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TV precisa se inspirar em Brad Pitt e falar mais dos homens em sofrimento mental silencioso

Coragem do ator em abordar a temática do suicídio pode ajudar milhões de anônimos a recuperar a saúde mental

11 ago 2026 - 16h17
(atualizado às 16h17)
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Bonito, famoso e desejado por quase todas as mulheres do planeta. Fortuna estimada em 400 milhões de dólares (R$ 2 bilhões). Dois Oscars na estante.

Brad Pitt transmite a imagem de homem perfeito numa vida perfeita.

Não é bem assim.

Ele também sente dores emocionais e um vazio existencial. Já sofreu ao ponto de tentar entender o suicídio. Não necessariamente para dar fim à própria vida.

“Nunca fui (potencial) suicida, exceto por um pequeno período. E, naquele pequeno período, eu simplesmente pensei — eu simplesmente não conseguia — simplesmente não via uma saída”, admitiu à revista ‘Esquire’.

“A dor era tão opressiva que, eu não iria agir sobre isso, mas conseguia sentir o aço frio da bala na minha cabeça, e aquilo pareceu um alívio.”

“E pensei: ‘Ah, tudo bem, agora eu entendo’. Eu entendo o suicídio no sentido de que é simplesmente alívio. É simplesmente procurar alívio para a dor. Mas também acho que temos instintos de sobrevivência incríveis. E, para mim, isso imediatamente entrou em ação.”

Pitt se considera “um cara que ganhou na loteria”. Mesmo assim, se viu angustiado, acuado, confuso, sozinho, desesperançoso, no limite.

No Brasil, 35 homens morrem por suicídio a cada dia.

Eles representaram 78% das mortes deste tipo em 2024, segundo o Mapa da Segurança Pública, publicação do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O número impressiona não apenas pela dimensão, mas pelo silêncio que o cerca.

Suicídio ainda é um assunto que a mídia costuma tratar com cautela excessiva. Muitas vezes, o comedimento se transforma em omissão. 

O receio de estimular novos casos é legítimo, mas não deveria significar simplesmente não falar sobre o problema.

Há uma diferença enorme entre noticiar um suicídio de maneira sensacionalista e discutir, com responsabilidade, a saúde mental, os fatores de risco, os sinais de alerta e os caminhos para buscar ajuda.

Brad Pitt diz ter acionado o "instinto de sobrevivência" quando a ideia de suicídio surgiu em sua mente
Brad Pitt diz ter acionado o "instinto de sobrevivência" quando a ideia de suicídio surgiu em sua mente
Foto: Reprodução/YouTube @ladbible

As redes sociais também poderiam assumir uma responsabilidade maior. 

Em vez de serem acionadas apenas na campanha ‘Setembro Amarelo’, dariam enorme contribuição ao compartilhar regularmente informações sobre prevenção e acolhimento.

Não deveríamos tocar no assunto apenas quando uma celebridade como Brad Pitt joga um tema tão relevante e urgente na nossa cara.

Poderosa, a mídia não deveria estimular a curiosidade mórbida sobre a morte por meio de programas policiais e séries sobre crimes famosos, mas a compreensão da vida.

Especialmente quando ela parece insuportável.

E talvez seja justamente aí que o relato de Brad Pitt ganha uma importância que ultrapassa a celebridade.

Um homem que, aos olhos do mundo, parece ter todos os motivos para ser feliz admite ter experimentado uma dor que pode passar despercebida.

Falar sobre isso não é glamourizar o sofrimento, e sim mostrar que depressão e outros transtornos não escolhem rosto, idade, preferência política ou conta bancária.

E pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É amor-próprio e instinto de sobrevivência.

Em caso de tristeza profunda ou crise, você pode ligar gratuitamente para 188. Os atendentes do CVV (Centro de Valorização da Vida) estão disponíveis 24 horas para conversar, sem julgamentos ou críticas, respeitando os sentimentos de quem procura ajuda. Busque também orientação especializada com psicólogo, psicanalista ou psiquiatra. Priorize sua saúde mental.

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