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Marcos Clementino comenta ‘O Tubarão da Berrini’ e a vida fora da televisão

Ex-repórter diz usar o romance para estimular reflexões sociais no leitor e analisa a cobertura jornalística da economia

23 mai 2026 - 15h21
(atualizado às 15h21)
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Sonhos, às vezes, custam caro. E a recompensa nem sempre está à altura do investimento. 

Após anos como repórter no telejornalismo, posição que sonhou desde a infância, Marcos Clementino encerrou a carreira no vídeo e hoje atua como investidor e empresário.

Possui escritório na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, famosa via na zona sul de São Paulo que concentra grandes empresas e parte relevante do PIB. 

Autor de livros vendidos em oito países, sua obra mais recente é ‘O Tubarão da Berrini’, romance que se mistura com a trajetória do autor.

Por meio de um jovem inserido na criminalidade, a trama reflete sobre os estigmas da sociedade elitista sobre a população das periferias.

Na conversa com a coluna, Clementino falou também sobre o interesse crescente do brasileiro pela economia e o papel do jornalismo na cobertura desse segmento.

"O romance permite provocar o leitor a refletir sobre temas delicados por meio dos personagens", afirma Marcos Clementino
"O romance permite provocar o leitor a refletir sobre temas delicados por meio dos personagens", afirma Marcos Clementino
Foto: Divulgação

Você já tinha lançado livros de não-ficção, como ‘Paris, Sexta-feira 13’, sobre os ataques terroristas na França. Por que optou agora por um romance?

A notícia informa e a ficção cutuca onde dói. E isso me agrada. O Ariano Suassuna já dizia que ‘o escritor é um mentiroso profissional’. No jornalismo ou em livro-reportagem isso não convém. Já o romance permite viajar, criar e até inventar. O romance tem uma mística literária única, onde você consegue denunciar sem ter o mesmo compromisso factual de um livro-reportagem. É mais simbólico, mais lúdico. Permite provocar o leitor a refletir sobre temas delicados por meio dos personagens, muitas vezes com um efeito mais forte do que uma notícia do dia a dia sobre o mesmo assunto. No romance, a gente pode mentir no sentido figurado e ainda assim dizer verdades mais profundas. Daí eu acrescento à frase do velho Ariano o seguinte: ‘o escritor é um mentiroso profissional que consegue dizer até a verdade’. (risos).

O quanto ‘O Tubarão da Berrini’ é autobiográfico? O processo de escrita gerou algum efeito emocional em você?

A obra foi pensada de forma intencional para criar esse mistério, se o enredo é realidade ou ficção. Isso começa desde a capa, passa pelo nome do personagem principal, pelos locais onde a história se passa e chega até o desfecho. Por conta disso, sempre surge a pergunta: “afinal, você é o Marcolino da história?” E a minha ideia é deixar o leitor chegar à própria conclusão. Se é autobiográfico ou só bestagem da minha cachola para causar e confundir o público (risos). Normalmente, a gente escreve com a pretensão de mexer no emocional do leitor, isso faz parte da arte. Mas, no fim das contas, quem acaba surpreendido é o próprio autor, no meio de um turbilhão de sentimentos.

A capa da obra mais recente de Marcos Clementino; ao lado, o jornalista e empresário com 'Olho Vivo, Faro Fino!', em que narra a luta para chegar à TV, onde foi repórter, correspondente em Paris e cobriu a Copa do Mundo da África do Sul
A capa da obra mais recente de Marcos Clementino; ao lado, o jornalista e empresário com 'Olho Vivo, Faro Fino!', em que narra a luta para chegar à TV, onde foi repórter, correspondente em Paris e cobriu a Copa do Mundo da África do Sul
Foto: Reproduções

O universo das finanças, na Faria Lima e na Berrini, é formado majoritariamente por homens brancos nascidos em famílias de classe média alta. Como se vê inserido nesse ambiente? Teve de vencer resistências explícitas ou veladas?

Hoje faço parte desse ambiente. Estou mais adaptado e consigo me blindar melhor. Mas basta estar sem terno e gravata, barba por fazer, ou a pessoa não saber da minha posição social e prestígio profissional, que aparece aquela indiferença, como se eu não pertencesse àquele lugar. Tem relação com código social, com dress code, claro. Mas tem também um componente importante ligado à cor da pele. Quem é negro com pele retinta sofre mais. O pardo, porém, não escapa disso. Que é o meu caso. No início da carreira bancária, o meu apelido era “segurança”. Bastava eu entrar em um shopping de roupa social que era parado o tempo todo para dar informação.

No seu livro ‘Olho Vivo, Faro Fino!’, você narra a transição de bancário para repórter de TV. Anos depois, fez um caminho inverso: de jornalista de vídeo para o mercado financeiro. Por que essa mudança?

Eu sou um sujeito inquieto. A passagem de bancário para jornalista foi meu grande sonho profissional, e eu consegui realizar até mais do que imaginava. Com o sonho concretizado, aquela dopamina profissional cai a tal ponto que não seria mais possível me manter como repórter de telejornal. Ao mesmo tempo, sempre tive um DNA empreendedor, desde a época em que vendia picolé no Campo Limpo. Também sempre tive ambição de crescimento financeiro, algo que o jornalismo, na prática, tem um limite.

Marcos Clementino faz questão de cultivas as origens e foi homenageado com um mural no Campo Limpo, bairro da periferia de São Paulo
Marcos Clementino faz questão de cultivas as origens e foi homenageado com um mural no Campo Limpo, bairro da periferia de São Paulo
Foto: Reprodução

Como jornalista e investidor, qual sua avaliação da cobertura que os telejornais fazem da economia? Ajudam o público ou o deixam ainda mais confuso?

Eu particularmente gosto, apesar das críticas em excesso que a mídia brasileira tem recebido, principalmente quando misturam com política. Acho que ajuda, sim, o público. Claro que ainda existe uma linguagem mais técnica, mais rebuscada, que acaba afastando uma parte da população. Por outro lado, esse acesso também força uma evolução. As pessoas começam a se interessar mais, a querer entender. Hoje eu vejo situações que antes eram raras. O porteiro, o taxista, o balconista da padaria, o cabeleireiro comentando impacto de cenário internacional, política econômica, decisões globais. Antigamente, a conversa girava muito mais só em torno do futebol do fim de semana. Agora, mesmo com todos os excessos e polarizações, as pessoas falam mais de economia, política e cultura. Estamos longe do ideal, mas houve avanço. E isso é positivo. E falando em economia, fecho assim: ‘na Faria Lima tem baleia. Na Berrini, tem tubarão’. Só quem ler vai entender.

'O Tubarão da Berrini' (Editora Viseu) - Disponível na Amazon.

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