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John Carpenter transforma sonho assustador em HQ e álbum de hard rock

Longe das telas desde 2010, cineasta lançou Cathedral, projeto que acompanha policiais em uma igreja abandonada e reúne graphic novel e trilha sonora inédita

7 ago 2026 - 11h43
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John Carpenter, diretor de clássicos como Halloween, O Enigma de Outro Mundo, Fuga de Nova York e Eles Vivem, acaba de lançar Cathedral, um projeto multimídia inspirado em um sonho perturbador que ganhou vida em dois formatos: uma graphic novel e um álbum de hard rock.

John Carpenter transforma sonho assustador em HQ e álbum de hard rock (Gilbert CarrasquilloGC Images)
John Carpenter transforma sonho assustador em HQ e álbum de hard rock (Gilbert CarrasquilloGC Images)
Foto: Rolling Stone Brasil

A história em quadrinhos, lançada nesta semana, foi escrita por Carpenter ao lado de Sandy King, sua esposa e colaboradora, e Sean Sobczak. A trama acompanha policiais de Los Angeles que investigam um assassinato brutal e acabam entrando nas profundezas de uma igreja abandonada. O cenário esconde catacumbas, criaturas monstruosas e um mal ancestral, elementos que dialogam diretamente com o universo construído pelo cineasta ao longo de sua carreira.

O álbum de mesmo nome chega acompanhado por 14 faixas e funciona como uma extensão sonora da história. Carpenter coescreveu e tocou as músicas ao lado do filho, Cody Carpenter, e do afilhado, Daniel Davies. O resultado aposta em riffs de guitarra, baterias pesadas e os sintetizadores que se tornaram uma das marcas registradas das trilhas compostas pelo diretor.

A origem de Cathedral é tão estranha quanto a própria história. Há cerca de dois anos, Carpenter sonhou com uma catedral abandonada que escondia dois elevadores capazes de levar quem entrasse neles para profundezas desconhecidas.

Em vez de transformar imediatamente a ideia em um filme, o cineasta decidiu levá-la para os quadrinhos. A inspiração, segundo Carpenter, apresentava uma espécie de paisagem de pesadelo subterrânea, povoada por criaturas que pareciam não existir no mundo real. A ideia era simples: tirar aquelas imagens da própria cabeça e colocá-las na cabeça de outras pessoas.

A escolha pelo formato também tem relação com o momento atual da carreira de Carpenter. O diretor não lança um longa-metragem desde Aterrorizada, de 2010, e já declarou que dirigir filmes é um processo extremamente estressante. Os quadrinhos permitiram que ele explorasse o universo de Cathedral sem enfrentar a complexidade e os custos de uma produção cinematográfica.

Mesmo fora das telas, porém, a história reúne vários elementos recorrentes de sua filmografia: investigação policial, ambientes claustrofóbicos, paranoia, criaturas sobrenaturais e a presença de uma ameaça antiga que permanece escondida sob a superfície.

Visualmente, a graphic novel aposta em uma estética sombria e cinematográfica, com arquitetura gótica, sombras marcadas e atmosfera de terror. O resultado também remete a obras do próprio Carpenter, especialmente Príncipe das Trevas, lançado em 1987.

Se o cinema ficou temporariamente para trás, a música ganhou cada vez mais espaço na rotina do diretor. Cathedral é o quinto álbum de estúdio produzido por Carpenter, Cody Carpenter e Daniel Davies.

A relação do cineasta com a música começou muito antes de sua carreira no cinema. Filho de um professor de música, Carpenter cresceu em Bowling Green, no Kentucky, e se mudou para Los Angeles nos anos 1960 para estudar na Universidade do Sul da Califórnia. Foi durante esse período que entrou em contato com sintetizadores modulares, instrumento que posteriormente se tornaria fundamental para suas trilhas sonoras.

A parceria com o filho e Davies transformou a música em uma espécie de segunda linguagem para Carpenter. Apesar da longa experiência, o diretor não se considera um músico tecnicamente virtuoso. "Minha técnica não é muito boa e eu não pratico", afirmou.

Ainda assim, é justamente na música que Carpenter parece encontrar atualmente uma liberdade que o cinema não proporciona. Para ele, filmes envolvem equipes enormes, dinheiro e uma estrutura complexa, enquanto uma música pode simplesmente existir para ser ouvida. "Filmes são complexos e caros. Mas, com a música, você não precisa falar sobre ela. Você pode simplesmente ouvir", afirmou.

Fonte: NY Times

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