Otaviano Costa viveu doença 'bomba-relógio' e médico alerta: 'Altas taxas de mortalidade'
Especialista alerta sobre os riscos silenciosos da condição que atingiu Otaviano Costa; veja
Era véspera da festa de 50 anos de Flávia Alessandra. A família estava reunida, e Otaviano Costa foi ao cardiologista para um check-up de rotina. O que parecia um compromisso comum terminou como uma virada de vida. Dois anos depois daquele 6 de junho de 2024, o apresentador voltou ao episódio em um vídeo publicado nas redes sociais, e o relato voltou a emocionar o público.
Otaviano contou que descobriu o problema após notar um sinal físico durante uma viagem a Buenos Aires, na Argentina, e decidiu investigar. Durante a consulta, o médico analisou os exames, retirou os óculos e foi direto: "Você tem uma bomba-relógio dentro de você. Você pode morrer".
O diagnóstico era um aneurisma da aorta ascendente torácica em estágio de alto risco, e a orientação foi imediata: parar tudo. No dia 10 de julho de 2024, Otaviano foi submetido a uma cirurgia de oito horas no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Hoje recuperado, o apresentador usa o próprio caso como alerta. "Não seja engolido pela onda das conquistas, da realização dos sonhos sem perceber a sua saúde. Continue vivendo, continue, vá pra cima, mas não deixe de se cuidar. Especialmente pela família que você ama, pelas pessoas que você quer bem", disse ele.
O caso ilustra uma característica muito comum da doença, conforme explica o cardiologista Daniel Petlik. "O fato de uma pessoa se apaixonar ou desenvolver admiração romântica por alguém que está preso não é tão raro quanto parece" — na verdade, o que o especialista destaca é outra coisa: a aorta é a principal artéria do organismo, responsável por transportar o sangue do coração para todo o corpo. "Quando ocorre um enfraquecimento de sua parede, ela pode sofrer uma dilatação progressiva, formando o chamado aneurisma. O grande risco é que essa dilatação aumente a ponto de provocar uma ruptura ou uma dissecção da aorta, duas situações extremamente graves e potencialmente fatais", explica.
Segundo o médico, a expressão "bomba-relógio" tem explicação precisa: "Muitos pacientes não apresentam sintomas até o surgimento de uma complicação aguda. Quando ocorre uma ruptura ou uma dissecção, o quadro exige atendimento médico imediato e está associado a altas taxas de mortalidade", alerta.
Petlik lista os principais fatores de risco: "Entre os principais estão a hipertensão arterial, o tabagismo, o histórico familiar da doença, algumas alterações genéticas que afetam o tecido conjuntivo, além do envelhecimento e de determinadas alterações congênitas da válvula aórtica".
Em alguns casos, sintomas como dor no peito, dor nas costas, falta de ar ou sensação de pulsação anormal podem surgir, mas são exceção. "Já nos casos de dissecção ou ruptura, costuma surgir uma dor súbita e intensa, considerada uma emergência médica", acrescenta.
O diagnóstico é feito por exames de imagem. "No caso relatado por Otaviano, o ecocardiograma foi fundamental para identificar a alteração antes que uma complicação mais grave acontecesse", destaca o cardiologista.
Sobre o tratamento, ele explica que a indicação cirúrgica depende de diversos fatores: "Especialmente do tamanho do aneurisma, da velocidade de crescimento da dilatação e das características individuais de cada paciente. Quando a aorta atinge medidas consideradas de alto risco, a cirurgia passa a ser a melhor estratégia para prevenir eventos potencialmente fatais".
A principal lição, segundo Petlik, é uma só: "A importância do acompanhamento cardiológico regular, especialmente para pessoas acima dos 50 anos ou que apresentam fatores de risco cardiovasculares. Muitas vezes, um exame relativamente simples consegue identificar uma condição grave antes que ela se transforme em uma emergência. Na cardiologia, sabemos que o melhor cenário é diagnosticar o aneurisma antes do aparecimento dos sintomas. Quando descoberto precocemente e acompanhado de forma adequada, é possível reduzir significativamente os riscos e oferecer ao paciente uma excelente perspectiva de tratamento", conclui.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.