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A banda brasileira anistiada pelo governo 50 anos após ditadura censurar disco

Decisão da Comissão de Anistia reconhece perseguição contra o grupo; músicos receberão pedido de desculpas formal e reparação econômica

30 mar 2026 - 17h12
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Cinquenta anos após terem seu álbum de estreia recolhido das lojas e sua trajetória interrompida pela repressão, a banda pernambucana de rock psicodélico Ave Sangria foi oficialmente anistiada pelo Estado brasileiro. A decisão foi anunciada na última quinta-feira, 26, pela Comissão de Anistia, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

Ave Sangria
Ave Sangria
Foto: Flora Negri / Rolling Stone Brasil

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O grupo, um dos ícones da cena contracultural do Recife nos anos 1970, sofreu perseguição após o lançamento de seu primeiro disco, homônimo, em 1974. Na época, a música "Seu Waldir" foi o estopim para o veto dos censores. Sob o regime militar, o disco foi proibido e retirado de circulação, e os integrantes decidiram encerrar as atividades.

Agora, a decisão da Comissão de Anistia não apenas reconhece o erro do Estado, mas também estabelece uma reparação financeira. Os músicos Marco Polo e Almir de Oliveira, membros da formação original, receberão uma pensão mensal e vitalícia de R$ 2 mil, além de valores retroativos que ainda serão calculados (via Folha de S. Paulo).

Na decisão, o conselheiro Manoel Severino Moraes de Almeida, da Comissão de Anistia, afirma:

"Em Estados autoritários a arte também é perseguida, porque ela expressa um espírito — e no caso de Pernambuco, um espírito contestador do regime autoritário. O grupo Ave Sangria representa no dia de hoje a possibilidade de voltarmos ao passado, trazendo para o futuro um recado. Nós não queremos que que se repita no Brasil uma história como essa de jovens talentosos que se organizavam em torno de uma agenda cultural, que queriam construir um diálogo entre ritmos, apresentar uma nova forma de manifestação política e artística e tiveram sua liberdade ameaçada."

A votação foi acompanhada pelos artistas diretamente do Recife, em uma transmissão no Memorial da Democracia, no Sítio Trindade. O local carrega um peso emocional para o grupo: era ali que a banda ensaiava na década de 1970.

Integrante do Ave Sangria celebra decisão

Marco Polo, um dos integrantes, comemorou a anistia ao Ave Sangria:

"Foi uma emoção muito grande e uma sensação de alívio. O Estado reconhece que errou e tenta reparar. Cinquenta anos depois, ainda chega em boa hora — estamos vivos e seguimos batalhando pela música, pela liberdade e pela democracia."

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