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Jay-Z questiona o futuro das batalhas no hip hop após rivalidade entre Kendrick e Drake: 'Quase desejo que não tivesse acontecido'

Em entrevista à GQ, rapper afirma que confrontos na era das redes sociais foram longe demais e sugere que colaborações substituam disputas diretas

1 abr 2026 - 10h24
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Jay-Z falou pela primeira vez sobre a rivalidade entre Kendrick Lamar e Drake em entrevista à GQ publicada na última terça, 24, e surpreendeu ao questionar se a cultura do confronto direto ainda tem lugar no hip hop contemporâneo. Para o rapper, a disputa foi além dos limites do que o gênero consegue absorver, especialmente na era das redes sociais, e chegou a um ponto em que ele "quase deseja que não tivesse acontecido".

Foto: David Ramos/Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Jay-Z estruturou sua análise em torno dos quatro pilares históricos do hip hop: o break, o grafite, o DJ e as batalhas, e observou que três deles já perderam espaço ao longo das décadas. "O último pilar é a batalha. Amamos a emoção e adoro a troca de farpas, mas nos dias de hoje há tanta coisa negativa envolvida que você quase deseja que não tivesse acontecido", disse. O problema central, segundo ele, não está na disputa em si, mas no que a cultura de fãs faz com ela: "Agora, as pessoas que gostam do Kendrick odeiam o Drake, independentemente do que ele faça. Vira um ataque ao caráter dele. Não sei se gosto disso".

Sua conclusão sobre o futuro do hip hop foi direta: "Acho que podemos alcançar a mesma coisa, no que diz respeito à troca de farpas com música, com colaborações, em vez de destruir tudo. Não sei se as batalhas ainda precisam fazer parte da cultura".

Para Jay, o formato do confronto que funcionava em outras épocas se tornou insustentável com a tecnologia atual. "Antes, você tinha a batalha, era divertido e seguia em frente. Hoje em dia, não sei se aguenta com a tecnologia que temos", afirmou, acrescentando que as chamadas "guerras de fãs" chegaram a um nível inaceitável ao envolver filhos dos artistas. "Foi longe demais. Está trazendo os filhos das pessoas para isso. Não gosto disso", disse.

O rapper reconheceu a contradição de alguém que protagonizou algumas das rivalidades mais icônicas da história do rap (incluindo o embate com Nas) questionar agora a validade do formato. "Sei como isso soa. É só como me sinto sobre isso. Odeio ter esse ponto de vista", admitiu.

Quanto ao papel que teve na situação, já que é sua empresa, Roc Nation, que seleciona os headliners do Super Bowl, e a escolha de Kendrick Lamar para o show de 2025 foi interpretada por alguns como uma tomada de posição na disputa, Jay rejeitou qualquer leitura conspiracionista com uma resposta seca: "Escolhi o cara que estava tendo um ano monstruoso. Sou o Jay-Z. Com todo o respeito. Não faz o menor sentido".

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