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Champignon sobre sensação de se apresentar sem Chorão: “foi horrível”

Baixista do Charlie Brown Jr. se reuniu com colegas da banda para formar a Banca, cuja primeira apresentação ocorreu no 'Altas Horas', na quinta

12 abr 2013 - 07h41
(atualizado às 08h09)
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<p>Músico do Charlie Brown Jr. aposentou baixo para assumir vocais do grupo Banca; na foto, no Altas Horas</p>
Músico do Charlie Brown Jr. aposentou baixo para assumir vocais do grupo Banca; na foto, no Altas Horas
Foto: Fernando Borges / Terra

O clima aparentemente leve demonstrado ao longo da primeira apresentação perante um público desde a morte de Alexandre Magno Abrão, o Chorão, não lembrava nem um pouco aquele observado minutos depois, já distante dos olhares incansáveis das câmeras e do público. Sentados lado a lado no camarim logo após a gravação do programa Altas Horas, na quinta-feira (11), na TV Globo, Champignon, Thiago Castanho, Bruno Graveto e Marcão aparentavam luto, com olhos vermelhos, lábios tristes, quase chorosos. 

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No palco, tudo era diferente. Apesar da notória sensação de estranhamento, tanto de seus integrantes quanto do público, pelo repentino anúncio do retorno aos trabalhos, além das óbvias homenagens e lembranças ao colega com quem compartilharam boa parte de suas vidas de estrada, os músicos pulavam, sorriam, procuravam manter as aparências de que, enquanto grandes nomes do rock nacional, tudo estava bem. Mas não estava.

"Foi horrível", desabafa Champignon na coletiva de imprensa realizada no camarim do grupo, se referindo à dificuldade de voltar a ocupar um palco sem o amigo e colega de estrada, encontrado morto no último dia 6 de março, em decorrência de uma overdose de cocaína. "Mas, dentro da situação atual, queremos encarar tudo com o maior otimismo do mundo, como ele (Chorão) sempre encarou."

Foi esse o pensamento que levou o quarteto a fundar a Banca, grupo baseado no legado deixado pelo Charlie Brown Jr. que começa, a partir do dia 4 de maio, a prestar na estrada sua homenagem a Chorão, com a promessa de lançar um álbum de inéditas entre o final deste ano e o início de 2014.

"Na nossa cabeça, não existe Charlie Brown sem Chorão. A banda é o Charlie Brown e a banca do Charlie Brown somos nós. A gente optou por mudar o nome para eternizar o Charlie Brown como foi, mas vamos continuar tocando as músicas que fazem parte da nossa história, sempre com o apoio do Xande (Alexandre, filho do cantor)", prossegue Champignon, que assume os vocais do novo grupo, passando a função de baixista para a jovem Lena, velha conhecida sua das noites de Santos.

"Depois que o Chorão morreu, ficamos muito abalados, em choque, quase três semanas sem ensaiar. Mas queriamos voltar logo para a estrada e, pensando nisso, vimos que seria legal ter um músico de apoio, até para eu ter mais liberdade no palco, para transmitir aquela energia tão própria dos nossos shows. No meio dessa loucura, lembrei da Lena tocando pra caramba e comentei isso com Marcão, com o Thiagão e com o Bruno, e eles acharam do caralho. Trouxemos uma pessoa de muita responsa. Apesar de pequenininha, ela tem o peso que precisamos, uma 'patada' de monstro", diverte-se, em meio a um dos poucos momentos de descontração da entrevista.

Infante sob os holofotes, Lena ainda não se deu conta da realidade que a cerca. Bem mais nova do que o resto do grupo, a jovem de corpo esguio repleto de tatuagens estava, até o mês passado, vivendo em São Paulo, onde trabalhava em uma empresa de escritórios. Foi nela onde recebeu o convite de Champignon para se juntar ao grupo.

Admiradora assumida do Charlie Brown Jr. - e, mais especificamente, do baixista que a tem inspirado desde o início de seus estudos na música -, ela prefere observar a experiência como um aprendizado e, ao menos por ora, encará-la como uma vivência de fã, não de ídolo.

"Não foi difícil tomar a decisão de largar tudo em São Paulo para descer de volta para Santos. Mas, pra mim, tudo isso ainda é muito louco. Não é normal para mim tocar com esses caras", explica, sob o olhar de aprovação de seus novos colegas de estrada.

"A primeira vez que eu a vi tocar fiquei 'de cara'. A forma como ela toca é incomum para uma garota. Além disso, ela tem a cabeça muito legal e sentimos uma empatia muito grande desde o começo", elogia Marcão, um dos quatro integrantes originais do Charlie Brown Jr. que compõe a Banca. "Quando ela foi no ensaio e ligou o baixo, vimos que era a pessoa certa. Na hora olhamos um para a cara do outro com o mesmo espanto", concorda Bruno.

Em tempos de luto, Lena, a única sem o profundo envolvimento com Chorão no novo grupo, também colabora para manter o clima mais ameno. Thiago, talvez o mais abatido durante a gravação do Altas Horas, é quem pontua essa característica, provavelmente essencial para seguir com os trabalhos tão pouco tempo depois do baque causado pela tragédia.

"O nosso momento agora é pesado, é difícil. E ela entra para dar uma leveza", admite.

Cedo demais?

Não deixa de ser curiosa a velocidade com que os integrantes do Charlie Brown Jr. resolveram voltar a por a mão na massa. Nas redes sociais, muitos fãs já chamam a atitude de oportunista, uma tentativa desesperada de colher os últimos frutos deixados pelo ex-colega, cuja missa de um mês de sua morte ocorreu há pouco mais de uma semana. Os quatro músicos, no entanto, preferem não se abalar com as críticas, já que a formação do novo grupo envolve uma série de questões - entre elas, assumem, a financeira.

"A gente tem 20, 25 famílias que dependem disso tudo também. Precisamos continuar", diz com sinceridade Thiago, fazendo eco ao que já havia falado durante as gravações do programa. "Nunca pensamos em parar. Só não sabíamos quanto tempo levaria para colocarmos as coisas em ordem - e até eu estou surpreso em como tudo está indo rápido", prossegue Champignon. "A verdade é que somos músicos e este é o nosso trabalho. Se a gente ficar em casa, morre também. E por que ficaríamos se podemos compartilhar nossa música com os fãs?"

Talvez o próprio baque com a morte, situação que comumente leva as pessoas a se unirem, ajudou no aceleramento do processo. "Desde o dia que aconteceu, a gente ficou junto todos os dias. Não foi algo combinado. Eu ligava para o Marcão para tomarmos uma cerveja e, quando chegava lá, ele falava que o Champignon estava vindo, que o Thiagão também viria. A gente se ajudou, foi natural", explica Bruno.

Além do início da nova turnê, com quatro datas já confirmadas - além da primeira, em Lorena (SP), no dia 4 de maio, no Rio de Janeiro (25/5), no festival João Rock (8/6) e em Curitiba (15/6) -, a Banca virá acompanhada pelo lançamento do último trabalho da banda com o nome Charlie Brown Jr. Com 13 faixas inéditas, o disco estava em fase de finalização quando da morte de Chorão e a intenção do grupo é lançá-lo em no máximo um mês, "até porque é um material de ouro, o último de Chorão".

"É um CD muito emotivo, que mostra bem o que estava passado na vida dele. É muito forte", afirma Thiago.

Legado

Se o álbum de inéditas posterior já virá com o nome da Banca, os ex-Charlie Brown Jr. não pretendem dar por encerradas as produções do finado grupo. Pelo contrário: a intenção, daqui para frente, é resgatar todo o material registrado até hoje por ele para logo lançá-lo por meio de coletâneas e boxes especiais, proporcionando aos admiradores do grupo a posse de gravações desconhecidas pela maioria.

"Iremos buscar material até de antes do Charlie Brown, quando cantávamos em inglês e tínhamos uma pegada mais metal, com todos cabeludos", esclarece Marcão. "Temos imagens do começo da banda e acho legal que as pessoas conheçam isso."

Oportunismo? Necessidade? Tesão? O quarteto prefere resumir as decisões de uma forma diferente, parafraseando as palavras do músico com quem compartilharam alegrias e tristezas, e que viram ter um fim inesperado e repentino por meio do enfrentamento de seus demônios, aliado ao pesado uso de drogas. "O Chorão falava uma coisa muito legal, que é a forma como encaramos o que somos: a banda atingiu uma dimensão que fez dela não ser mais nossa, mas, sim, da galera. Então temos que dar tudo o que podemos para essa galera", conclui Thiago.  

Fonte: Terra
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