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'BTS é o maior fenômeno desde Michael Jackson', diz o The New York Times

Jornal americano publicou análise após o grupo retirar o álbum 'ARIRANG' da disputa pelo Grammy 2027

12 ago 2026 - 16h43
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O The New York Times publicou, no último domingo, 9, uma das avaliações mais contundentes já feitas sobre o BTS na grande imprensa americana. Ao analisar a decisão do grupo sul-coreano de retirar o álbum ARIRANG da disputa pelo Grammy 2027, o jornal foi direto: "O BTS, possivelmente o maior grupo do mundo desde Michael Jackson, é talvez o único grupo musical coreano com a liberdade e a influência necessárias para provocar uma mudança radical". E foi além: "Será este o momento em que artistas e empresários vão se unir para forçar as principais instituições do setor a romperem com seu vício em racismo disfarçado de demografia?".

BTS
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Foto: Pak Bae / Rolling Stone Brasil

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A decisão foi anunciada nas redes sociais dos sete integrantes e teve como alvo direto a criação, pela Recording Academy, da categoria Best Asian Pop Music Performance, voltada a reconhecer produções de K-pop, J-pop e C-pop. Para o BTS e seus fãs, a medida soa menos como inclusão e mais como segregação: ao criar uma categoria específica para artistas asiáticos, a academia os afasta, na prática, das disputas mais cobiçadas, como Álbum do Ano e Gravação do Ano. "Esperamos que a música possa ser ouvida e amada por si só, em vez de ser dividida por regiões ou idiomas. Agradecemos sinceramente aos ARMYs e a todos que sempre estão conosco", afirmou o grupo no comunicado.

O jornal lembrou que Off the Wall (1979), um dos discos mais importantes da carreira do Rei do Pop, foi ignorado nas categorias principais do Grammy em 1980 — e que a MTV, em seus primeiros anos, resistia a exibir videoclipes de artistas negros, antes de ceder à pressão comercial. A lógica seria a mesma: o mercado principal cria barreiras informais para artistas que não se encaixam nos moldes históricos da indústria, e o BTS estaria hoje em posição de questioná-las com uma influência que nenhum outro grupo asiático jamais teve.

O boicote ganha ainda mais peso quando se considera o contexto, já que ARIRANG, quinto álbum de estúdio do grupo, havia liderado as principais paradas da Billboard após o lançamento e gerado a maior expectativa da carreira do BTS por uma primeira estatueta. A Recording Academy defende que a nova categoria foi criada para ampliar o reconhecimento da diversidade musical asiática, mas, para o BTS, a decisão de não participar do processo deixa claro que o argumento não se sustenta.

O BTS foi o primeiro grupo de K-pop indicado ao Grammy, em 2019, e acumula indicações em categorias como Melhor Performance de Dupla/Grupo Pop e Melhor Videoclipe, mas nunca levou a estatueta. Desde aquele mesmo ano, os sete integrantes são votantes da Academia, o que torna o boicote ainda mais simbólico.

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