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JAY-Z disponibiliza versão original de 'Dead Presidents' pela primeira vez nas plataformas de streaming

Lançamento celebra 30 anos de Reasonable Doubt e marca estreia digital da faixa que sampleou Nas e iniciou rivalidade entre os dois

23 fev 2026 - 08h27
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Três décadas separam o JAY-Z de 1996 do império que construiu desde então, mas o rapper nunca esqueceu onde tudo começou. Na última sexta, 20, exatos 30 anos após o lançamento original, Hov disponibilizou pela primeira vez em plataformas de streaming a versão inicial de "Dead Presidents" — o single de estreia que apresentou Shawn Carter ao mundo antes mesmo de Reasonable Doubt (1996) chegar às lojas. A faixa produzida por Ski Beatz foi lançada independentemente através da Roc-A-Fella Records, fundada por JAY, Damon Dash e Kareem "Biggs" Burke, mas a versão original não entrou no tracklist final do álbum de junho de 1996. Em seu lugar, Reasonable Doubt trouxe "Dead Presidents II", com a mesma base instrumental mas letras completamente diferentes, que se tornou um dos maiores clássicos da discografia de JAY-Z. Agora, os fãs finalmente podem ouvir a versão que deu o pontapé inicial na carreira lendária através de Spotify, Apple Music, TIDAL, YouTube Music, Amazon Music e outras plataformas, parte de uma celebração de aniversário que também inclui edições especiais em vinil, cassete e CD.

Foto: Al Pereira/Getty Images/Michael Ochs Archives / Rolling Stone Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=hCKXOgHmWhQ

A "Dead Presidents" original é construída em torno de um sample de "The World Is Yours" do Nas, especificamente na linha "I'm out for presidents to represent me" (estou atrás de presidentes para me representar) do remix de 1994 produzido por Q-Tip. Entretanto, o sample, para muitos, é considerado como o início da rivalidade entre os dois rappers nova-iorquinos, uma tensão que ferveu por anos antes de explodir publicamente. Em 2001, JAY rimou em "Takeover": "I sampled your voice, you was using it wrong / You made it a hot line, I made it a hot song" (Samplei sua voz, você estava usando errado / Você fez uma linha quente, eu fiz uma música quente).

Além disso, o contexto da época também é importante para entender o significado de "Dead Presidents". JAY-Z tinha 26 anos e havia sido rejeitado por todas as grandes gravadoras de Nova York. Ninguém queria assinar um rapper "velho demais" que não se encaixava em nenhuma caixa óbvia — nem gangsta rap da Costa Oeste, nem rap consciente que dominava o underground de Nova York, nem R&B-rap que estava começando a dominar as rádios. A solução foi criar a própria gravadora e lançar música independentemente, apostando tudo que tinha e que conseguiu emprestar. "Dead Presidents" foi o teste: se o single funcionasse, Reasonable Doubt teria chance; se falhasse, a carreira terminaria antes de começar de verdade. E isso deu muito certo.

A produção de Ski Beatz é minimalista e sombria, perfeita para as letras de JAY sobre a vida nas ruas de Marcy Projects. Hov rima sobre tráfico de drogas, paranoia constante e o desejo de escapar através do dinheiro que os presidentes mortos representam — referência a Benjamin Franklin ($100), Ulysses S. Grant ($50) e Andrew Jackson ($20) nas notas americanas. Quando "Dead Presidents II" substituiu a original em Reasonable Doubt, as letras foram reescritas mas o tema permaneceu — JAY apenas refinou a abordagem, tornando a narrativa mais cinematográfica e os versos mais memoráveis. Ambas as versões são excelentes, mas a original tem uma crudeza que se perdeu um pouco na versão polida do álbum.

Mudança de nome e retorno às origens

O lançamento da "Dead Presidents" original não é a única forma que JAY-Z está celebrando três décadas desde Reasonable Doubt. Semanas atrás, o rapper mudou seu nome em todas as plataformas de streaming de JAY-Z para JAŸ-Z — adicionando o trema sobre o Y exatamente como aparecia na capa original do álbum de estreia em 1996. Para quem não viveu a era, a mudança pode parecer cosmética, mas para fãs de longa data é uma referência direta a um momento específico da carreira de Hov. O trema era parte da estética visual de Reasonable Doubt, adicionando um toque europeu sofisticado que diferenciava JAY dos contemporâneos. Por volta de The Blueprint (2001), ele havia simplificado para JAY-Z em letras maiúsculas sem hífen nem trema — uma versão mais limpa e corporativa que traduzia as ambições de transcender o rap e entrar em território de magnata. Cada iteração refletia um momento específico: Jay-Z era o traficante das ruas, JAŸ-Z era o artista refinado estabelecendo credenciais, JAY-Z era o império.

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