Carla Marins relata diagnóstico sensível e médica faz alerta: 'Estresse crônico'
Queda hormonal pode afetar memória, sono e regulação emocional, mas sintomas podem ser amenizados com acompanhamento adequado
Um estudo recente divulgado pelo G1 trouxe novos dados sobre os efeitos da menopausa no cérebro feminino, apontando alterações em áreas ligadas à memória, à cognição e à saúde mental. O tema também tem sido discutido publicamente por mulheres que vivem essa fase da vida, como a atriz Carla Marins, que falou abertamente sobre o processo de amadurecimento e as transformações trazidas pela menopausa.
De acordo com a ginecologista Beatriz Tupinambá, especialista em climatério e menopausa, a queda dos hormônios femininos tem papel central nessas mudanças cerebrais. "O estrogênio, especialmente o estradiol, tem uma ação neuroprotetora muito importante. Ele participa do metabolismo cerebral, regula as sinapses, a plasticidade cerebral e circuitos ligados à memória e à regulação emocional", explica.
Segundo a médica, regiões como o hipocampo e o córtex cingulado — áreas associadas à memória e às emoções — estão entre as mais impactadas pelas alterações hormonais. Estudos já observaram inclusive redução de substância cinzenta nesses locais durante a transição menopausal.
Apesar da forte influência hormonal, Tupinambá ressalta que o processo não pode ser explicado apenas por esse fator. "A menopausa é uma síndrome neuroendócrina complexa. Existem mais de 30 sintomas associados, que também influenciam o funcionamento cerebral", afirma.
Entre esses fatores estão alterações metabólicas, resistência à insulina, aumento do estresse, ondas de calor e distúrbios do sono — condições que podem potencializar os efeitos da menopausa no cérebro.
"O sono fragmentado e o estresse crônico aumentam a carga inflamatória do organismo e isso impacta diretamente na memória, na concentração e na regulação emocional", explica a especialista.
Segundo ela, muitas mulheres relatam dificuldade de foco, lapsos de memória e maior instabilidade emocional durante essa fase. Em muitos casos, esses sintomas estão diretamente ligados à qualidade do sono.
"Pessoas que não dormem bem apresentam memória e foco piores e ficam mais desreguladas emocionalmente. Muitas vezes, quando conseguimos tratar a insônia e reduzir as ondas de calor, o cérebro volta a se regularizar", afirma.
Por isso, a especialista destaca a importância do acompanhamento médico durante o climatério. Com diagnóstico adequado e tratamento individualizado, é possível reduzir sintomas e preservar a qualidade de vida das mulheres nessa fase de transição hormonal.