Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Harry Styles está disposto a qualquer coisa em 'Kiss All the Time. Disco, Occasionally.'

O astro pop busca amor, êxtase, iluminação e todo tipo de diversão em seu quarto álbum de estúdio — que subverte expectativas e é estranho de maneiras deliciosas

4 mar 2026 - 12h51
Compartilhar
Exibir comentários

Um pouco depois da metade deste álbum estranho, adorável e completamente fascinante, as coisas ficam francamente bizarras, musicalmente falando. Usando enormes quantidades de baixo, um coral gospel, um baterista que continuamente se supera — seja num som mais pesado ou numa balada —, uma ampla gama de bases rítmicas, guitarras acústicas e elétricas, e todos os tipos de pulsações, camadas e nuances, Harry Styles dá de ombros e diz: Por que não tudo de uma vez?

Harry Styles em performance no BRIT Awards 2026
Harry Styles em performance no BRIT Awards 2026
Foto: Gareth Cattermole/Getty Images / Rolling Stone Brasil

"Season 2 Weight Loss" começa com um ruído elétrico — algo zumbindo, ligando, inicializando ou dando microfonia — antes de teclados que soariam perfeitos em um disco do Kraftwerk ecoarem por alguns segundos. O que entra em seguida soa como as batidas fragmentadas do drum and bass, só que as batidas continuam surgindo em lugares estranhos, como se estivessem tentando se esconder do ritmo em vez de impulsioná-lo. E quando o baixo finalmente explode, está ligeiramente dessincronizado, como se houvesse três abas abertas no seu computador, cada uma tocando uma música diferente. Styles está se dirigindo a alguém que poderia estar em seus braços, mas que continua resistindo — "Você me ama agora?", ele pergunta, não pela primeira nem pela última vez em Kiss All the Time. Disco, Occasionally., em busca de algo que está quase ao alcance. A música cresce e cresce — teclas de calíope perseguem um coro de vozes ao longe, a bateria soa como alguém tentando arrombar uma porta — até que, como se um sino de meditação tocasse, tudo para e Styles canta: "Às vezes você precisa se sentar". E então, tudo recomeça.

Se isso soa um pouco estranho, bem, é mesmo. Mas também é típico da maneira como este álbum subverte expectativas. Styles esteve em turnê por 22 meses para divulgar seus últimos dois álbuns, Fine Line (2019) e Harry's House ( 2022), encerrando a última das 169 apresentações em julho de 2023. Ele disse que, depois disso, queria passar algum tempo no outro lado, o lado do público — reconectar-se com a sensação de estar no escuro, perdido na multidão, dançando e cantando com estranhos.

A música que ele e o produtor Kid Harpoon — um colaborador fundamental tanto em Fine Line quanto em Harry's House — criaram neste álbum reflete esse desejo. Assim como os trabalhos que fizeram no passado, Kiss All the Time. Disco, Occasionally. não se prende a definições, superando todos os tipos de fronteira: rock-pop, orgânico-sintetizado, composto-improvisado, autêntico-artificial. E é baseado na liberdade de todos os tipos — sexual, certamente, mas também um prazer que vasculha o passado sem se importar com a história.

Mas Kiss All the Time. Disco, Occasionally. é mais sensorial, menos focado no estrelato do que a música que eles fizeram antes. A voz de Styles às vezes fica em segundo plano nas faixas, filtrada ou submersa na mixagem. E embora haja (muitos) refrões chiclete, alguns deles também ficam em segundo plano em relação às batidas, grooves, movimentos e vibrações — que são sujas de maneira tanto sonora quanto erótica. São canções mais voltadas para o ser do que para o significado, para a experiência do que para o ego.

Kiss All the Time. Disco, Occasionally. abre com quatro faixas explosivas: a eletrônica "Aperture"; "American Girls", com graves potentes; "Ready, Steady, Go!", que combina o baixo com um efeito de zumbido de avião, como se um DJ estivesse tocando a mesma música em dois dispositivos ligeiramente fora de fase; e "Are You Listening Yet?", onde a vibe de 2010 remete tanto ao LCD Soundsystem quanto às produções synth-pop da dupla norueguesa Stargate para Rihanna. Há também "Dance No More", uma festa oitentista com gritos de "Respeite sua mãe!" no refrão, evocando a cultura drag.

Apesar da capa brilhante do álbum, Kiss All the Time. Disco, Occasionally. não é exatamente o álbum mais dançante de Styles. "The Waiting Game" e "Carla's Song", por exemplo, são canções pop disfarçadas de disco. Em "Coming Up Roses", Styles deixa a pista de dança para trás e dá lugar a uma balada sobre uma noite na cidade, ao lado de uma orquestra de 39 músicos (que funciona menos como uma seção de cordas e mais como uma banda).

E Styles não abandonou seu gosto pelo classicismo melódico dos anos 60. Em "Paint by Numbers", ele examina os prazeres e perigos de sua persona de ídolo pop enquanto dedilha um violão, acompanhado de trompas e um teclado. "Que privilégio é ser notado, mas não tem nada a ver comigo", ele canta. "É um pouco complicado quando eles colocam uma imagem na sua cabeça e você fica preso a ela." Este tema aparece novamente em "Pop", quando Styles se baseia em uma batida eletrônica e sintetizadores para falar sobre música, orgasmos, drogas — ou tudo isso junto. Styles menciona o uso de drogas (e a falta de seda) antes disso: "Sou só eu / De joelhos / Fantasia impecável / É para ser pop."

Mas na maior parte de Kiss All the Time. Disco, Occasionally., Harry Styles é um explorador, que está tentando encontrar ou proporcionar iluminação, êxtase, amor e luz ao seu ouvinte. O álbum abre com Styles cantando sobre "deixar a luz entrar" em "Aperture" e termina com "Carla's Song", onde ele descobre que a luz não está nos olhos de outra pessoa, mas no que esses olhos enxergam. Como se sua própria capacidade de empatia e compreensão — e não sexo e amor — fosse o que ele buscava o tempo todo.

Entre esses dois extremos, há momentos de frio na barriga, amigos flertando com "pessoas ruins" e encontrando conforto uns nos outros, sexo sem intimidade, um mantra esquecido e um senso de aventura quase psicodélico. "Se você sabe, então você sabe", canta Styles na faixa de encerramento, soando como se estivesse voltando de uma viagem — ou talvez saindo do clube mais exclusivo do mundo depois de três dias de festa. "Se você não sabe, então você não sabe." A melodia flui, as batidas se elevam, e ele compartilha uma bênção final: "Está tudo lá esperando por você."

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade