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Chris Brown depõe em julgamento por ataque de cão: 'Tinha muito sangue'

O cantor defendeu sua reação quando uma funcionária foi atacada por um cão de segurança em sua propriedade, dizendo que a cena sangrenta o deixou "em choque".

19 jun 2026 - 10h59
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Chris Brown depôs na quinta-feira e disse que ficou "em choque" quando encontrou uma funcionária de limpeza deitada de bruços do lado de fora de sua casa em Los Angeles, gravemente ferida após ser atacada por um enorme cão de segurança em sua propriedade cinco anos atrás.

Foto: Jordan Peck/Getty Images / Rolling Stone Brasil

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Ao subir ao banco das testemunhas na quinta-feira, como a primeira testemunha em um julgamento civil em Van Nuys, Califórnia, Chris Brown reconheceu alguma responsabilidade pelos ferimentos de Maria Avila naquele dia, mas negou ser o dono do cão da raça Ovcharka da Ásia Central, chamado Hades, que a atacou. O cantor afirmou que a raça rara teria sido comprada por sua equipe de segurança. Em quase três horas de depoimento, Chris Brown defendeu sua decisão de não ligar pessoalmente para o 911, de não prestar socorro a Maria Avila enquanto ela sangrava na calçada de sua casa e de deixar o local antes da chegada de paramédicos e policiais.

Chris Brown, 37, disse que estava prestes a tomar banho quando ouviu Hades rosnando e correu para descer as escadas para investigar em sábado, 12 de dezembro de 2020. Ele afirma que viu Maria Avila no chão, sem se mexer, e prendeu o cão em um canil enquanto gritava para um guarda: "vem aqui agora, porra". Ele contou aos jurados que se abaixou e ficou a cerca de 30 centímetros de Maria Avila para confirmar que ela ainda respirava. Quando ela se virou um pouco mais tarde, gemendo, ele disse ter visto sangue fresco no concreto, no braço e no rosto dela.

Quando a advogada de Maria Avila, Nancy Doumanian, pediu que Chris Brown descrevesse as "lacerações abertas" no rosto de Maria Avila, o cantor apontou para a própria testa e passou o dedo pelo nariz e por baixo do olho direito. "Estava cortado, tipo, separado", disse ele. "Eu sei que é gráfico, mas dava para ver a pele meio levantada. Você via o corte e o sangue saindo", disse. Ele afirmou que não teve nenhum contato físico com Maria Avila em nenhum momento.

"Foi muito sangue", admitiu sob questionamentos de Michael Murphy Jr., o advogado que representa a irmã de Maria Avila, também funcionária de limpeza que estava com ela naquele dia e tem sua própria ação contra Chris Brown. "O sangue meio que me assustou um pouco", disse quando chegou a vez de seu próprio advogado fazer perguntas.

Chris Brown afirmou que era verdade que não ligou para o 911 porque não queria que a gravação vazasse e criasse um "circo" midiático. Ele também confirmou que nunca pediu à segurança para preservar o vídeo de vigilância de sua casa sobre o incidente e alegou que foi sugestão de seu empresário que ele saísse de casa antes da chegada dos primeiros socorristas.

"Ele queria garantir que ela fosse atendida [e] me afastar da publicidade", disse Chris Brown.

"Qual seria o problema de você ficar lá e esperar os paramédicos chegarem, com uma mulher sangrando na sua garagem/entrada? Por que isso seria um problema para você, como celebridade?", perguntou Nancy Doumanian, incrédula.

"Por causa de como minha imagem é e sempre é usada. Eu não queria uma história distorcida, ou um circo, por causa do meu nível de exposição. Isso é bem delicado nesse tipo de coisa. Então me aconselharam a ficar fora do caminho", disse.

"Você não achou que sua reputação sofreria um impacto ainda maior se você fugisse do local?", insistiu Nancy Doumanian. Chris Brown disse que não fugiu. Mas concordou que passou algumas horas dirigindo, parando em um posto de gasolina, antes de ser avisado de que estava liberado para voltar para casa.

"Você colocou a mão embaixo da cabeça dela? Colocou uma toalha, ou seu moletom/agasalho, qualquer coisa sob a cabeça dela?", perguntou Nancy Doumanian. Ela perguntou se ele chegou a oferecer água a Maria Avila. Chris Brown disse que não.

"Eu nunca toquei nela", repetiu. "Eu estava em choque."

Durante um processo de seleção do júri que incluiu uma decisão de anular o julgamento, envolvendo um painel inicial que teve de ser dispensado e substituído devido à má conduta de jurados, o advogado de Chris Brown disse em tribunal que seu cliente concordava que Maria Avila tinha direito a algum valor de indenização por parte do cantor. O advogado disse que o caso se resumiria a uma "diferença de opinião" sobre quanto.

Chris Brown alegou no banco das testemunhas na quinta-feira que havia avisado Maria Avila e a irmã dela para não saírem sem pedir permissão a ele primeiro. Ele afirmou que disse às duas mulheres, em inglês, que os cães não eram amigáveis. Nancy Doumanian disse que elas falavam espanhol, então, se a conversa ocorreu — o que as mulheres negam —, elas não teriam entendido. Ele afirmou que elas disseram "ok".

Na ação, Maria Avila diz que o cão grande apareceu do nada e começou a rasgar carne — e até osso — do rosto e do braço dela enquanto ela "gritava de terror e pedia ajuda". Ela afirma que Chris Brown saiu de casa, ficou em pé sobre ela enquanto falava ao telefone e depois "fugiu do local", enquanto ela permanecia sangrando na entrada da casa. Maria Avila diz que precisou de cirurgia de emergência e agora sofre desfiguração permanente, danos nos nervos e perda de visão.

"Ele me atacou no rosto, na mão e cravou os dentes no meu pé", disse ela em um depoimento, em outubro de 2023. "Eu não vi, eu apenas senti — era algo muito grande", disse. Maria Avila afirmou que não viu Chris Brown levar o cão embora. "Eu só ouvi o carro que foi embora", relatou.

O juiz que conduz o julgamento já havia concedido o pedido de Chris Brown para barrar perguntas sobre a agressão criminosa de 2009 contra sua ex-namorada, Rihanna. Durante a seleção do júri, na segunda-feira, vários potenciais jurados disseram que não poderiam ser imparciais porque conheciam o histórico de violência doméstica de Chris Brown. O juiz disse que esse histórico não era relevante para o julgamento sobre o ataque do cão, mas dispensou os jurados mesmo assim.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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