Guitarrista do RPM revela abuso de drogas pesadas nos tempos da banda
Músico detalha como dependência química transformou comportamento do RPM e prejudicou apresentações durante turnê "Rádio Pirata".
Fernando Deluqui, guitarrista e um dos fundadores do RPM, afirmou que o consumo excessivo de cocaína foi um dos fatores que levaram ao término da banda, fenômeno musical dos anos 1980. Em entrevista concedida ao canal Corredor 5 no YouTube nesta quinta-feira (25), o músico, atualmente com 63 anos, detalhou como o vício afetou a saúde mental dos integrantes durante o auge da carreira.
Deluqui, que formou o RPM junto com Paulo Ricardo e Luiz Schiavon (falecido em 2023), descreveu como a dependência química se intensificou nos bastidores enquanto o grupo vivia seu período de maior sucesso com a turnê "Rádio Pirata".
"A gente foi usando, usando, e teve uma hora que a banda perdeu uma das coisas mais importantes que é a sanidade. Você não saber onde você está é o fim da picada. Eu peguei gente da banda falando com quem não estava ali, que tinha indo embora dias atrás. O negócio estava feio, o fim estava próximo. Estava rolando uma perda de lucidez num nível perigosíssimo", declarou Deluqui na entrevista.
O guitarrista explicou que o abuso de substâncias transformou o comportamento dos integrantes, que se tornaram "arrogantes, intratáveis e inacessíveis". Apesar disso, o grupo mantinha como regra não se apresentar sob efeito de entorpecentes.
Essa regra foi quebrada em uma ocasião específica em Cuiabá, resultando em consequências desastrosas. O show ocorreu após os músicos consumirem cocaína continuamente, desde a noite anterior até o momento da apresentação, sem dormir.
"A gente não parou. Começou à noite, varou a madrugada, chegou de manhã, que era hora de parar, não parou. Foi indo, foi indo até o show e foi um desastre, uma catástrofe. Cocaína é um negócio do diabo. Zerou a energia da banda. A gente quase apanhou muito. A gente estava sem energia, cantando mal. As pessoas estavam lá para ver o RPM, aquele RPM do 'Fantástico', e a gente negou fogo. Começaram a tacar latinha, depois areia. Saímos de lá com o moral no último. No mesmo dia, sem dormir ainda, a gente olhou um para cara do outro, e falou: 'isso nunca vai acontecer. Vamos cheirar? Vamos cheirar, vamos beber e fumar, mas nasceu o dia seguinte todo mundo na cama'. Aí deu para levar até o final", afirmou o guitarrista.
Após essa experiência negativa, os membros do RPM estabeleceram limites para o uso de substâncias, decidindo não consumir drogas antes das apresentações. Essa medida permitiu que a banda continuasse sua trajetória até o encerramento daquela formação.