificou os relatos como "arrepiantes" e afirmou que eles descrevem "agressões sexuais e uma situação de escravidão". Em contrapartida, Isabel Díaz Ayuso, presidente da região de Madri, defendeu o cantor no X/Twitter, afirmando que a região "nunca contribuirá para o descrédito de artistas".
Las mujeres violadas y atacadas están en Irán, con el silencio cómplice de la ultraizquierda.
La Comunidad de Madrid jamás contribuirá al desprestigio de los artistas y menos, al del cantante más universal de todos: Julio Iglesias.
— Isabel Díaz Ayuso (@IdiazAyuso) January 13, 2026
Uma funcionária citada por "Rebecca" como testemunha dos atos negou as acusações à reportagem, descrevendo Iglesias como "um grande cavalheiro". Até o momento, Julio Iglesias não respondeu às inúmeras tentativas de contato feitas pelos veículos de imprensa responsáveis pela investigação.
FONTE: NME