Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Leonardo Fróes, poeta e tradutor que amava a natureza, morre aos 84 anos

Ele estava internado havia um mês por causa de complicações de uma úlcera

21 nov 2025 - 13h49
(atualizado às 15h46)
Compartilhar

Leonardo Fróes definia a si mesmo como um poeta do campo. Desde os anos 1970, morava em um sítio em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, onde se dedicava ao cultivo da terra e à literatura. E a verter para o português grandes autores, em um trabalho que fez dele um dos principais tradutores do País.

Fróes morreu aos 84 anos, nesta sexta-feira, 21, informou a Editora 34, responsável por lançar sua obra completa, Poesia Reunida, em 2021, ano em que o autor participou da Festa Literária Internacional de Paraty (ele também foi convidado em 2016). Ainda segundo a 34, Fróes estava internado havia cerca de um mês por causa de uma úlcera.

O poeta Leonardo Fróes em 2016, na Flip
O poeta Leonardo Fróes em 2016, na Flip
Foto: Walter Craveiro/Divulgação / Estadão

Nascido em 1941 na cidade de Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro, Leonardo Fróes cresceu na capital e passou o início da vida adulta entre Nova York, nos Estados Unidos, e pela Europa. Chegou a estudar artes plásticas, mas logo entendeu que seu caminho era na literatura. Trabalhou como editor por alguns anos no Rio, mas foi no sítio que ele se recolheu para ler e escrever.

Os livros de Leonardo Fróes

Fróes escreveu livros como Língua Franca (1968), A Vida em Comum (1969) e Argumentos Invisíveis (1996), que lhe rendeu um Jabuti em 1996 - a obra abordava a jornada de um jovem em busca de respostas sobre sua identidade, que o levava a descobrir segredos familiares. A coletânea Trilha, de 2015, lançada pela Azougue Editorial, trazia a síntese de sua obra.

"Trilha mostra o panorama de uma poesia que está a pensar constantemente, mesmo que de maneira menos loquaz e descentrada do 'eu' aqui e ali, uma poesia que está a pensar o sujeito ou a arrastá-lo como sombra do poeta em seu ideal de uma 'desambição feliz', 'uma emoção simples', um 'despovoamento da pessoa', uma compreensão de sua 'insignificância perfeita'. Belas e significativas imagens, como a de um portão de ferro enlaçado pelas plantas, de um hotel caído no esquecimento, onde nada ficou 'de um secreto rumor, senão raízes', ou de 'uma inscrição na pedra à beira-rio', que a água lavou, corroendo-lhe os signos, são imagens que encarnam a reincidência de um despojamento enquanto assunto de interesse poético e filosófico do autor, sem que esse assunto, no entanto, se converta no próprio sujeito de uma linguagem despojada", escreveu a poeta Mariana Ianelli sobre o livro no Estadão. (Leia aqui o texto completo)

Em sua participação na Flip, ele explicou a presença da natureza em sua obra. "Existe uma tradição da poesia ocidental da natureza, muito descritiva, mas esse não é o meu caminho. Mesmo quando há descrição, nos meus poemas sempre existe um substrato filosófico, considerando a condição humana", disse.

"A noção que eu tenho é que a Terra é um organismo vivo. Sentimos isso de uma forma muito forte quando se trabalha para plantar. Uma enxadada passa uma nítida sensação de cortar", explicou.

Contemporâneo da Geração Beat e da poesia marginal brasileira, Fróes preferia, portanto, se enquadrar na tradição dos "poetas do campo".

De Goethe a Virginia Woolf

Como tradutor, Fróes foi responsável por algumas das primeiras e principais versões para o português de obras de Virginia Woolf, como O Valor do Riso e Outros Ensaios e coletâneas com seus contos. Era especialista nas línguas inglesa, francesa e alemã e também verteu para o português obras de nomes como Goethe, William Faulkner, e Jonathan Swift e Jean-Marie Gustave Le Clézio.

"Quase sempre procurei seguir tanto quanto possível o original", disse ao Estadão em entrevista de 2021, citando sua "escola da fidelidade". "Sempre me senti inferior ao original. Sou um instrumentista seguindo uma partitura. Tenho que tentar ser fiel ao compositor."

Por seu trabalho na tradução, Fróes foi premiado pela Fundação Biblioteca Nacional, em 1998, pela Academia Brasileira de Letras, em 2008, e pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, em 2016.

Fróes foi precursor do jornalismo ambiental no Brasil, atuando no Jornal do Brasil e no Jornal da Tarde, onde teve a coluna A Arte de Plantar.

A Editora 34, em publicação que lamenta a partida do poeta, afirmou que "desta vida simples em harmonia com a natureza, Fróes criou uma obra poética lida e celebrada por sucessivas gerações, tornando-se um dos nossos maiores e mais queridos poetas."

View this post on Instagram
Estadão
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra