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Nutricionista explica morte de influencer com 22,5 kg: 'O corpo não consegue mais se defender'

Influencer com 22,5 kg morreu após longa batalha contra a anorexia; veja explicação do nutricionista Lucas Moraro

27 jun 2025 - 14h48
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Uma influencer turca de apenas 30 anos faleceu neste mês pesando apenas 22,5 kg. Nihal Candam lutava contra a anorexia nervosa e passou os últimos dias de sua vida internada com um quadro gravíssimo de desnutrição, mas não resistiu. Em conversa com o MAIS NOVELA, o nutricionista Lucas Moraro explicou como o transtorno psiquiátrico pode se agravar tanto ao ponto de tirar a vida de alguém.

Influencer com 22,5 kg morreu após longa batalha contra a anorexia; veja explicação do nutricionista Lucas Moraro
Influencer com 22,5 kg morreu após longa batalha contra a anorexia; veja explicação do nutricionista Lucas Moraro
Foto: Mais Novela

Tratamento da anorexia

A anorexia é um dos três transtornos alimentares mais comuns, matando cerca de 160 mil vítimas ao ano (dado de estudos britânicos e dinamarqueses). Segundo o nutricionista, o tratamento é multidisciplinar, ou seja, é preciso de diversos profissionais para tratar um paciente com um quadro como o de Nihal. Geralmente, pessoas com anorexia necessitam de psicólogo, psiquiatra, nutricionista, educadores físicos e mais alguns médicos dependendo do agravamento do caso.

Moraro explica que, primeiro, é preciso fazer uma anamnese na pessoa: "Onde abordamos histórico alimentar (padrões, preferências, aversões, compulsões, restrições), histórico de peso e IMC, sintomas físicos (como fraqueza, queda de cabelo, problemas gastrointestinais), comportamentos alimentares de risco (uso de laxantes, jejuns prolongados, vômitos autoinduzidos) e estado nutricional (exames laboratoriais, avaliação antropométrica)".

Depois, é preciso fazer uma educação alimentar e nutricional: "Reeducando o paciente sobre mitos alimentares, funções dos alimentos, e importância do equilíbrio nutricional. Enfatizamos que todos os grupos alimentares têm seu papel, combatendo a 'fobia alimentar' comum nesses quadros".

O terceiro passo, segundo o profissional, é elaborar um plano alimentar que se sustente nos três principais pilares:

1- Flexível e adaptado: respeita a fase do tratamento e o nível de resistência alimentar do paciente.

2- Progressivo: inicia-se com metas pequenas e realistas (como refeições estruturadas, por exemplo).

3- Sem foco em calorias ou peso inicialmente: o objetivo é normalizar a alimentação e reduzir comportamentos compensatórios.

Moraro enfatiza que o nutricionista deve introduzir pouco a pouco mudanças na vida do paciente: "Exposição alimentar gradual (para reduzir medos alimentares), refeições estruturadas e regulares (3 principais + 2-3 lanches), diários alimentares qualitativos (para observar emoções associadas ao comer, sem foco calórico) e reintrodução de alimentos evitados".

"Após esses passos iniciamos o trabalho em equipe, de forma multidisciplinar, atuando em conjunto com psicólogo, psiquiatra e médico clínico. As estratégias nutricionais são alinhadas com o tratamento psicoterapêutico, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que é bastante eficaz para TA", explicou.

O nutricionista ainda diz que o foco não é emagrecer o paciente: "O objetivo não é o emagrecimento (exceto nos casos de TCAP com obesidade e risco clínico), mas sim a relação saudável com a comida e o corpo. A aceitação corporal e a escuta dos sinais de fome e saciedade são estimuladas. O foco é sempre no comportamento e não somente no peso".

Riscos da anorexia

Assim como toda doença, a anorexia tem riscos gravíssimos, principalmente físicos. Moraro cita os 10 principais riscos desse transtorno;

1- Comprometimento neurológico.

Confusão mental, dificuldade de concentração; risco de coma por hipoglicemia; atrofia cerebral observada em exames de imagem.

2- Insuficiência cardíaca.

Bradicardia grave (batimentos cardíacos muito lentos); hipotensão (pressão muito baixa); colapso cardiovascular: o coração não consegue mais bombear sangue adequadamente.

3- Hipotermia e intolerância ao frio.

O corpo perde sua capacidade de manter a temperatura, por falta de gordura e desaceleração metabólica.

4- Desequilíbrios hidroeletrolíticos.

Níveis perigosos de sódio, potássio, fósforo e magnésio; pode causar arritmias cardíacas fatais; Risco de síndrome da realimentação se a nutrição for retomada abruptamente.

5- Osteopenia/osteoporose grave.

Perda de massa óssea acelerada, risco altíssimo de fraturas; irreversível em muitos casos, mesmo após ganho de peso.

6- Atrofia de órgãos.

Fígado, rins e coração diminuem de tamanho e função; pode evoluir para falência múltipla de órgãos.

7- Comprometimento imunológico.

Infecções recorrentes e severas; o corpo não consegue mais se defender de bactérias ou vírus comuns.

8- Amenorreia e infertilidade.

Ausência de menstruação por meses ou anos; comprometimento do eixo hormonal reprodutivo.

9- Problemas gastrointestinais.

Gastroparesia (esvaziamento lento do estômago); constipação crônica; sensação de saciedade precoce.

10- E por fim, levar o risco real de morte.

A anorexia nervosa tem a maior taxa de mortalidade entre os transtornos psiquiátricos. A desnutrição severa (como aos 22 kg) pode levar à morte súbita, especialmente por arritmia cardíaca ou infecção sistêmica.

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