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Alcova Libertina debuta e vai da chanson française a Radiohead

Um dos mais destacados blocos de Carnaval de Minas Gerais lança disco de experimentações estéticas "Libertalia".

25 mai 2022 01h00
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Foto: Divulgação

Os corsários mineiros estão de volta, prometendo uma grande revolução artística com o lançamento do álbum duplo “Libertália” e  três videoclipes nas plataformas digitais. Criadores do bloco Alcova Libertina, um dos mais destacados do Carnaval de Belo Horizonte, o grupo formado por músicos, pintores, poetas e videomakers de diversos estilos e tendências chega para bagunçar o conservadorismo sociocultural no país.

“Libertália” sustenta a utopia pirata em 16 músicas em dois volumes que não se ancoram a nenhum rótulo, numa grande nau de linguagem plural, com forte influência do rock e do blues, coletando por onde passam tesouros da chanson française, do samba, do baião, do forró, da música erudita, do punk e de ritmos latinos e do reggae. O que vale é o trabalho coletivo e o amor à liberdade criativa.

Como bons piratas que não têm papas na língua, o grupo mineiro exibe um arsenal poderoso de temas existenciais e cotidianos, permeados por críticas políticas e ao mercado de arte. Não faltam viagens psicodélicas, letras sarcásticas e poéticas. Uma síntese dessa alquimia bem-sucedida tomou a forma do clipe “Alucinado”,  disponível no YouTube desde o dia 16 de maio.

Rafael Fares resume o trabalho como “uma salada transnacional feita com muitas línguas, português, francês, inglês e espanhol”. “Fruto de um coletivo plural que vive intensamente a experiência de ser filho de Gilberto Gil em viagens mutantes de paisagens radioheadianas, entre cascatas e montanhas, efeitos eletrônicos e maracatus atômicos, profusão de influências dignas da carnavalização antropofágica brasileira”, diz Fares.

O álbum duplo “Libertália” é a esperada conquista de uma trajetória iniciada em 2010, quando amigos de longa data criaram o ateliê Alcova Libertina, logo depois ampliando a sensação de desbunde como um dos protagonistas do Carnaval de BH. A experiência do bloco, junto à vontade de criar e ampliar as possibilidades estéticas, transformou o grupo numa usina incessante de músicas. “Compusemos canções dos mais variados estilos, mesclando rock com ritmos brasileiros. Este movimento foi crescendo até o dia que o grupo entendeu que era chegada a hora de juntar tudo num disco”, descreve Bruno Leal Medeiros. “Com músicas dos mais variados gêneros, o Libertália deve ser compreendido como a compilação de uma longa história de amizade, inquietação estética e experiências alucinógenas”, afirma.

Eles se puseram a navegar por águas nunca antes conhecidas, desembarcando num lugar paradisíaco representado por Libertália – diz a lenda, um local fundado por piratas, onde se implantou, no século 17, um regime anárquico e comunista. Neste lugar mítico numa ilha da África, os corsários criaram as suas próprias leis, defendendo uma luta em favor dos oprimidos e contra os ricos.

Para Marcos Braccini, num momento em que a cultura brasileira parece ser, mais uma vez, aprisionada por um retrocesso conservador, o Libertália é uma ode à liberdade, de criar o que se gosta, com quem se gosta, de ser o que se é, sem apego a rótulos ou estilos consolidados, um disco de experimentações denso e divertido que aponta para o futuro sem deixar a constelação do passado”.

CONHEÇA O ÁLBUM FAIXA A FAIXA DO VOLUME 1                                                    

Estrelato:  A inspiração foi a canção “Mal Secreto”, de Jards Macalé e Waly Salomão. Era um sonho fazer uma música que tivesse essa vibe, mas imprimimos uma perspectiva diferente, brincando mais com a questão da fama, fantasma que assombra o artista.

 Alucinado: Um ato de rebeldia diante do pensamento racional e da ação moral. É um grito pelo direito de ser corpo e espírito livres e empreender uma vivência rumo ao desconhecido. A sonoridade que remete aos Mutantes não é mera coincidência, com a experimentação sendo uma constante.

Bitter River: Um folk melancólico e despretensioso idealizado após o rompimento da barragem em Mariana, em 2015, marcado pelo refrão “What the fuck you have done?”.

Casi: Uma canção latina para aquecer nossos corações ao redor da fogueira, uma das poucas que trata o romance como tema, com uma sonoridade de jazz contemporâneo.

Multiples: Um piano gotejando lágrimas que não tocarão o solo, enquanto a orquestra nos carrega inteiros para um universo de proteção e conforto nessa canção em inglês que versa sobre a busca de nossa essência.

Perico: Referência do narcocorrido adaptado às paisagens mineiras.  Foi necessário um profundo estudo na estética sonora, incluindo timbres, estrutura e melodia muito específica do estilo musical.

Desencantando: Ao mesmo tempo uma homenagem ao mestre João Gilberto e uma crítica bem-humorada ao romantismo muito presente no gênero da bossa nova e na canção de maneira geral. 

Les choses de la vie: Pequena crônica sobre a vida, uma "chansons française" com sonoridade de cabaré parisiense, um devaneio de ser Jules ou Jim a ouvir Catherine cantando de uma maneira simples, ingênua e íntegra seu turbilhão existencial. 

 CONHEÇA O NÚCLEO DE COMPOSITORES DA LIBERTÁLIA

Bruno Leal Medeiros: multi-artista, multi instrumentista, compositor, produtor musical e professor bilíngue. Guitarrista da banda The Junkie Dogs. Vocalista, guitarrista, baixista e produtor do Bloco da Alcova. Cantor e programador no duo EOS e fundador da banda Teletela.

Fernando Goulart: músico, compositor e produtor cultural. Lançou um disco solo, “O Polvo Opositor”, e participou de álbuns de bandas autorais como Solnamulêra e Mula.Também é biólogo, doutor em ecologia e professor na UFMG.

Humberto Mundim: trabalha com vídeo (direção, roteiro, montagem e colorização), pintura, ilustração, design, cenografia e música. Realizou o curta-metragem "Acerca" e diversos videoclipes. Como pintor, participou de exposições coletivas, ilustrou capas de álbuns musicais e fez o design de livros de poesia.

Igor Marques: artista plástico com formação pela Escola Guignard, músico e amante da vida natural, sobretudo da fauna e flora de sua terra natal.

Marcos Braccini: compositor, produtor musical, arranjador e poeta. Produziu discos e participou de diferentes projetos dedicados à música contemporânea de concerto, à música popular brasileira e ao rock ‘n’ roll, além de compor trilhas para a televisão e o rádio. Também tem trabalhos de literatura e poesia.

Marcos Sarieddine: artista e filósofo, tem dedicado suas obras à liberdade de ser no mundo. Na música, destacam-se seus trabalhos em grupos como The Junkie Dogs, Derivasons, Mula e Bloco da Alcova Libertina. Como poeta, lançou o livro “Prefiro Andar Nu”.

Rafael Fares: poeta, compositor e pesquisador. Doutor em literatura indígena pela UFMG e professor na UEMG, realizou livros, filmes e exposições de artes plásticas com indígenas. Dentre suas publicações, estão os livros de poemas “Exemplar Disponível ao Roubo”, “Fio d´água” e “Árvore Nômade”.

 Thiakov: músico, poeta e produtor musical com mais de 15 anos de experiência. Trabalhou em estúdios, lecionou e tocou em vários países do mundo. Cursou música popular e composição na UFMG e produziu discos de José Luiz,Mula, Dead Lover´s Twisted Heart,  Graveola entre outros. Tem dois discos lançados: “Radar” E “Impressões”.

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