Faith No More firma acordo global com a 30e para retomada de turnês mundiais
Companhia brasileira terá papel estratégico e operacional para próximas excursões da banda, desde concepção de viagens pelos cinco continentes até desenvolvimento de marcas e experiências para fãs
A banda americana Faith No More, longe dos palcos desde 2016, e a companhia brasileira de entretenimento 30e firmaram um acordo global de longo prazo. A parceria confere à empresa o papel de núcleo estratégico e operacional para realizar as próximas circulações mundiais da banda, englobando desde a concepção de turnês pelos cinco continentes até o desenvolvimento de marcas e novas experiências para os fãs.
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O Faith No More é representado mundialmente pela WME, que teve papel fundamental nessa construção. Pelas redes, a própria banda indicou que o retorno deve ocorrer em 2027.
Em comunicado, a 30e explica que o acordo "subverte o fluxo tradicional do mercado da música — historicamente centralizado no eixo Estados Unidos-Europa — ao colocar uma potência latino-americana na liderança do planejamento global de um dos maiores ícones do rock mundial". Pelo modelo estabelecido, a 30e passa a exportar a sua propriedade intelectual em mercado, dados, marketing e infraestrutura, enquanto o Faith No More preserva sua autonomia artística e o controle de seu legado.
Este é o segundo acordo global da 30e nesses moldes. No início deste ano, a empresa de entretenimento ao vivo também anunciou um acordo estratégico de longo prazo com o System of a Down.
O Faith No More comentou:
"A 30e é uma empresa que quer desafiar o status quo e, como artistas, entendemos o valor disso. A abordagem deles não soa como a engrenagem de sempre; parece vir de outro lugar, com outro tipo de energia, e estamos dispostos a apoiar esse movimento."
Pepeu Correa, CEO da 30e, destacou:
"O Faith No More sempre foi sinônimo de ruptura. Eles moldaram gerações inteiras justamente por se recusarem a jogar sob as regras óbvias do mercado, e é esse mesmo espírito audacioso que move a 30e. Este acordo busca construir, de forma conjunta, uma plataforma de experiências globais que respeite o DNA transgressor da banda e apresente a nossa visão de entretenimento para o mundo."
Tim Moss, empresário do Faith No More, complementou:
"A banda nunca seguiu um caminho convencional, e é exatamente por isso que essa parceria com a 30e faz sentido. Eles trazem uma nova perspectiva, profundidade estratégica real e uma ambição global alinhada à visão da banda. O mais importante é que eles entendem como construir algo relevante em torno do Faith No More sem comprometer aquilo que torna a banda única."
Faith No More nos últimos anos
Os shows realizados pelo Faith No More em 2016 não eram para ser a despedida. O grupo anunciou, em novembro de 2019, uma turnê para o ano seguinte, que precisou ser adiada por causa da pandemia. Entretanto, as datas remarcadas foram canceladas na véspera do primeiro show, em setembro de 2021.
Questões de saúde mental enfrentadas pelo vocalista Mike Patton na época serviram como justificativa. Em entrevista à Rolling Stone EUA, o cantor revelou que havia sido diagnosticado com agorafobia (medo ou ansiedade de estar em locais de difícil saída, geralmente grandes multidões):
"Eu simplesmente surtei logo antes do nosso primeiro ensaio. Eu só disse: 'não consigo fazer isso'. Eles estavam ensaiando, então no lugar deles, ficaria realmente chateado comigo. E eles ficaram. E provavelmente ainda estão. Mas é preciso ser verdadeiro consigo mesmo e saber quais são seus limites."
Apesar do diagnóstico, Patton continuou a tocar ao vivo com seus outros projetos. O mais famoso deles, Mr. Bungle, se apresentou no Brasil no Knotfest 2022 e veio novamente ao país em 2026para duas datas como abertura do Avenged Sevenfold, além de um show solo em São Paulo.
No iníco do ano, Mike chegou a indicar o fim do Faith No More. Em entrevista ao canal de YouTube Kyle Meredith With… (via The PRP), o vocalista conversou sobre os shows finais de 2016 e explicou como ele via um senso de encerramento ao concluir aquela turnê. De modo implícito, insinuou que não haveria um retorno.
Ele declarou:
"Eu não pensava isso naquela época [senso de encerramento], mas talvez. E eu acho que todo mundo ali sentiu igual, mas ninguém falou. É engraçado, porque quando você faz parte de uma banda ou projeto musical por um período de tempo, você sempre pensa lá no fundo: 'Bem, acho que esse é o final'. E eu não fico incomodado com isso. Não vejo como algo triste. Vejo como estar presente e ser capaz de apreciar tudo enquanto acontece."
O comentário de Patton ecoava algo revelado pelo tecladista Roddy Bottum em entrevista de outubro de 2025 ao Alternative Nation. Durante a conversa, o músico afirmou que o Faith No More não faria mais shows. O motivo citado é simples: falta de interesse por parte dos integrantes.
"Não sou só eu. Acho que nenhum de nós tem vontade a esse ponto. Nós tínhamos um monte de shows pra fazer e eles foram cancelados por várias razões. Não acho que as questões se resolveram. Não vejo isso [a banda] acontecendo mais, sinceramente."
Entretanto, havia pelo menos um integrante do Faith No More com vontade de retomar a banda. Em entrevista à rádio chilena Futuro (via Blabbermouth), o baixista Billy Gould não mediu palavras quanto à sua vontade:
"Se eu mandasse, provavelmente estaríamos tocando no Chile na semana que vem. [Risos]"
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