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Elis e a Kombi: essa polêmica se justifica?

Na verdade, essa propaganda deveria acelerar a discussão sobre legislação de IA, e não só pela Elis

16 jul 2023 - 06h10
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Foto: Volkswagen / Divulgação

Como tem bastante gente me perguntando, seguem meus dois centavos sobre o caso Elis Regina na publicidade de 70 anos da Volkswagen no Brasil onde aparece cantando em uma Kombi.

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Em primeiro lugar, porque é essencial, o ângulo legal. Pela legislação atual, os filhos de Elis são herdeiros de sua imagem, e está claro por suas declarações que concordaram com a abordagem do comercial e sua execução.

Sou fã de Elis como qualquer pessoa que ama música, e tenho certeza que ninguém valoriza mais o legado dela que seus filhos. Se eles acharam que mostrá-la rejuvenescida faria o país lembrar do seu talento, pra mim soa razoável.

O principal argumento contrário é que Elis não autorizou a peça (obviamente), e que talvez não quisesse fazer uma propaganda para a VW por razões políticas. Eu particularmente acho pouco razoável julgar organizações ou pessoas por posições tomadas 50 anos atrás. Meu cabelo era horrível aos 15 anos.

Isso significa que sou a favor de se recriar imagens de pessoas, sejam elas grandes artistas ou não, e fazer uso público delas?

Não sou, mas acho que essa propaganda deveria acelerar a discussão sobre legislação de IA, e não só pela Elis. Estamos falando de um conjunto de possibilidades fascinante e assustadoras, e vou dar alguns outros exemplos, todos tecnicamente possíveis hoje:

  • a. Pode-se recriar digitalmente o grande amor de alguém, que morreu em um hipotético acidente, e trazê-lo de volta para a convivência da família? Imagine as dificuldades práticas e emocionais que teríamos depois para 'desligar' esse avatar.
  • b. E trazer de volta mães, pais, avós... para aconselhamento? Poderíamos até treiná-los com cartas, vídeos, textos dos autores originais.
  • c. E já que estamos falando de arte, pode-se alimentar a IA com centenas de textos de um grande autor e pedir para que novas obras sejam criadas?
  • d. Posso fazer o mesmo com um pintor? Um quadro feito pela IA de Picasso, que valor teria?
  • e. E shows? Vamos recriar Elvis ou Freddie Mercury e organizar uma nova turnê em 3D? Alguém duvida que encheríamos estádios no mundo todo?

Bem vindos ao novo mundo, em que as fronteiras entre real e imaginário vão ficando mais porosas a cada dia.

(*) Alex Winetzki é CEO da Woopi e diretor de P&D do Grupo Stefanini, de soluções digitais.

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