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“Melhores humoristas sobreviverão ao politicamente correto”

Pedro Paulo Vicentini, ator de “Os Parças 2”, apoia os limites do humor: “Humorista bom não é aquele que só zoa o outro. Aí é só um babaca”

3 dez 2019
11h03
atualizado às 11h06
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Estreando no cinema com o humorístico “Os Parças 2”, Pedro Paulo Vicentini, de 21 anos, pertence ao grupo de artistas da nova geração que está atento às dores do outro. Por isso, o ator leva a empatia como bandeira no trabalho, principalmente, na hora de fazer piada. Para ele, não existe “mimimi”: o politicamente correto tem o seu valor. 

Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Foto: Divulgação

“Humorista bom não é aquele que vai sair zoando do outro. Porque aí é só um babaca que está se aproveitando da dor de outra pessoa. Eu acredito que existem limites do humor e que o politicamente correto não atrapalha, mas vai podando os humoristas para que os melhores sobrevivam”, defende Vicentini, em entrevista ao Terra

Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Foto: Divulgação

O termo politicamente correto é utilizado para descrever a evitação de linguagem ou ações consideradas excludentes, que marginalizam ou insultam um grupo de minorias. O tópico foi bastante discutido pela equipe de “Os Parças 2”  durante as gravações do filme estrelado por Tom Cavalcante, Whindersson Nunes e Tirulipa e Bruno de Luca. 

Em determinada cena, os protagonistas – todos nordestinos – são chamados de “Paraíba”, expressão utilizada de modo pejorativo para restringir a diversidade do Nordeste a apenas um dos estados, desconsiderando a pluralidade cultural da região. 

Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Foto: Divulgação

“Quando a gente viu [a expressão Paraíba] no texto, a gente ficou meio preocupado. No roteiro é uma coisa, mas na hora da execução, a maneira como você mostra isso é outra coisa. São milhões de pessoas que podem interpretar de formas diferentes aquela cena, mas quando eu assisti à cena pronta, claramente vi que era uma crítica. É uma questão séria e ali, do modo como foi colocado, está fazendo o telespectador refletir sobre a xenofobia”, avalia o ator. 

Além da cena de preconceito regional, piadas improvisadas foram alvos de discussão do elenco e direção. “A comédia tem o limiar de saber brincar, improvisar, e acontece de você passar do ponto”, defende o artista. 

Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Ator Pedro Paulo Vicentini em "Os Parças 2"
Foto: Divulgação

Clássicos

Mas se o momento é de reflexão, onde ficam os textos já apontados como racistas, homofóbicos, machistas e xenofóbicos? Para Pedro Paulo Vicentini, produtos culturais que marcaram época como a Megera Domada, de William Shakespeare, ou textos do escritor brasileiro Plínio Marcos, precisam ser trabalhados e ressignificados. 

“Textos antigos é um tópico que eu e meus amigos de faculdade sempre discutimos. Quando você pega clássicos, que têm grande importância para a história do teatro, do cinema, da literatura, você vai descartar?”, questiona. “O texto está ali escrito, mas é preciso transformar, discutir aquela ideia. Tudo evolui.”

Ouça no Podcast Terra Entretenimento a entrevista completa com Pedro Paulo Vicentini:

Assista ao trailer de Os Parças 2:

 

Fonte: Equipe portal
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