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Grupo Samuca e a Selva explora a possibilidade do fim no novo álbum 'Pra Gente Se Acabar'

O quinto trabalho de estúdio do coletivo paulista composto por 10 músicos chega às plataformas digitais amanhã, 23

22 set 2026 - 18h13
(atualizado às 18h43)
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Resumo
Após 11 anos de estrada, o grupo Samuca e a Selva lança o álbum Pra Gente Se Acabar, que reflete sobre o possível término da banda e as crises do mundo contemporâneo. Motivado pelos desafios do mercado para grandes formações, o projeto não decreta o fim do coletivo, mas propõe uma celebração artística diante do caos. Com 13 faixas que fundem ritmos brasileiros, jazz e música latina, o disco traz participações de Carlos Dafé, Silvia Machete e Abacaxepa, acompanhado por vídeos temáticos.

Depois de mais de 11 anos de estrada, Samuca e a Selva preparam o lançamento de seu quinto disco. Previsto para chegar às plataformas amanhã, 23, o álbum Pra Gente Se Acabar explora a possibilidade do fim do grupo e do mundo em tempos que beiram a distopia.

Samuca e a Selva exploram o fim em "Pra Gente Se Acabar"
Samuca e a Selva exploram o fim em "Pra Gente Se Acabar"
Foto: Kim Costa / Rolling Stone Brasil

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O projeto nasce da dificuldade em manter um coletivo de dez pessoas na estrada: "O tempo avança, novas prioridades da vida adulta vão surgindo e o mercado muda drasticamente, favorecendo em inúmeros aspectos os artistas solo e fazendo com que as bandas, principalmente as de grandes formações entrem, pouco a pouco num processo de extinção. Tem sido difícil manter um coletivo horizontal deste tamanho e a gente, em meio a orgulho e cansaço, têm se perguntado sinceramente se ainda faz sentido", afirma Samuel Samuca, vocalista e fundador do grupo.

Fãs do coletivo ainda não precisam se desesperar, pois o fim do Samuca e a Selva não está decretado oficialmente. Entretanto, encerrar as atividades coletivas está de fato em pauta. A ideia do grupo com o novo projeto é trazer o tema para o público, pensando pela ótica mais ampla de um possível fim do próprio mundo. Para o coletivo, a "crise climática sem precedentes, guerras e genocídios, pandemias, democracias morrendo, a ascensão da extrema direita, o advento descontrolado da inteligência artificial, a era da pós-verdade e o ultra-individualismo" formam o pano de fundo do projeto.

Por outro lado, Pra Gente Se Acabar também almeja ser uma expressão genuinamente brasileira, empregada para anunciar festa, êxtase, entrega total. "É um projeto sensível que ensaia sobre a grande merda que é o fim e a grande beleza que há em enfrentá-lo, escolhendo dançar e se entregar ao máximo pra vida enquanto ela ainda existe, ainda que em meio ao caos. É sobre honrar a nossa trajetória, que é tão bonita e ao longo da última década se confunde com a nossa própria existência", resume o vocalista.

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Musicalmente, o disco é um recorte da evolução que os 11 anos de estrada forjaram no grupo e mescla referências que vão de Marku Ribas a Sade. Samuca e a Selva abordam temas como saúde mental, especulação imobiliária, paixões, saudade, angústias, o espírito do tempo e propõem uma viagem por 13 canções que mais se parecem paisagens sonoras. O álbum também planeja reafirmar a marca registrada do coletivo, que é a fusão de ritmos da música popular brasileira com elementos da música latina e do jazz. A sonoridade é principalmente construída por Samuel Samuca, pelo guitarrista Allan Spirandelli e pelo baixista Léo Malagrino, membros do grupo que também contribuíram com obras no repertório. O novo trabalho também reforça a relação simbiótica da banda com Marcos Maurício, que assina a produção em questão e já havia colaborado com a Selva em Madurar (2016), disco de estreia do grupo, indicado ao 28º Prêmio da Música Brasileira em 2017, e Ditados Populares Dançantes (2022), presente na lista dos top 50 da APCA. A novidade é a coprodução do álbum assinada pelo próprio Samuca, que assume pela primeira vez a função ao lado do produtor.

A faixa escolhida para o lançamento é "O Tempo Leva", boogie brasileiro cantado ao lado de Carlos Dafé, aos 78 anos. O disco ainda traz Silvia Machete em "Teia de Aranha", o trio Abacaxepa na lambada "Flor do Mistério" e, na faixa bônus "Bença", a avó de Samuca, Dona Deborah, aos 93 anos. "Minha avó é uma das vozes mais lindas que eu conheço e é a pessoa que me inspirou a cantar", conta o vocalista.

O processo levou 11 meses sob o mantra "menos produto, mais arte": "A gente sentou e conversou sério, todo mundo do coletivo e o Marcos (Maurício), por umas seis horas. Ali todo mundo trouxe sua disponibilidade, suas demandas, vimos o Matheus (Prado) se despedir para focar nos seus projetos pessoais - o que abriu espaço pra chegada de Dominique Vieira, nova percussionista da banda - e pactuamos que, mesmo diante de todas as dificuldades que estávamos enfrentando, principalmente as financeiras, íamos dar um jeito de produzir um trabalho que, primeiramente, nos orgulhasse, e que fosse capaz de deixar um legado", diz Samuca. "Não era pro mercado. Era pra gente, e pra quem gosta da gente. E quem não tem dinheiro caça com tempo e esmero. E foi assim que fizemos. Gravamos todo o disco na casa do Marcão e foram muitas madrugadas em claro, tocando, retocando, ouvindo referências e pensando em cada detalhe, num processo minucioso, artesanal." completa o vocalista.

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A capa do álbum também recebeu mãos para além do grupo. A arte é  um projeto de óleo sobre tela do artista plástico SANTVS e traz elementos antropofágicos que misturam fé e medo, sagrado e profano, fim e festa. As fotos de Kim Costa e a diagramação e identidade visual de Laercio Lopo, diretor de arte da banda desde 2023, complementam a experiência. Junto do álbum a banda disponibiliza 13 visualizers, um para cada faixa, trazendo crônicas de personagens que compõem esse baile apocalíptico com as canções como trilha sonora. "Nossa ideia era retratar recortes de um grande baile que na verdade é uma representação da própria sociedade, misturando elementos de virtude e decadência, medo e esperança, luxo e pobreza, principalmente a da alma" afirma Bruna Massarelli, que assina a direção criativa do projeto ao lado de Júlio Viela. Além da dupla, os filmes têm produção da Outros Filmes, com direção de Manoel Marques da Costa, direção de fotografia de Luiz Maudonett, figurinos de Mayna Pozzi e serão disponibilizados no canal da banda no Youtube.

"Olhar de frente e assumir essa possibilidade do fim pra gente, sem grilos, e ao mesmo tempo topar esse projeto foi uma espécie de ritual que nos uniu como nunca e tirou um peso enorme das nossas costas", afirma o vocalista do coletivo. "Temos todo esse ciclo do lançamento e vamos desfrutar muito e também conversar muito, entre nós, com os fãs, com outras bandas ao nosso redor. Pode ser que com união as coisas mudem pra melhor e a vida nos surpreenda. Deixemos rolar", completou Samuca.

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Tracklist

Faixa bônus de introdução: "Bença" — com Dona Deborah

1. O Tempo Leva feat. Carlos Dafé — Samuel Samuca

2. Esse Tempo Todo / Apedrejado — Allan Spirandelli / Samuel Samuca

3. Sobre a Natureza das Coisas — Samuel Samuca

4. Não É Só Sobre Você — Samuel Samuca5. Flor do Mistério feat. Abacaxepa — Felipe El / Samuel Samuca

6. Teia de Aranha feat. Silvia Machete — Lucas Bernoldi

7. Pião — Samuel Samuca

8. Se Eu Tô, Eu Tô — Allan Spirandelli

9. Baila Comigo Meu Irmão — Samuel Samuca

10. Vem Verde Perto — Léo Malagrino

11. Rio e Feito um Rio Choro — Samuel Samuca

12. Saia — Samuel Samuca

13. Pra Gente Se Acabar — Samuel Samuca

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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