Morre Fernando Novais, um dos maiores historiadores do Brasil, aos 93 anos
Referência na historiografia nacional, Novais publicou dezenas de artigos e livros sobre a história do Brasil e Portugal
O historiador Fernando Novais, referência na historiografia nacional, morreu aos 93 anos. A notícia foi divulgada pela A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
Novais foi docente do Departamento de História, entre 1961 e 1986, e Professor Emérito da FFLCH.
Ele nasceu em Guararema, em São Paulo, em 1933. Formou-se em História pela USP em 1958, onde também concluiu seu doutorado, em 1973.
Em 1957 iniciou sua carreira como professor na Faculdade de Economia da USP e em 1961 tornou-se professor na cadeira de História Moderna da FFLCH, onde permaneceu até sua aposentadoria em 1986. Logo em seguida, transferiu-se para o Instituto de Economia da Unicamp, onde foi professor de História Econômica.
No final dos anos 1950, ao lado de nomes como José Arthur Giannotti e Fernando Henrique Cardoso, articulou o chamado Seminário Marx - movimento que inovou a leitura da obra de Karl Marx no Brasil.
Ele lecionou na Universidade do Texas duas vezes e participou de debates e seminários em outras universidades americanas, como a Universidade Columbia e a Universidade da Califórnia.
Novais publicou dezenas de artigos e livros sobre a história do Brasil e Portugal. Sua obra maior é Portugal e Brasil na Crise do Antigo Sistema Colonial (1777-1808), publicada em 1979. Neste trabalho, ele analisou a política colonial portuguesa relativa ao Brasil nas suas últimas etapas.
"Todo historiador tem que lidar com o anacronismo. Para recriar um acontecimento em um determinado momento da história, a não ser que seja a história imediata, que ele esteja fazendo a história do que está acontecendo no presente vivo, o historiador precisa esquecer o que sabe que aconteceu depois, pois o protagonista que viveu o acontecimento não podia saber o que ainda não havia acontecido. Isso é o anacronismo, um pecado mortal", disse Novais em 2008 durante entrevista à Revista Brasileira de Psicanálise.
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Nos anos 1990, coordenou a equipe de profissionais que redigiu História da Vida Privada no Brasil, coleção publicada pela Companhia das Letras.
Em 2005, publicou uma coletânea com os seus principais artigos acadêmicos com o título Aproximações: Estudos de História e Historiografia.
A Companhia das Letras divulgou uma nota de pesar: "Fernando Novais influenciou inúmeros intelectuais e estudantes das gerações seguintes, como Lilia Moritz Schwarcz. A editora se solidariza com seus familiares, amigos, leitores e alunos".
Novais deixa dois filhos, netos e bisnetos.
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