Álbum póstumo de Mr. Catra reverencia o samba
A voz grave, marca registrada de Mr. Catra, mudou a cara do funk a partir da segunda metade da década de 1990, popularizando o ritmo para muito além dos limites das comunidades cariocas.
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Referência para MC's que vieram no rastro de seu sucesso, Catra saiu de cena precocemente, aos 49 anos, mas deixou registros que revelam a intimidade do funkeiro com outras levadas musicais.
Nascido no Morro do Borel, tradicional berço do samba no Rio de Janeiro, o saudoso Mr. Catra era um apaixonado pelo ritmo. Gostava de reunir amigos e parceiros em sua casa para animadas rodas de samba regadas a churrasco, suingue e sambalanço. Essa intimidade foi capturada no álbum Com todo o respeito ao samba, projeto que chega agora às plataformas de streaming pelo selo Labidad, depois de anos de gestação, idas e vindas.
No álbum, Catra vai do samba clássico ao pagode romântico, passando pelo samba rock, com autoridade de quem conhece o riscado.
O projeto teve uma primeira versão em 2012 e uma segunda em 2015, ambas nunca lançadas comercialmente: só agora chegam às plataformas em seu formato oficial. O álbum entrou no streaming em 5 de novembro, data em que o artista completaria 55 anos.
Com todo o respeito ao samba foi produzido pelo mineiro Pedrinho Ferreira, ex-diretor musical do Só Pra Contrariar, que tem em seu currículo trabalhos com Alexandre Pires, Seu Jorge, Martinho da Vila e Jorge Ben Jor, entre outros, além de extensa experiência como instrumentista, diretor musical e arranjador de artistas nacionais e internacionais.
"O Catra queria lançar um CD de sambas e me procurou através de seu empresário, na época. Ele fazia muitos shows em Uberlândia e quando vinha aproveitava para colocar as vozes. O Catra escolheu o repertório, eu fiz toda a parte musical e ele não mudou nada, o que foi muito bacana: me deixou totalmente livre para fazer a produção musical, a escolha dos músicos, etc. A gravação e mixagem foi feita no meu estúdio, em Uberlândia, e a masterização em Miami", pontua Pedrinho.
Sobre a sonoridade variada do álbum, o músico e produtor mineiro conta mais: "Dentro do contexto das composições, eu escolhia para que lado iríamos. Nos sambas mais tradicionais focamos nas percussões; nos mais românticos, ampliávamos as possibilidades, mas a sonoridade final tem uma
unidade", avalia.
Autor de 5 das 11 canções do álbum, Marcio Local participou do projeto desde o início: "O Vagner (nome de batismo de Mr. Catra) tinha muita relação com o samba, sempre foi um sonho dele realizar este trabalho. Quando ele ouviu minhas músicas ficou louco! Algumas já existiam, como "Swing 021" e "Happy Endings", mas "Preta Luxo" eu fiz da minha relação com ele: queria misturar o funk com o samba para ele gravar", relembra o compositor, músico e cantor carioca.
E continua: "O Catra não era só funkeiro, tinha muito talento, era uma pessoa incrível. Para quem só conheceu Mr Catra que falava de sexo nas letras, vai se surpreender quando conhecer o Catra que fala de amor nos sambas. É um material que ele deixou com muito amor e carinho, porque ele sabia o que representava não só na carreira dele, mas na vida dos filhos, na vida de cada pessoa que ouvir este álbum. 'Com todo o respeito ao samba' vai ser histórico", finaliza.
No repertório do álbum consta ainda o samba Mangueira é uma mãe, que Mr. Catra contava orgulhoso ter sido um presente do compositor Serginho Meriti, além três canções de autoria do próprio Catra: Triste fim da mina, Sua foto e Se dê valor.
Ouça: