Victor Andrade, de ‘Jogada de Risco’, usa a moda como expressão e se dedica à corrida pela saúde mental
Ator se preocupa em ser uma referência positiva para crianças e jovens que também nasceram em uma comunidade
O que fazer com a fama e o status de trabalhar na Globo? Para o ator Victor Andrade, esse privilégio de poucos precisa ser tratado com responsabilidade.
Destaque na série ‘Jogada de Risco’, do Globoplay, ele conversou com a coluna a respeito da visibilidade artística, do uso da moda para se comunicar e da dedicação às maratonas.
Como o personagem PC surgiu na sua vida?
Através de um convite quando eu ainda estava na novela Dona de Mim. Passei por teste. A gente precisava entender onde eu me encaixava melhor, em qual dos personagens que estavam disponíveis na trama.
Como define o personagem e de qual maneira criou a interpretação?
Eu o vejo como um rapaz criado nas ruas, sem muita atenção, de uma família conturbada. Aprendeu muito cedo a malandragem, a lei das ruas. O PC é da ‘vida errada’. É aquela pessoa que não aprendeu o quão errado é sujar as mãos. Vive um dia de cada vez.
Gosta do universo do futebol ou é um mundo novo na sua vida?
Eu nasci Flamengo. Não seria diferente do meu pai e do meu padrasto. Ambos de torcida organizada. Eles me apresentaram o futebol. Meu pai me levou ao Maracanã pela primeira vez quando eu tinha dois anos. Sou apaixonado, sou devoto do Flamengo. Vibro e choro pelo meu time.
Tem se dedicado às corridas. Como surgiu essa prática?
Minha vó sempre me incentivou a praticar esportes como uma maneira de crescer com uma ideia de disciplina. Corro não exatamente pela performance, e sim pelo bem que faz à saúde mental. Recentemente, concluí minha primeira maratona, foram 42 km. Então, agora, eu sou ator e também maratonista. Não vou parar. Quero participar de corridas de floresta e desejo em breve me preparar para uma maratona fora do país. Ter experiências em outros continentes.
Você se definiu numa rede social como ‘fashion cria’. Qual sua relação com a moda e qual mensagem quer passar?
A moda virou uma ferramenta legal para me conectar a outros jovens pretos e, juntos, aumentarmos nossa autoestima. A roupa enaltece nossa personalidade e facilita a comunicação. Eu já quis estudar moda na faculdade justamente por acreditar nessa maneira de se expressar. A roupa que a gente veste é uma extensão do que a gente é e, às vezes, não consegue externar. Gosto de referências de estilo dos anos 2000 e do hip-hop.
Há 20 ou 30 anos, seria impensável ver em produções da Globo um ator saído de uma comunidade, como você. Qual a importância de ser um exemplo para crianças, adolescentes e jovens?
É uma missão. Sinto essa responsabilidade muito grande de ser uma referência tendo um papel numa emissora importante como a Globo. Isso leva alegria ao meu coração. Mas tento tirar a ideia da fantasia e trazer para a realidade. Quero apresentar outras perspectivas de vida às crianças e aos jovens que vêm do mesmo lugar que eu vim, mostrar que existem possibilidades para além de onde você nasce e é criado.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.