Sthefany Brito: "Não sou coitadinha nem Maria Chuteira"
- Bruno Astuto
Quem hoje acompanha os detalhes picantes do processo litigioso de divórcio de Sthefany Brito e Alexandre Pato nem se lembra de que a atriz foi pedida em casamento na Torre Eiffel, em Paris, o lugar mais romântico do mundo, apenas três meses depois do início do namoro com o jogador de futebol, no fim de 2007. Em menos de dois anos, ele com 20 e ela com 22, estavam casados e morando em Milão, onde Pato era contratado pelo Milan, um dos melhores clubes do mundo.
Futuro promissor, não? Poucos meses depois da cerimônia na Igreja do Largo de São Francisco e da festa luxuosa no Copacabana Palace, em que Sthefanny apareceu encantadora usando um vestido da grife italiana Dolce&Gabanna, correu na imprensa que Pato foi fisgado pelas noitadas com outros jogadores e que o estado geral de insatisfação com a vida a dois afastou o jovem casal antes mesmo do primeiro ano de convivência. A separação foi em abril deste ano.
Linda e carismática, com carinha de boneca, Sthefany percorreu o caminho dos comerciais até estrear, aos 12 anos, na novelinha Chiquititas. Adolescente, foi contratada pela Rede Globo em 2001 e, naquele ano fez duas novelas, Um Anjo Caiu Do Céu e O Clone, que deu a ela grande projeção pela rebelde garota muçulmana Samira, que se recusava a usar o véu. Outro bom momento foi a bailarina Dandara, de Começar de Novo, que sofria de anorexia ¿ o Brasil inteiro passou a discutir a questão da doença na adolescência. Também se destacou como a patricinha Kelly, em Páginas da Vida, e como Dulcina, de Desejo Proibido, sua última personagem na TV.
Fato é que a mídia nunca havia encontrado qualquer mancha na vida pessoal de Sthefany até a ruidosa separação. Bem comportada, companheira do irmão, o ator Kayky Brito, no ar hoje em ¿Passione¿, não era vista em baladas, ou trocando de namorado toda hora. Sua única ousadia foi uma capa da revista Vip, quando tinha 19 anos. Muita gente não entendeu por que ela interrompeu uma carreira promissora para se casar e mudar de país. "Vinha emendando um trabalho atrás do outro, então era justo dar um tempo para me dedicar à minha vida pessoal", explica, em sua primeira entrevista desde a separação.
Bastou-lhe voltar ao Brasil para que não saísse mais das páginas de jornais e revistas, que discutem os detalhes do embate do provável futuro astro da Copa de 2014 com a bela e jovem atriz que cresceu na TV, diante dos olhos do público. A pensão em questão é de R$ 130 mil, ou 20% do salário mensal do jogador, que havia oferecido R$ 5 mil - valor que a atriz recebe hoje - para despesas alimentícias e do dia a dia. Entre recursos e sentenças, a decisão final só sai no ano que vem. Até lá, a atriz tem tentado levar uma vida normal; é vista em eventos, shows, no shopping ou em restaurantes com amigos. Mas ficou em silêncio - até agora. Nesta conversa, a jovem de 23 anos finalmente dá sua versão dos fatos e deixa entrever, elegante e sobriamente, que o conto de fadas acabou, mas ela ainda acredita num final feliz.
BRUNO ASTUTO: Por que esse longo silêncio?
STHEFANY: Cada pessoa tem seu tempo para digerir as coisas; eu resolvi me dar esse tempo. Ninguém gosta de se mostrar frágil e vulnerável. Foi muita exposição com essa história de separação, muito exagerada para o tamanho que ela realmente tem. Todos os dias tem um casal se casando e um casal se separando, não é mesmo?
Você tem mágoa da imprensa?
De jeito nenhum. É claro que a gente não gosta de ver a intimidade estampada nas capas das revistas, mas a minha relação com a imprensa sempre foi maravilhosa. A maioria dos editores, dos jornalistas, eu conheço desde pequenininha, desde que eu comecei minha carreira.
Não acha que talvez tenha gerado espanto o fato de você ter pleiteado uma pensão de R$ 130 mil, um valor muito alto para dos brasileiros?
Talvez tenha gerado essa impressão, mas a verdade é que eu não pleiteei nada. O que aconteceu é que, quando eu deixei a Itália para o Brasil, fui surpreendida com um oficial de Justiça me notificando sobre um processo em que eu era ré. Um divórcio litigioso. Então, o que faz uma pessoa quando é acionada na Justiça? Contrata um advogado, que vai defendê-la. Foi o que eu fiz. E a juíza atribuiu um valor a isso. Mas hoje as leis são iguais para homens e mulheres. Se ele, de repente, tivesse aberto mão da carreira para morar no Brasil, talvez hoje eu que seria obrigada a pagar pensão até que ele conseguisse voltar a trabalhar.
Mas as pessoas pensam: "Poxa, ela tão nova, tão talentosa. Será que precisa de pensão?"
Não fui eu que comecei essa história de pensão. Não sou coitadinha, muito menos uma Maria Chuteira; recebo salário desde os sete anos de idade. As pessoas sabem que eu sempre trabalhei; Nas ruas, me pedem para voltar logo, dizem que eu estou fazendo falta. O público é generoso, torce pela gente, e eu só encontrei respeito, carinho e muita energia boa.
Você alegou pobreza para não pagar as custas processuais?
Pobreza? Eu até brinquei no Twitter sobre isso. É verdade eu não estou trabalhando, que não tenho rendimentos por enquanto. Numa situação como essa, a Justiça normalmente entende que a pessoa não pode arcar com as custas processuais.
O que deu errado no casamento?
No fundo, o que acontece em toda separação. Ele não correspondeu ao que eu esperava de um marido e eu talvez não tenha correspondido ao que ele esperava de uma mulher. Nós tínhamos um projeto de vida, que só seria possível se eu me mudasse para a Itália, onde ele joga. Tive que me adaptar às mudanças, e me sentia muito só, longe dos meus amigos, da minha família e, principalmente, da minha carreira. Mas não deu para conciliar nesse começo. Com 22 anos, você não quer solidão para a sua vida, né, Bruno?
Houve momentos de desespero?
Não de desespero, mas de tristeza. Mas essa foi só uma página da minha vida. Tenho sorte de ter uma casa, uma família que me ama, amigos fiéis. Acho que a gente tem que se preocupar com problemas muito maiores, como essa onda de violência no Rio, por exemplo. Isso, sim, para mim é desesperador. Mas também vai passar, se Deus quiser.
Alguém lhe virou as costas depois da separação?
Ninguém que valesse a pena.
Acha que sofreu algum tipo de retaliação profissional por ter deixado a carreira para se casar?
Nunca, de jeito nenhum. Entre 2001 e 2007, não teve um ano em que eu não estivesse no ar. Foram seis novelas, um programa, que foi a TV Globinho, um seriado, quatro filmes e três peças de teatro. Eu fiquei só um ano e meio fora do ar, não é tanto tempo assim, muita gente fica muito mais que isso. Vinha emendando um trabalho atrás do outro, então era justo dar um tempo para me dedicar à minha vida pessoal. Passei praticamente toda minha infância e a minha adolescência no Projac, a Globo sempre foi minha segunda casa. Enquanto as minhas amigas iam para o parque ou para o shopping, eu estava trabalhando, estudando os textos. Mas não me arrependo; o trabalho me deu muita disciplina, me fez amadurecer. Eu amo a minha carreira, tenho muito orgulho dela e sei que ainda tem muita coisa por vir.
Então por que você não volta logo à TV?
No momento, estou lendo duas peças e, se pintar uma novela, eu faço. Adoro televisão, cresci fazendo TV, ela faz parte da minha história. Trabalhei com autores e atores maravilhosos; o Maneco (o novelista Manoel Carlos), a Glória (Perez), Marília Pêra, Tarcisio Meira, Ana Rosa, Lima Duarte, Luiz Gustavo. Não dá nem para citar todo mundo. Aprendi com eles e ainda tenho muito mais o que aprender.
Já encontrou um novo amor?
Ainda não. Mas também não estou procurando.
Está aberta?
Se vier, quem sabe? (risos)
Na próxima Copa, você vai passar longe dos estádios?
Vou sempre torcer pelo Brasil.