A curiosa forma como Ozzy Osbourne entrou para o Black Sabbath
Vocalista tinha desavenças com o guitarrista Tony Iommi, ex-colega de escola, e ambos precisaram dar o braço a torcer; entenda
A história do heavy metal poderia ser drasticamente diferente se o guitarrista Tony Iommi não tivesse dado uma segunda chance a um antigo desafeto de escola. E vice-versa, já que Ozzy Osbourne também não gostava nadinha do colega.
O nascimento do Black Sabbath, pilar fundamental do gênero, não ocorreu por meio da afinidade, portanto. Foi a partir de um anúncio de jornal e de um reencontro repleto de desconfiança.
De acordo com relatos recentes de Tony Iommi em um documentário da Gibson TV (via Guitar World), a busca por um vocalista para sua nova banda o levou a um anúncio em uma loja de discos local que dizia apenas: "Ozzy Zig precisa de um show - possui amplificador próprio".
Iommi e o baterista Bill Ward decidiram conferir quem era o tal "Ozzy". Ao chegarem ao endereço indicado e baterem à porta, a surpresa foi imediata e não muito positiva para o guitarrista.
Ele relembra:
"Eu abri a porta e disse a Bill: 'Esqueça, é ele!'."
O rapaz à frente deles era John "Ozzy" Osbourne, alguém que Iommi conhecia bem dos tempos de escola, mas não pelas melhores razões.
Infância complicada
A conexão entre os dois ícones do metal remonta a uma infância turbulenta em Birmingham. A relação inicial entre Iommi e Ozzy era marcada por uma antipatia mútua. Iommi admitiu abertamente que, na adolescência, os dois "se odiavam".
O guitarrista era conhecido por ser um tipo de "valentão" na escola, e Ozzy era frequentemente o alvo de suas provocações. Iommi confessou em diversas entrevistas que costumava bater em Ozzy naquela época.
Em 2023, o baixista Geezer Butler declarou à Metal Hammer:
"Ozzy estudou com Tony e eles se odiavam. Tony praticava bullying contra ele na escola."
Enterrando histórico em prol do Black Sabbath
Apesar do histórico de brigas e da resistência inicial de Iommi, Bill Ward o convenceu a dar uma oportunidade ao antigo rival, argumentando que não custava nada ouvi-lo cantar. O que começou como uma necessidade prática de encontrar um vocalista que tivesse o próprio equipamento acabou revelando uma química sonora improvável.
O contraste entre a personalidade vibrante (e por vezes caótica) de Ozzy e o rigor musical sombrio de Iommi tornou-se a marca registrada do grupo. Se Tony Iommi não tivesse superado o preconceito que nutria pelo "garoto que ele batia na escola", o mundo jamais teria ouvido clássicos como "Paranoid" ou "Black Sabbath".