Wagner Moura afirma que Bolsonaro foi decisivo para a criação de 'O Agente Secreto'
Wagner Moura conta que a eleição de Jair Bolsonaro foi o ponto de partida para o filme e fala sobre memória, ditadura e democracia
Wagner Moura, 49, revelou que a eleição de Jair Bolsonaro teve impacto direto na criação de "O Agente Secreto". A declaração foi feita em entrevista ao talk show americano The Daily Show, na qual o ator refletiu sobre como o passado autoritário do Brasil ainda influencia o presente. Segundo ele, mesmo com o fim oficial da ditadura militar em 1985, os resquícios daquele período continuam vivos na sociedade brasileira. "Quando nós elegemos um presidente de extrema-direita em 2018, esse homem foi como uma manifestação física desses ecos", disse o ator, ao se referir ao ex-presidente.
Durante a conversa, Wagner explicou que o filme nasceu da inquietação diante do que acontecia no país entre 2018 e 2022. Ele contou que chegou a agradecer publicamente a Bolsonaro ao receber um prêmio no Festival de Cannes. "Sem ele, nunca teríamos feito esse filme. O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022", afirmou.
O ator também fez duras críticas ao legado político do ex-presidente. "Este homem [Bolsonaro], eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI", disse Wagner Moura, reforçando que o discurso e as ações do ex-mandatário dialogam com práticas autoritárias do passado.
Outro ponto central da entrevista foi a importância da preservação da memória histórica, tema abordado em O Agente Secreto. Wagner criticou a Lei da Anistia, de 1979, por, segundo ele, ter impedido um acerto de contas com o passado. "[A lei] basicamente perdoou todos os torturadores, assassinos e pessoas que fizeram coisas desprezíveis para os civis. Isso foi muito ruim para a nossa memória coletiva, porque há coisas que não podem ser esquecidas, há coisas que não podem ser perdoadas", declarou.
O Brasil começa agora a enfrentar seu passado autoritário?
Para Wagner Moura, o país dá sinais de mudança ao responsabilizar aqueles que atentaram contra a democracia. Ele citou como exemplo a prisão de envolvidos em ataques às instituições e afirmou que isso pode marcar um novo momento para as próximas gerações. "Bolsonaro mesmo está agora na prisão. Eu espero que isso seja uma nova fase para os jovens brasileiros. Bolsonaro nunca teria existido, politicamente, se não fosse por causa dessa lei que fez as pessoas esquecerem o quão ruim foi a ditadura", concluiu o ator, reforçando a necessidade de memória, justiça e reflexão coletiva.
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