Iza está deixando a filha longe de Yuri Lima? Entenda possível briga na Justiça
"A parte mais difícil": Yuri Lima chora ao se despedir da filha Nala e reacende debate sobre convivência de pais separados; advogada explica o que a lei garante
Após o jogador Yuri Lima se emocionar ao se despedir da filha que tem com a cantora Iza, reacendeu-se o debate sobre o direito de convivência pós-divórcio. A especialista Cátia Vita explica que o término conjugal não afeta a parentalidade, sendo a convivência um direito da criança. Ela esclarece que a guarda compartilhada foca na coparticipação das decisões, e não na divisão exata de tempo, alertando que impedir esse contato fere o direito do menor e pode configurar alienação parental.
O jogador de futebol Yuri Lima, ex-marido da cantora Iza, emocionou os seguidores ao compartilhar o momento da despedida da filha, Nala, após passar alguns dias com a menina. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ele aparece visivelmente abalado depois de deixar a bebê e escreve: "A parte mais difícil." O registro rapidamente viralizou e gerou uma onda de identificação entre outros pais e mães que vivem a mesma realidade após o fim de um relacionamento.
O relato de Yuri coloca em evidência uma situação que afeta milhares de famílias no Brasil: como funciona, na prática, o direito de convivência entre pais separados e seus filhos? Para a advogada especialista em Direito de Família Cátia Vita, o primeiro ponto essencial é entender que a separação não encerra a parentalidade.
"A separação ou o divórcio encerram a relação conjugal entre os adultos, mas jamais encerram a relação de parentalidade. O vínculo entre pais e filhos permanece e deve ser preservado, pois a convivência familiar é um direito fundamental da criança e do adolescente, previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente. O direito de convivência não deve ser visto como um benefício concedido ao pai ou à mãe, mas como uma garantia da própria criança de continuar construindo e fortalecendo vínculos afetivos com ambos os genitores", explica.
Um dos maiores equívocos sobre o tema envolve a guarda compartilhada — e Cátia Vita desfaz o mito mais comum. "A guarda compartilhada ainda gera muitas dúvidas e um dos maiores equívocos é imaginar que ela significa uma divisão exata de tempo, como se a criança precisasse passar 15 dias na casa do pai e 15 dias na casa da mãe. A guarda compartilhada significa que ambos os pais participam ativamente das decisões relacionadas à vida da criança: criação, educação, saúde, formação e desenvolvimento. Em algumas situações, uma criança pode permanecer a maior parte do tempo com a mãe ou com o pai, mas ainda assim existir uma guarda compartilhada, desde que ambos participem das decisões e mantenham uma convivência saudável", detalha.
Sobre a organização de férias, feriados e datas comemorativas — momentos que costumam gerar mais conflito —, a especialista orienta que o foco deve sempre ser a criança. "Esses períodos são normalmente divididos de forma alternada, permitindo que ambos os genitores participem de momentos importantes. Quando há maturidade e diálogo, os próprios pais conseguem ajustar essas questões. Porém, quando um dos pais impede ou dificulta injustificadamente o contato do outro com o filho, essa atitude pode causar prejuízos emocionais à criança e representa uma violação ao direito de convivência familiar. Em determinadas situações, pode haver discussão sobre alienação parental", alerta.
Por fim, Cátia Vita esclarece que a voz da criança também tem espaço nesse processo, mas dentro de limites bem definidos. "A criança e o adolescente podem ser ouvidos em processos que envolvam guarda e convivência, principalmente quando possuem idade e maturidade suficientes para expressar seus sentimentos. Porém, essa escuta deve acontecer de forma protegida, para que a criança não seja colocada na posição de ter que escolher entre o pai e a mãe. A opinião da criança é um elemento importante, mas não significa que ela será a única responsável pela decisão", pontua. E resume com uma reflexão que dialoga diretamente com a emoção demonstrada por Yuri Lima: "O maior desafio após uma separação é que os pais consigam diferenciar o fim do relacionamento amoroso da continuidade da função parental. O filho não deve perder a presença, o cuidado e o afeto de nenhum dos genitores", conclui Cátia Vita.
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