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Após "tapas na cara", Colomy lança novo álbum: "Deixamos a ingenuidade para trás"

A mudança de ciclo na carreira de uma banda de rock costuma vir acompanhada de renúncias, maturidade e confrontos com a realidade. Representantes da nova geração do gênero no Brasil, os integrantes da Colomy lançam seu segundo álbum de estúdio, "Pra Quem Andou Perdido" e não se esquivam de analisar as barreiras da cena atual. […] O post Após "tapas na cara", Colomy lança novo álbum: "Deixamos a ingenuidade para trás" apareceu primeiro em POPline.

3 ago 2026 - 18h31
(atualizado às 18h47)
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A mudança de ciclo na carreira de uma banda de rock costuma vir acompanhada de renúncias, maturidade e confrontos com a realidade. Representantes da nova geração do gênero no Brasil, os integrantes da Colomy lançam seu segundo álbum de estúdio, "Pra Quem Andou Perdido" e não se esquivam de analisar as barreiras da cena atual. Para o trio, o amadurecimento veio acompanhado de uma visão crítica sobre a própria audiência do estilo.

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Crédito: Carol Siqueira
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Foto: Popline

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Após antecipar o projeto com os singles "Causas Naturais" e "Rádio", a banda reúne nove faixas que acompanham o percurso emocional de quem precisa atravessar o intervalo entre um fim e um recomeço. Ancorados por participações de ícones como Guilherme Arantes, Peter Buck (R.E.M.) e Barrett Martin (Screaming Trees/Mad Season), além do apadrinhamento contínuo de Nando Reis, os músicos explicam que encarar o mercado sem romantismo foi essencial para que o trabalho nascesse.

A maturidade por trás de "Pra Quem Andou Perdido", novo álbum da Colomy

Ao definir o novo projeto como o trabalho mais maduro da trajetória do grupo, os músicos destacam que o processo de composição exigiu deixar velhas concepções para trás. Para que o álbum existisse com essa densidade, a ingenuidade deu lugar a uma visão concreta sobre a vida pessoal e a carreira.

"A gente é músico, sonhador, então tem uma tendência à cabeça nas nuvens e a enxergar a vida de forma romântica. Esse disco trouxe uma visão concreta das coisas depois que a gente tomou uns tapas na cara. Esses tapas fazem a gente acordar e passar a enxergar dentro da realidade", revelou a banda durante a entrevista.

As transformações pessoais refletiram diretamente no conceito do disco. Pedro Lipa reforçou que o álbum é a consequência dessas grandes modificações: "Deixei a minha concepção de amor-paixão para trás para admitir uma nova, que é o amor verdadeiro em várias esferas. O álbum é o produto final desse episódio da nossa vida."

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"O público de rock parou no tempo": Colomy reflete sobre saudosismo e à falta de atualização

Questionados sobre a perda de espaço do rock nos charts digitais, os integrantes rebateram o velho clichê de que o gênero estaria "morrendo" - lembrando que esse discurso existe desde o fim dos Beatles. No entanto, o trio apontou falhas diretas na postura da própria cena e de seus ouvintes, identificando uma forte resistência cultural que impede o estilo de voltar a furar a bolha do mainstream no Brasil.

Para a Colomy, esse travamento passa, em primeiro lugar, pela postura saudosista do fã tradicional.

"O consumidor de rock do século passado tem uma tendência gigante ao saudosismo. Ele vai gostar de Led Zeppelin e Rush, mas vai ter uma dificuldade enorme em aceitar bandas novas sem soltar críticas. Ele nem dá o play", desabafou a banda, concluindo que o público, em geral, parou no tempo.

Por outro lado, o grupo reconhece que a responsabilidade não é apenas de quem ouve. A falta de renovação no próprio discurso das bandas também contribuiu para esse afastamento.

"Faltou para o rockeiro, principalmente nos anos 2000, se atualizar nas temáticas e abordagens, para não soar apenas como mais uma banda tentando ser alguma outra que já existiu", pontuaram.

Apesar das ressalvas ao cenário nacional, eles fazem questão de destacar que o gênero segue vivo no underground - citando a Venere Vai Vênus como grande exemplo de renovação - e lembram que o contexto varia conforme a fronteira. Na vizinha Argentina, por exemplo, o rock autoral continua arrastando multidões de 30 mil pessoas em estádios como autêntica música popular.

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Da MPB ao Grunge: Como Guilherme Arantes e Peter Buck entraram no novo álbum da Colomy?

Um dos pontos altos de "Pra Quem Andou Perdido" é a ponte geracional construída através das colaborações. O trabalho une referências que vão da complexidade harmônica do rock progressivo brasileiro ao rock alternativo internacional.

A oportunidade de gravar com Guilherme Arantes, Peter Buck e Barrett Martin foi vista pelo grupo como uma validação de sua própria identidade musical:

"Ficamos muito honrados. Eles significam para a gente muito do que acreditamos na música. O Guilherme Arantes é um compositor maravilhoso, que se preocupa com as harmonias e vem desse lugar do rock progressivo. Trazer essas pessoas ajuda a mostrar para o público o nosso lugar e as nossas influências."

Crédito: Carol Siqueira
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Foto: Popline

Colomy fala sobre o desafio de criar conteúdo digital sem perder a essência

Se nos palcos o trio demonstra segurança, a adaptação às dinâmicas de vídeos curtos do Instagram e TikTok trouxe um desafio geracional para os músicos. Vindo de uma rotina focada em estúdio e estrada, a banda precisou encontrar uma linguagem que não parecesse forçada.

A saída foi abraçar o humor e a espontaneidade, inspirando-se em bandas como Green Day e Foo Fighters:

"Se a gente não achar um canal para levar nossa música, hoje ninguém ouve. A gente precisava achar um jeito de falar sem se sentir constrangido. Nós sempre fomos muito palhaços no nosso ciclo íntimo, então usar o humor nas redes foi o caminho para que parecesse natural."

Por onde começar a ouvir? Colomy recomenda 3 faixas do novo álbum

Para os ouvintes que querem imergir nas nove faixas de "Pra Quem Andou Perdido", cada integrante apontou a sua porta de entrada favorita para o projeto, deixando os singles já conhecidos de fora:

"Tudo Vale Ingresso" (Indicação do Lipa): Aconselhada como a conclusão narrativa do projeto. Segundo o músico, a faixa não segue uma história linear, mas funciona como um resumo que reúne pequenas "gotículas" de tudo o que é abordado ao longo do álbum.

"Se Ainda Existe Amor" (Indicação do Sebastião): Uma power ballad emocionante que explora aberturas de voz inéditas para o grupo, trazendo a participação marcante de Guilherme Arantes ao piano e culminando em um solo potente de guitarra.

"Eu Tive Que Matar Você" (Indicação do Eduardo): A primeira incursão oficial da Colomy no blues. O guitarrista destaca a faixa como uma de suas favoritas do disco, impulsionada por uma letra densa e arranjos inéditos na discografia do trio.

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