João Camargo destaca a importância da escrita de Walcyr Carrasco: 'Mestre'
Ator João Camargo com trajetória marcante na TV, no teatro e no cinema fala sobre construção do personagem em Êta Mundo Melhor
Ator de teatro, televisão e cinema, João Camargo construiu uma trajetória sólida ao longo de mais de quatro décadas dedicadas às artes cênicas. Graduado em Artes Dramáticas pela Unirio, com extensão na Royal Central School of Speech & Drama, em Londres, ele completa, em 2026, 44 anos de carreira — sendo 38 deles na televisão.
Estreia marcante na televisão
Sua estreia na TV aconteceu na Globo, na novela Vale Tudo (1988), quando interpretou o icônico personagem Freitas. O papel lhe garantiu grande visibilidade na mídia, indicação como ator revelação do ano e projeção internacional ao participar da premiada campanha publicitária do Unibanco, dirigida pelo cineasta João Moreira Salles, vencedora do Leão de Ouro de Publicidade em Cannes.
Personagens que marcaram época
Ao longo da carreira, acumulou personagens de destaque como Gildo, em Um Anjo Caiu do Céu; Padre Zeca, em Uga-Uga; Haroldo, em Bela a Feia; Ofélio, em Cúmplices de Um Resgate, do SBT; e Junqueira, em A Força do Querer.
Recentemente, participou da última temporada da série Tô de Graça, do Multishow, dando vida ao excêntrico Júlio César.
Fase atual
Atualmente, João integra o elenco da novela Êta Mundo Melhor, de Walcyr Carrasco, como o padre Lucas, além de estar em cartaz no teatro com o espetáculo musical "O Cravo e a Rosa", também de autoria do dramaturgo.
"Um presente" na carreira
Sobre o momento atual, o ator celebra a oportunidade de trabalhar com Walcyr Carrasco. "O Padre Lucas foi um presente, realmente, fazer uma novela do Walcyr Carrasco, é um presente, é um grande autor, sempre quis fazer, e dirigido pela Amora Maltner", afirmou João.
Ele também destacou que o trabalho na novela veio acompanhado da experiência no teatro. "Então veio também junto com a peça O Cravo e a Rosa, que é uma adaptação da novela do Walcyr também, então esse ano que passou, eu tive esses dois presentes", disse o ator.
Segundo João, a recepção do público tem sido calorosa. "O Padre Lucas tem agradado muito o público, a reação na rua é muito boa, ele é aquele padre bem-humorado, meio ingênuo, de boa fé", comentou.
Ele ainda ressaltou o quanto o personagem lhe permite circular por diferentes núcleos da trama. "Me dá a chance de contracenar com praticamente todos os núcleos da novela, eles vêm, os personagens vêm se confessar com o padre, contar seus problemas, ou tentar enganar o padre, então isso é muito divertido, eu estou adorando", completou.
Construção baseada na escuta e no acolhimento
João revelou que utilizou experiências pessoais para compor o religioso. "O Padre Lucas foi construído com muito carinho", disse.
O ator contou que recorreu à própria vivência em terapia para encontrar o tom do personagem. "Eu fiz terapia durante muitos anos da minha vida e eu usei muito essa experiência do acolhimento que o terapeuta te dá, da escuta. É uma troca que me parece muito semelhante a de um religioso para o fiel que vai procurá-lo", explicou.
A ideia, segundo ele, foi imprimir serenidade ao padre. "Eu usei dessa minha experiência e tentei imprimir uma serenidade para o Padre Lucas, fazendo contraponto com os conflitos do Candinho", afirmou.
Ele ainda celebrou a parceria em cena. "É um prazer imenso contracenar com o Sérgio Guizé, que é um ator extraordinário, uma pessoa muito iluminada também. O lema é realmente lindo.", disse João.
Referência bíblica e mensagem atual
Uma das cenas que ainda irá ao ar traz uma alusão à história de Jó. "Tem uma cena que ainda vai ao ar, em que eu faço uma alusão à história de Jó, à história bíblica de Jó, e não deixa de ser uma comparação com a trajetória do Candinho na novela", revelou.
Ao detalhar a reflexão proposta pela cena, o ator explicou: "Jó se manteve fiel a Deus e não esmoreceu, e teve tudo de volta, tudo que ele havia perdido que Deus concedeu ao diabo. Tudo foi devolvido para Jó", disse.
Para João, a mensagem ultrapassa a ficção. "Essa frase, essa máxima do Candinho, eu acho que serve para todos nós. É uma máxima filosófica de grande importância nesses dias difíceis que o mundo passa.", afirmou.
A verdade como base da atuação
Com experiência em obras de diferentes épocas, o ator acredita que a naturalidade é fundamental. "Eu acho que o ator, quanto mais ele trabalhar na verdade, na emoção, a veracidade do personagem vai aparecer", disse.
Ele destacou ainda a importância da escrita de Walcyr Carrasco. "É óbvio que o autor não usa termos atuais, porque aí não teria nada a ver com a obra. E nisso o Walcyr é um mestre, em escrever os diálogos e as expressões da época", afirmou.
Por fim, João reforçou sua busca por uma interpretação menos impostada. "Acho que, independente da época, ninguém falava empolado como não fala hoje em dia. As pessoas falavam normalmente. Então, eu tento imprimir essa naturalidade e essa verdade interior para que o personagem passe para o público a sua verdade, a sua emoção.", concluiu.
Vivendo um momento de reconhecimento e intensa atividade artística, João Camargo celebra uma trajetória marcada por versatilidade, longevidade e paixão pelo ofício.
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