A resposta de Gilberto Gil sobre o futuro de sua carreira após a turnê de despedida
No tapete vermelho do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, o artista explicou o verdadeiro significado do fim da turnê Tempo Rei
Gilberto Gil deixou uma porta entreaberta. No tapete vermelho do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, na quarta, 10, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o artista foi questionado sobre se, de fato, a turnê Tempo Rei foi a última de sua carreira, e a resposta surpreendeu quem esperava uma despedida definitiva dos palcos.
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"Nesse porte, com estádio, programação em estádios, lugares muito grandes e viagens muito prolongadas, nesse sentido, eu espero que tenha ajudado a última. Agora, para continuar, de vez em quando, me apresentando em situações mais simples, mais tranquilas, isso aí eu também estou levando em conta", disse.
A turnê Tempo Rei terminou em março com um feito histórico: mais de 300 mil pessoas reunidas nos shows de Gil no Allianz Parque, em São Paulo, sete apresentações que o tornaram o artista brasileiro com mais datas na arena, atrás apenas de Paul McCartney no ranking geral. Com direção artística de Rafael Dragaud e cenografia de Daniela Thomas, responsável por criar uma imponente espiral de LED sobre o palco, o espetáculo revisitou mais de 60 anos de carreira, do tropicalismo ao samba-reggae, passando por clássicos como "Expresso 2222", "Andar com Fé" e "Aquele Abraço". Só em 2025, seis das apresentações no Allianz Parque esgotaram em tempo recorde. Confira:
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O que Gil deixa claro é que a aposentadoria anunciada vale para os grandes formatos — não para a música em si. A lógica faz sentido para um artista de 82 anos que passou os últimos anos em turnê por arenas e estádios do Brasil inteiro, com a estrutura técnica e logística de um show internacional. Ao longo da Tempo Rei, participações especiais reuniram nomes como Caetano Veloso, Roberto Carlos, Marisa Monte, Anitta, MC Hariel, Liniker e Seu Jorge.
A passagem de Gil pelo Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira também foi marcada por uma reflexão sobre Cazuza, grande homenageado da 33ª edição. Os dois artistas pertencem a gerações e universos sonoros distintos, mas compartilham a mesma capacidade de fazer a música brasileira funcionar como crônica de seu tempo — cada um à sua maneira. A noite no Theatro Municipal reuniu artistas de diferentes gerações interpretando clássicos do homenageado, com Seu Jorge, Ney Matogrosso, Ludmilla, Marina Sena e Luísa Sonza entre os participantes.
Com mais de 60 álbuns lançados ao longo de seis décadas, Gilberto Gil segue entre os artistas brasileiros de sua geração com maior número de ouvintes mensais no streaming. A declaração no tapete vermelho do BTG, portanto, soa menos como surpresa e mais como confirmação do que fãs já suspeitavam: Gil pode ter encerrado um ciclo, mas não encerrou a música. O que muda é a escala — e, com ela, talvez o tipo de encontro que ainda está por vir.
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